Revista Alternativa: GOTHIC STATION #3

A GOTHIC STATION é a primeira revista brasileira impressa dedicada à subcultura gótica. Desde a primeira edição sou colunista de moda, cada edição tem um tema central: a primeira foi sobre Famílias Góticas, a segunda sobre Diversidade na Cena e a terceira tem Moda como tema. Foi com muita surpresa que recebi o convite do editor Henrique Kipper para ser capa. Portanto, gostaria de convidar a todos para conhecer o projeto de financiamento da terceira edição da Gothic Station!


A campanha estará ativa até o dia 10/01/2018


Ser capa de revista é algo que eu me divertia imaginando quando nova, mas nunca levei à sério a ideia, sempre preferi a parte mais intelectual da moda e acreditava que certas coisas tinham ficado completamente para trás. Mas a vida dá aquelas surpresas né? O convite é resultado de meu trabalho no Moda de Subculturas, o que significa para mim um baita reconhecimento do que apresento lá! <3


O curioso é que este convite apareceu num momento de vários questionamentos pessoais e profissionais. Esse convite é de certa forma um marco na minha vida. Não é fácil ser criadora de conteúdo no meio de tantos copiadores de conteúdo. Chega uma hora que cansa. E eu estava vivendo esse ponto da canseira. Eu estava exausta. Desapontadíssima com alternativos que pregam "união na cena" e "sororidade feminina", mas que na vida real apagam meu trabalho intelectual como a fonte de pesquisa para seus sites. Além de que "sororidade feminina" é essa que usa o trabalho intelectual de outras mulheres as apagando como fonte? No fim, vale a pena manter meu trabalho como sempre fiz, honestamente, sem plagiar ninguém, criando sempre e deixando pra lá os "copiadores". A vida vai resolver, tenho certeza.




Eu acredito que vocês imaginem a dificuldade que é criar uma revista numa época em que tudo está disponível na internet. Mas quem conheceu as duas primeiras edições conseguiu perceber a dedicação em fazer o melhor dentro das limitações. Há ainda muito a evoluir mas aos poucos vamos refinando o trabalho. Quem se interessar por subcultura gótica e sua cultura, assim como por cultura alternativa num geral, vou deixar abaixo o link de apoio e também de compartilhamento do projeto. E sim, a revista pode ser enviada ao exterior.

⛥Link direto catarse:
https://www.catarse.me/gothic_station_3

⛥ Post do Henrique Kipper:
https://www.facebook.com/henrique.kipper/posts/10155844981541870


E muito obrigada a todas que me marcaram ou parabenizaram pela capa, foi muito legal ver que vocês tem esse carinho por mim e saibam que é recíproco, pois unidas somos mais fortes! <3

R.I.P Cherry Sickbeat

Esta semana tivemos a triste notícia do falecimento de Cherry Sickbeat (Cherry Taketani era seu nome real). Desde que minha amiga me passou a notícia, fiquei bem desanimada, éramos grandes fãs e há algum tempo queríamos entrevistá-la para o Moda de Subculturas, mas as circunstâncias da vida não tornaram possível.


Eu conheci a Cherry no extinto programa do Gastão Moreira, Musikaos, lá nos aos 2000 quando eu era uma jovenzinha que ainda morava no interior de SP. Desde então, acompanhava de longe a trajetória desta grande referência feminina na cena underground nacional. Nossa, como eu queria que ela tivesse sido mais conhecida, porque reconhecida ela já era! Que houvessem muitas mais Cherrys por aí! 


Ainda vemos tão poucas garotas e mulheres interessadas genuinamente em se envolver com bandas, a musicista era alguém que eu encarava como um sopro de vida no meio de tanta coisa descartável que tem dominado o meio alternativo.
Além de que, seu estilo era bem particular, uma verdadeira diva alternativa que usava o que queria pouco se lixando pra marcas ou tendências, tanto que acabou criando identidade estética própria como o corte de cabelo e o short bem curtinho. 


