Esqueça zumbis comedores de cérebro.

Zumbi é um ser humano dado como morto que foi posteriormente desenterrado e reanimado por meios desconhecidos. Quando reanimados exibiam um estado catatônico. Isso também pode ser chamado de Necromancia, comum em contos e histórias de terror.

No Haiti, a religião Vodu garante que uma pessoa viva pode ser transformada em um zumbi injetando-se duas substâncias específicas na sua corrente sanguínea (através de uma ferida). Acredita-se que estas substâncias associadas induzam um estado no qual ficam inteiramente sujeitas às vontades do "senhor" ao qual os enfeitiçou.
Na verdade, essas substâncias podem produzir uma psicose, os indivíduos passam a acreditar que estão mortos e passam a serem conhecidos por passear em cemitérios, exibindo atitudes e emoções deprimidas.

Esse é o tipo de zumbi que mais me atrai, o morto vivo reanimado, o necromântico, o ser em estado catatônico, e, no caso de uma pessoa depressiva: estar viva e estar "morta" (pra alegria da vida).

É na literatura e nos filmes que encontro "meu" estilo de zumbi, e principalmente, o zumbi-mor pra mim: Frankenstein de Mary Shelley.

Mary Shelley, escritora britânica nasceu em Londres. Frankenstein foi publicado pela primeira vez em 1818. Em 1815, Mary, seu futuro marido Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão com o amigo e escritor Lord Byron e o médico John Polidori. Lord Byron propôs que os eles escrevessem, cada um, uma história de fantasmas.

Mais tarde, inspirado por um fragmento de Lord Byron, John Polidori escreveria o romance “O Vampiro”, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula. É curioso que Frankenstein e o Vampiro praticamente nasceram na mesma ocasião!
As experiências do filósofo natural e poeta Erasmus Darwin, que disse ter animado matéria morta, do galvanismo e a viabilidade de retornar à vida um cadáver ou partes de um corpo, podem ter influenciados Mary. A queda, a ruína, o poder exercido pela humanidade sobre a Natureza através da ciência e da tecnologia estão também presentes na obra. Outros temas abordados no livro são: a amizade verdadeira, preconceito, ingratidão e injustiça.

Ao contrário da forma como se tornou conhecida no cinema, a criatura de Frankenstein não era verde e sim amarelo "(...) Sua pele amarela mal cobria o relevo dos músculos e das artérias que jaziam por baixo; seus cabelos eram corridos e de um negro lustoso; seus dentes eram alvos como pérolas. Todas essas exuberâcias, porém, não formavam senão um contraste horrível com seus olhos desmaiados, quase da mesma cor acinzentada das órbitas onde se cravavam, e com a pele encarquilhada e os lábios negros e retos. (...)"

Frankenstein era a criatura queria apenas o amor, mas só encontrava julgamentos de sua aparência. Criado por Victor Frankenstein num laboratório isolado, feito de pedaços de corpos roubados de cadáveres do necrotério, do cemitério e da sala de dissecação da universidade, Victor dá vida à matéria morta e obtém sucesso na sua experiência, mas fica horrorizado com a coisa que havia criado e foge do laboratório. Voltando lá no dia seguinte, percebe que a criatura tinha desaparecido.

Mórbido, deprimente e dramático: "Tinha características suficientes para ser considerado um monstro. Sua aparência foi a causa de todos os problemas. As pessoas sentiam medo ao vê-lo.  Ele tinha tentado comunicar-se com as pessoas em várias ocasiões, mas sempre foi rejeitado". "Eu era sozinho por não ter ninguém como eu." Ele desejava carinho, proteção e companhia. Ele se torna então amigo de um cego que o respeita sem julgar sua aparência monstruosa.
Alguns afirmam que Frankenstein sempre assombrou a escritora a partir das lembranças sombrias de um pesadelo de Mary.

Assim como Robert Louis Stervenson dizia que havia sonhado “O médico e o Monstro” antes de escrevê-lo (o Monstro também é um zumbi!), J.K. Rowling diz que os dementadores vieram de uma experiência depressiva dela.
Os Cavaleiros Negros do Senhor dos Anéis são cavaleiros mortos, mas que vivem em estado catatonico obedecendo Sauron... e até mesmo Sauron morto fisicamente mas vivo em energia, é um zumbi.

O Médico e o Monstro, Witchking (Senhor dos Anéis)
e Dementadores (Harry Potter)

 

Um fantasma que caminha, um ser que não sabe e procura sua identidade,  um ser que vagueia sem saber onde veio e pra onde vai. Um ser com uma angústia interior. Uma busca profunda por si mesmo. Ou mesmo um trabalhador que faz ações mecânicas e automáticas em seu emprego. Esses zumbis são mais reais para mim, estão em todo lugar na nossa sociedade.
Vivos, mas vivendo sob o domínio dos outros e esquecendo ou buscando incessantemente seu lugar no mundo.


Um Comentário

  1. Adorei esse post Sana! Não só por falar da forma literal do zumbi e Frankstein, mas por relacionar os zumbis com nossa realidade.
    Muitos de nós somos zumbis, eu mesma me sinto uma zumbi as vezes. Mecanicamente vivendo, trabalhando e sobrivendo!
    Todos os livros que você citou eu adoro. Frankstein é uma história maravilhosa, é realmente curioso que praticamente tenha nascido junto com o mito do vampiro moderno. Acho que Frankstein é ótimo não só pelo terror do livro, mas por ser um livro que aborda temas que