Ando tão triste com sua passagem que toda hora fico procurando novas homenagens pela web e revendo seus vídeos em turnê com o NervoChaos...
Finalizo com um vídeo de um dos poucos canais do YT que acompanho, Kasagastão onde ele faz uma biografia sucinta sobre ela e ainda indica o melhor disco, Monstro. Assistam:


Projeto H. P. Lovecraft #2: A Estampa da casa maldita

Lovecraft, assim como no conto "A Cor Que Caiu do Céu", novamente situa a história numa vila perdida entre as montanhas. No caso destas, estão lá há 200 anos e possuem moradores considerados "estranhos" que preferem o isolamento ao convívio com a civilização. Assim começa o conto chamado "A Estampa da Casa Maldita" (The Picture in the House, 1922)

Na história que acontece em 1896, surpreendido por uma chuvarada, um homem que passeava em sua bicicleta chega à um vilarejo e se abriga na frente de uma destas antigas casinhas que ele supunha estar abandonada. 

Após bater e não encontrar resposta, ele decide entrar. E lá dentro se surpreende, a casa parecia uma relíquia do século 18! Sobre a mesa, vê um famoso livro raro impresso em 1598 com gravuras fantásticas. Momentos depois, ele é surpreendido pelo dono da casa, um senhor muito velho. 

O senhor compreende que ele está lá se abrigando da chuva e explica que o raro livro veio de Londres através de um navio que desembarcou em Salém. A gravura preferida do dono da casa era uma em que pessoas estavam sendo cortadas em pedaços...

A partir daqui o que eu contar vai ser spoiler, mas só posso dizer que sim, o que se segue, neste conto curto de apenas 4 folhas, é assustador.

Espero que com esta pincelada de seus contos, mais pessoas tenham curiosidade de ler a obra do autor.

Conto presente no livro: "Um Sussurro nas Trevas" 

Links diretos para as obras de Lovecraft:

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Este é um projeto que criei em homenagem ao escritor H. P. Lovecraft, saiba mais neste link.
Quem é fã de Lovecraft, quem já o conhece ou quem um dia se interessar está convidado a participar, basta linkar esse post do blog como fonte do projeto ;)


Jean Paul Gaultier - Couture Spring 2017






Source: Vogue.com

O Mito dos 40 Anos

Estava pensando que daqui uns anos vou fazer 40 anos de idade.
E fico observando como as pessoas - jovens num geral - reagem de forma chocada quando descobrem que Adora BatBrat e Dita von Teese já passaram dos 40.

Dita von Tesse completa 45 anos hoje.


Será que esperavam que todas estivessem "acabadas"  aos 40?
Que apenas os da faixa de 20 anos podem se manter com saúde, lindos e estilosos?
Que conceito é esse, tão século 20 que está fixado em suas mentes?

Não os culpo.
Pensar que aos 40 devemos estar "acabadas" é um estereótipo de idade passado geração após geração. E isso precisa ser destruído pois é um passo pro ageísmo.

Quando somos adolescentes pensamos que aos 40 anos a pessoa pode estar com pele ruim, descabelada, cansada e com roupas sem graça. Eu sei porque já fui jovem e pensava que 40 anos era algo super distante. Bem longínquo... 

Nesta sociedade louca, é passado aos jovens que acima dos 25 você já é velha. E que aos 30 precisa estar milionário. O que é uma grande mentira, pois a juventude está na mente e o conceito de milionário só serve pra deixar todo mundo mais capitalista.

A geração que hoje tem seus 35 - 45 anos, foi a geração que nasceu com punks, góticos e headbangers já existindo e viu clubbers e grunges surgirem. Ou seja, eles NASCERAM sabendo que existia uma cultura juvenil que poderiam fazer parte.

E eles viveram a década de 1980 que foi a mais divertida de todas! (ok, isso é minha opinião haha). Sério! Não tinha ainda a decadência do Heroin Chic dos 90s nem a internet era popularizada. A década de 80 foi a última era da inocência juvenil.

Dos anos 1980 pra cá aumentou o interesse das pessoas em saúde e exercício físico. Quem não lembra de Flashdance? Da aeróbica?  Do cooper? E mais recente, a onda fitness. 

Certos conceitos mudaram, por exemplo: ser mãe não significa mais ser matrona. É apenas um fato na vida, mas nenhuma mãe é obrigada a "se largar" pra cuidar da família. E muito menos as avós! Graças ao feminismo!

Adora BatBrat faz 45 anos em dezembro

Claro que estou citando duas em referências alternativas, Dita e Adora afinal são o nosso universo! Mas daria pra citar várias pessoas que tem mais de 40 anos e  não são o estereótipo da idade.

Vejo tantos jovens tristes porque aos 25 não fizeram tudo o que planejaram.
E precisa ter idade pra fazer o que quer? 
Quem impôs isso? 
Por que obedecer?
Quanto mais me aproximo dos 40 anos percebo que vou continuar sendo como sempre fui, não fazendo parte de um conceito socialmente pré estabelecido.
 
Os jovens precisam se preocupar menos com as imposições da sociedade, quebrar seus estereótipos e conceitos. 
E posso dizer com toda certeza: dá tempo sim de fazer o que querem. 
E digo mais: tem coisa que vai ser mais legal de fazer quando mais velhas, pois o conhecimento de vida e de mundo estará mais apurado! 
Pode parecer bobo, mas tem filmes, tem livros e tem obras de arte que compreendo melhor hoje, que já adquiri o conhecimento cultural que elas precisavam para serem compreendidas, coisas que quando jovem eu ainda não tinha maturidade, cultura ou discernimento.

O legal de ser fora do padrão é que quando eu fizer 40 não serei assim tão diferente dos 20 nem dos 30.


EDIT
P.S: Vocês lembram do post "Onde Estão os Blogs Nacionais de Adultas Alternativas"? Ele ainda é um sucesso! Vira e mexe sobe no feed e é um dos mais visualizados da história do Diva. Significa que esse assunto ainda dá muito o que falar! 

Projeto H. P. Lovecraft #1: A Cor que Caiu do Céu

Em homenagem H. P. Lovecraft criei um projeto bem simples que consiste em resenhar contos do autor considerado o criador do "Horror Cósmico". Quem é fã de Lovecraft, quem já o conhece ou quem um dia se interessar está convidado a participar, basta linkar esse post do blog como fonte do projeto ;)



 Projeto H. P. Lovecraft #1: A Cor que Caiu do Céu
 
"A oeste de Arkham, as colinas se erguem virgens, e há vales profundos em que o machado jamais penetrou. Existem ravinas estreitas e escuras, onde as árvores assumem posturas fantásticas e correm pequenos regatos que jamais refletiram a luz do sol. Nas encostas mais suaves, há fazendas, velhas e pedregosas, mas todas elas estão agora desabitadas. Os velhos habitantes se foram, e os forasteiros não gostam de viver lá. Não é devido a alguma coisa que possa ser vista e tocada, mas por algo que é imaginado. Deve ser isto que mantém os forasteiros à distância, pois o velho Ammi Pierce nada lhes contou do que ele se lembra daqueles dias estranhos. Ammi, é o único que ainda resta, ou que ainda fala daqueles dias estranhos. Quando procurei as colinas e os vales a fim de fazer um levantamento para o novo reservatório, disseram-me que o local era maligno. Foi de manhã que vi, mas lá havia sempre sombras. As árvores cresciam agarradas demais e seus troncos eram grandes demais para um bosque da Nova Inglaterra. Havia silêncio demais nas sombrias aléias e o solo era macio demais com o musgo úmido e a vegetação entrelaçada por anos infindos deterioração."

Num vilarejo próximo à Arkhan, um topógrafo é chamado para estudar uma região que em breve será inundada por uma represa. Na região, mora apenas um homem já que a fazenda vizinha é abandonada, sendo considerada um local maldito. Naquela pequena fazenda, na década de 80 do século 19, vindo do céu, talvez um meteoro, cai na fazenda de Nahum, e logo todos ficam sabendo. Cientistas capturam o objeto para análise mas o mesmo se desfaz em poucas horas. A seguir, no local, surge uma cor que ninguém nunca viu nem sabe descrever. A cor se espalha pela fazenda, especialmente à noite e "brilha" de dentro do poço e como uma espécie de névoa destruindo tudo que aparece pelo caminho. Deixando animais e plantas cinzentos e as pessoas que tem contato com a cor frágeis, também cinzentas e se desmanchando.

"Era tão somente uma cor... mas não uma cor do nosso mundo ou do firmamento"

"Toda a fazenda refulgia com a horrenda mistura de cores desconhecidas; as árvores, as construções, e até mesmo a grama e as ervas que pouco tempo atrás não haviam sofrido a mutação para o cinza quebradiço e letal. "

Se vocês desejam conhecer mais sobre a obra de Lovecraft, vou deixar um links de lojas parceiras. Às vezes rola uns cupons de desconto então fiquem atentos aos posts aqui do blog!

Links diretos para as obras de Lovecraft:


Livro que li o conto :)

Sobre o Projeto e minha relação com Lovecraft
Acredito que vocês conheçam o Desafio 12 meses de Poe da Anna Costa. É um projeto que sempre quis participar mas fui adiando. Mas graças às Deusas a DarkSide Books lançou um livro do Poe e isso me animou a começar minha participação em breve.
Me inspirei neste projeto da Anna para criar um sobre meu amorzinho ocultista etezista e scifizita H. P. Lovecraft! É esta resenha que joguei aí em cima sobre o conto "A Cor que caiu do céu". Adoro Lovecraft talvez até mais que Poe... Lovecraft me fascina pelas ideias à frente de seu tempo. Sobre como em 1930 ele escrevia coisas que parecem atuais. Lovecraft também era fã de Poe! Ele o cita em vários de seus contos! <3

Mas curiosamente Lovecraft não tem o mesmo culto que Poe na cena alternativa, por exemplo. Enquanto Poe é mais terror gótico, Lovecraft é terror gótico também, mas também é "ocultista" e ficção científica numa mistura absolutamente original e fascinante. Espero que em breve eu possa encontrar mais referência de Lovecraft nas marcas alternativas. Que esse post fique como registro, pois  acho que Lovecrat tem potencial pra ser tão cultuado como Poe, o que falta é ele cair na boca do povo ou "virar modinha". Acredito que após o lançamento da DarkSide Books pode começar a haver uma nova febre em torno do autor que pode impulsionar o interesse pelo meu queridinho. E eu, claro, vou me aproveitar da onda pra montar, finalmente uma coleção decente dele, já que meus livros dele são edições de bolso ou aleatórias compradas em sebos. Então aguardemos! Claro, com certeza que eu vou ser a garota propaganda do livro da DarkSide, faço questão! (me aguentem)

Não lembro qual foi o primeiro livro de Lovecraft que eu li, faz muito tempo... só lembro o peguei na biblioteca pública da minha cidade lá pelos idos de 1998 (pois é fia, sou véia), devolvi e não memorizei a obra, mas lembro que em 1999 conheci um rapaz que também curtia o autor e ele me deu - no velho estilo underground das coisas de uma era sem internet - um calhamaço de contos que ele foi fotocopiado dos livros ao longo da vida.

Era fins da década de 90, onde nem todo mundo tinha internet (e não tinha de tudo na internet também) e a forma da gente ficar sabendo das coisas menos midiáticas era nos grupos de amizade. Por isso, ser parte de um grupo era vantajoso: porque a informação que neles circulava, de boca em boca, não estava na TV. Os contos que meu novo amigo me deu além de fotocopiados dos livros ao longo da vida: pasmem, alguns contos foram copiados à mão (!!), pra poder distribuir conhecimento numa época em que informação era restrita. Agora vocês percebem como são uma geração que tem tudo facinho nas mãos né? Vocês são abençoados haha!

Era assim, como "pirataria" que nós tínhamos acesso às coisas fora do mainstream nos anos 90. Depois, ao poucos fui adquirindo livros  e a internet facilitando acesso aos contos.

Às vezes olho pela minha janela e me lembro do conto "A Estranha Casa que Pairava na Névoa", pois onde estou morando agora, tem morros e uma névoa diária que encobre casas. <3


Breve biografia de H. P. Lovecraft
Se você não conhece Lovecraft mas é fã de ficção científica, eu sugiro conhecê-lo. Com certeza você já assistiu filmes de monstros alienígenas ou filmes fantásticos. Pois saiba que existe um pézinho do autor nisso tudo.

Howard Phillips Lovecraft nasceu em 20 de agosto de 1890, em Providence, Rhode Island. Quanto criança era fascinado por ciência e culturas diferentes, como a árabe. Você já ouviu falar do "Necronomicon" o livro dos Mortos escrito por um árabe? É criação ficcional de Lovecraft sob o pseudônimo de Abdul Alhazred! O futuro autor tinha problemas de saúde e não frequentou a escola de forma regular, o que fez com que ele se afundasse em leituras da biblioteca de seu avô, se interessando também por astronomia, mitologias e ocultismo.


Lança seu primeiro conto em 1917, "Dagon" na revista Weird Tales, revistas amadoras ou "underground" era onde publicava suas histórias. O único livro publicado em vida foi "A sombra de Innsmouth" mas talvez o conto que as pessoas mais comentem seja "O chamado de Cthulhu" (1926), e meu preferido "Nas montanhas da loucura" é de 1931. Aliás, o diretor e produtor que adoro, Guillermo del Toro, há anos tenta filmar "Nas Montanhas da Loucura" num estilo épico e grandioso como a história merece, mas Hollywood se nega a patrocinar com tanta grana uma história de terror... O velho preconceito com o gênero Terror que a gente já conhece né? Mas eu não vejo melhor diretor que del Toro para criação de um filme de um de meus contos preferidos... Só espero que um dia ele consiga, essa obra teve vários filmes inspirados mas nunca fiéis ao conto original... 

Após apenas 46 anos de vida Lovecraft falece de câncer no intestino, em 15 de março 1937, mas suas obras sobreviveram graças ao empenho de amigos que criaram o selo editorial Arkham House destinado à publicar suas obras. De lá pra cá o autor se tornou uma figura Pop, estando presente em video games (Doom, Call of Dutty Black Ops 3), cinema (de Conan à supernatural), música (Dani Filth é um grande fã) e objetos.


Sites indicados: 

- http://www.hplovecraft.com/
- http://www.sitelovecraft.com/


Pra que que você precisa de um cotidiano do sistema?

Eu amava Rose Marie Muraro (ainda amo), fiquei imensamente triste quando ela faleceu.
Mas que bom que temos suas obras, suas entrevistas. Através do pensamento dela revi muitos dos meus. Seu feminismo me fez enriquecer o meu. Ela era Patrona do Feminismo Brasileiro.

Ela é sim uma diva alternativa. Ela não pensava como o padrão. Ela pensava diferente. Desafiava. Questionava. Cutucava. Incomodava. Era uma livre pensadora. E maravilhava os que tinham e tem mente aberta pra receber suas palavras. 

Rose Marie chega numa opinião relativamente próxima à várias coisas que penso e outras, ela me abriu a mente para questionar. Não sou convencional, tradições não me atraem, conservadorismos eu passo longe. Rituais são desinteressantes para mim. A opinião dela sobre o sistema, sobre "ser bruxa", é algo que concordo muito. Quanto mais aprendo sobre história, sociologia, bruxaria, mais conceitos caem por terra. É por isso que tem gente no Brasil louco para calar quem questiona, porque vamos além da cartilha. Assim como ela, eu também quero por fogo no mundo. Por isso escrevo.

" O sistema não se incomoda que falem mal dele, desde que ele possa lucrar."


*Pra quem se interessar, [aqui] tem um post sobre as senhoras feudais. As mulheres poderosas que foram mortas como "bruxas" para que os homens tomassem suas terras e construíssem seus países.

 


Projeto Agatha Christie: Introdução + O Misterioso Caso de Styles

Muitos podem ficar surpresos com a quantidade de livros que Agatha Christie publicou. Ela escrevia com frequência lançando em alguns anos até 3 livros! Assim percebemos a imensa mente criativa da autora. E não apenas isso, apesar dela ter nascido em 1890, só lançou seu primeiro livro aos 30 anos (em 1920), e não se engane: sua escrita não é rebuscada e talvez aí é que esteja a imensa acessibilidade de sua obra: a simplicidade objetiva e na minha opinião, à frente de seu tempo. Basta ler livros de autores do começo do século 20 e perceberá como nem todos tem uma escrita tão democrática, fácil de ler.


Se você está pensando em associar seu personagem detetive Hercule Poirot com Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle, esqueça. Ao contrário de Sherlock que costuma descobrir o criminoso logo no começo/meio do livro e divaga muito, muito, muito... Poirot é o oposto. Ele é como um gato, observa elegantemente, só puxa conversas estritamente necessárias. É refinado, tem TOC por arrumação e acha que descobrir crimes não é ir correndo de um lado pro outro fisicamente e sim, sentar, se concentrar e deixar o cérebro juntar as pistas. Agatha escreve de forma ágil, com um mistério se revelando a cada página e o culpado você só descobre no último capítulo. Isso tem um lado bom que é você mesma tentar descobrir o criminoso. Uma outra coisa que adoro em suas obras é o cenário. Muitas histórias se passam em cidadezinhas do interior do Reino Unido, de pedra, medievais ou em imensas casas de campo da aristocracia ou da elite burguesa. O tipo de ambiente que romantizamos pela inacessibilidade.


Curiosidades:
Venenos: Na época da I Guerra, Agatha voluntariou como enfermeira e foi assim que ela conheceu venenos que usaria em suas história como forma de assassinatos.

James Bond: Existe um personagem dela, no livro coletânea de contos "A Mina de Ouro", que se chama  James Bond e dizem ter sido daí que surgiu o nome do "outro" James Bond.

Arqueologia: Se você curte arqueologia, Egito, Pérsia, Oriente Médio, você vai gostar de algumas obras. O segundo marido da escritora era arqueólogo e ela viajou com ele para diversas escavações e os locais serviram de pano de fundo para as histórias.

Sumiço: Ao descobrir a traição do primeiro marido, Agatha surtou e sumiu. Isso mesmo! Ninguém sabe onde ela foi parar! O país inteiro procurou, jornais publicavam notícias sensacionalistas e até hoje ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Isso pode ser visto no filme "O Mistério de Agatha" de 1979.

Séries: Se você curte séries, seus dois personagens detetives, o belga Hercule Poirot e a velhinha curiosa Miss Marple tiveram suas próprias séries. Recomendo muito especialmente se você curte história da Moda, pois o figurino é incrível. Ainda hoje sonho em usar aquelas roupas!

Uma das formas que mais gosto de ler seus livros é sentar numa poltrona confortável acompanhada de chá ou cappuccino e biscoitos. Os filmes são ótimos para os dias chuvosos. Nunca me canso de reler e rever...




Quem nunca leu ou não conhece a autora, pode se perguntar: como vou ler os mais de 80 livros já publicados?
Ler Agatha Christie é um projeto pra vida toda. 
O primeiro livro de Agatha que li eu tinha 9 para 10 anos. Mas foi só aos 15 anos que compreendi de fato sua importância ao começar minha primeira coleção. Desta época tenho cerca de 20 títulos.
Depois passei cerca de 15 anos comprando edições ocasionais, como aquelas de bolso da L&PM Pocket. Foi apenas de 4 anos pra cá que adquiri pelo menos 50 títulos da autora por um método muito simples: sebos!

Por seu uma autora muito popular, seus livros são facilmente encontrados em sebos e por não ser "raridade" são livros muito baratos! Os livros que tenho dela paguei entre R$4,00 e R$8,00! Tinha dias que eu gastava só 20 reais e saía com 4 livros! E  assim fui completando minha coleção. No momento, faltam menos de 15 livros. Há um ano dei uma pausa nas compras de livros dela porque quis me dedicar a compra de livros mais caros, como os da DarkSide e alguns de História da Moda.

E óbvio, como minha intenção é ler todos os livros dela, eu não me preocupei com estética. Então minha coleção é bem diversa, desde livros novinhos com design até os ao estilo sebo (amarelados, gastos, rasgadinhos), eu não me importo. Mas se você não curte, é possível sim encontrar coleções lindas da autora em livrarias!

O primeiro livro publicado da Agatha: comprei num sebo bem baratinho!

Projeto Agatha Christie #1: O Misterioso Caso de Styles
É o primeiro livro da autora e o primeiro que aparece o detetive belga Hercule Poirot, um refugiado da primeira guerra mundial. A história surgiu de um desafio de Agatha com sua irmã, onde ela criou uma história em que não se podia identificar o assassino até o momento da revelação do mesmo.
A história é narrada por Capitão Hastings, um velho amigo de Poirot que vai com ele para uma imensa e isolada casa de campo onde haviam outros convidados. Uma noite, a anfitriã, Emily é encontrada morta em sua cama e as portas e janelas estão todas fechadas por dentro. Todos os hóspedes da mansão tinham um motivo pra matá-la, já que a senhora tinha controle absoluto sobre a fortuna da família e ainda por cima se casou com um homem vinte anos mais novo. Só que nenhum dos convidados-suspeitos tinha álibi forte, seja por horários que não batem, seja porque suas vidas tem histórias que os colocam em suspeita. Assim, Poirot investiga o caso e tem que lidar com pistas falsas e reviravoltas.
Pra ajudar - tentar, né? - o livro tem um mapa da planta casa, pra gente localizar o quarto de cada hóspede e como cada um deles pode ter se locomovido para assassinar a dona da casa.
Um dado interessante é que  O Misterioso Caso de Styles se liga com o último livro da autora, Cai o Pano. Foi interassante essa união que ela fez entre primeira e última obra, fechando um ciclo de uma vida inteira.

A alegria é revolucionária

O mundo nos impulsiona a encontros tristes, pouco produtivos e que nos tiram impulso de vida.

A alegria é revolucionária e incomoda o outro, quanto mais alegre mais incômodo, isso porque o nosso entorno é dominado por forças impotentes, forças de manutenção das coisas e das relações como estão, a alegria surge como uma ameaça pois ela é capaz de desfazer relações já cristalizadas e estabelecer outras, a alegria é criadora.

Não é fácil cultivar bons encontros em um mundo sustentado por forças tristes. A lógica do escravo é preponderante, desde crianças somos ensinados a comportar conforme condutas estabelecidas, sufocamos nossas paixões alegres em prol de paixões tristes. Somos fabricados com corpos acostumados a responder às vilanias do entristecimento e ao depreciamento do prazer, nascemos e crescemos em um meio onde todos parecem julgar as vidas uns dos outros com a maior naturalidade e quando se trata de amar, bom… todos parecem se assustar.

As paixões tristes nos levam a impotências generalizadas. No mundo há muito mais paixões tristes, o capitalismo é um produtor em abundância de paixões tristes, manter os corpos tristes é o principal modo de fazê-los dóceis e desejantes dos produtos ofertados, não só bens materiais como espirituais, carros e estilos de vidas.

Daí a necessidade de encontros com o mundo que, unidos a um conhecimento que nos permita selecionar bons encontros, fortaleça-nos enquanto ativos e criadores da própria vida.

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Pedaços de um texto do site Letra e Filosofia, senti que poderia ter sido escrito por mim, já que penso igual. Fonte
#BEDA

Divagando sobre filmes de terror

A Rafaela Ivo do Vultus Persefone, deixou no grupo Universo Alternativo duas maravilhosas listas com um total 80 ideias pra postagens para quem quisesse fazer BEDA ou VEDA. Eu adorei e queria participar, mas tenho três blogs e não dá gente, não dá... Se eu tivesse um só eu já teria feito várias edições dos BEDAS!!

Eu fico bem triste de não poder ser parte deste projeto, mas é importante não me sobrecarregar com atividades que não garanto serem cumpridas. Estou e vou adorar acompanhar os posts das alt bloggers participantes.Mas o BEDA me inspirou e decidi fazer um mês de agosto mais ativo aqui no DIVA! Criei uma versão subvertida do projeto, o BAEDA: Blog ALMOST Every Day August! HAHAHA! (safadinha eu!)

Então meu primeiro post do "BAEDA" é Divagando sobre filmes de terror!
Escolhi esse tema de propósito porque sou fã de filmes de terror e assisto um punhado deles por mês. Sou uma "terrorífica". Este post não tem a intenção de ser resenha, nem análise séria, são apenas comentários aleatórios sem regra! :D


#1 O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982)
Quem como eu é fã de H.P. Lovecraft já deve saber que esse filme é uma adaptação de seu conto "Nas Montanhas da Loucura", que é meu conto preferido do autor. Sim, eu prefiro este do que Cthulhu, me julguem! Na verdade é difícil escolher um conto preferido dele, mas vamos dizer que Nas Montanhas da Loucura me impressionou muitíssimo não tanto pela história em si, mas pela escrita, pela descrição dos lugares e pela mente visionária do escritor. Particularmente achei o O Enigma de Outro Mundo um filme bem bom. Não é igual ao livro mas o monstro é bem parecido assim como o começo da história. É um filme que vale a pena ser visto se você curte Lovecraft, frio e alienígenas. 

#2 XX
Como uma mulher fã de terror, sinto muita falta de representatividade. Onde estão as outras mulheres que gostam do gênero? Não é possível que existam tão poucas. 
Felizmente aos poucos tenho visto mulheres protagonizando atrás das câmeras. E foi com esta felicidade que descobri o XX, um filme com 4 histórias escritas por mulheres e cá entre nós: QUE HISTÓRIAS!!
Nada de cenas machistas e mulheres sendo tratadas como idiotas inocentes, sem as frescurites de "oh, você não viu o fantasma, você está louca" (porque a mulher é sempre "louca" nestes filmes, já reparou?). Esse  filme não tem nada disso! Não tem clichés! Assistam e vocês verão como precisamos urgente de mais mulheres no terror! De mais terror sob uma visão feminina e com menos machismo.
Fora a capa do filme, eu quero poster Djá!

#3 A Casa Silenciosa
História boa, final inesperado. Envolvendo coisas relacionadas à mulheres e machismo. Mas o que me fez assistir esse filme foi logo no começo perceber que ele parecia ter sido gravado num take só. NUM TAKE SÓ cêis tem noção? Vamos supor que realmente tenha sido assim gravado, eu fiquei imaginando o quanto os atores treinaram e treinaram e praticaram as emoções nos momentos certos, sem chance de errar por uma hora e meia. Pesquisei e há quem diga que não foi num take só, que há cortes, e bem, eu suspeito de uma cena em específico... Mas mesmo que tenha havido cortes, foi um trabalho bem feito e eu achei um máximo a sequência non stop.




#4 A Enviada do Mal
Esse filme de Osgood Perkins é bem lento, mas tem algo de fascinante naquelas adolescentes fora do padrão que ficaram isoladas no internato nas férias de inverno. Embora muitos criticaram negativamente este filme, eu gostei. Adorei na verdade.
Não é um filme padrão americano de terror. É misterioso: não te conta tudo sobre as personagens logo de cara, tudo vai se revelando aos poucos e às vezes até de forma confusa, demorei um pouco pra entender a abordagem em dois tempos diferentes. Trás um aspecto de solidão e desamparo. Uma das personagens encontra abrigo de uma forma super inesperada.


* NÃO LEIA ABAIXO SE NÃO QUER SPOILER. MAS PODE LER SE QUISER*

É um filme de possessão demoníaca. E de uma forma NADA convencional. Pra mim a melhor cena é quando a moça possuída pede ao demônio para não abandoná-la. Chega a ser triste, pois aí se vê o nível de solidão da personagem. É de partir o coração. A Rose é a Kat no futuro, que volta para tentar ser possuída novamente pelo demônio, ela chora quando percebe que o padre o afastou não apenas do internato mas do local todo. Eu senti a solidão da personagem quando foi rejeitada  e achei linda a cena final dela na neve.


#5 Caso 39.
Caso 39 tem umas passagens bem machistas chatinhas do clássico "você está louca" e de julgarem que a mulher perde a credibilidade porque está emotiva demais. Também não sou fã de mulheres "fracas", quero dizer, de mulheres que não sabem ser firmes na vida, e essa característica de personalidade da personagem é que me irritou enquanto assistia. Mas o filme é bom. Eu achei. Quero dizer, a história é bem construida e tem começo meio e fim, sem pontas soltas. E há uma associação do demônio com o nome Lilith.

#6 O Mistério da Passagem da morte.
Embora esse filme comece com uns jovens sendo bobinhos, ele me prendeu a atenção por ter um certo potencial. Fora que cita um dos casos que mais me fascina, o Incidente do Passo Dyatlov que ocorreu nos Montes Urais na Rússia. Serei sincera, o filme é até que bonzinho, me prendeu a atenção e me fez pensar que teria um baita fim. Mas desandou. Na hora que seria a melhor hora pra você encontrar uma versão dahora do que pode ter acontecido em 1959, o filme dá uma reviravolta HORROROSA que estragou a história! Sabe quando querem enfeitar algo que seria ótimo simples? Então. Às vezes o óbvio é a melhor escolha, acreditem. O roteiro desse filme falhou em apelar pra um dos finais mais decepcionantes que já vi. Uma pena.
(esse eu escreveria um final alternativo)

Todos estão no Netflix.
#BEDA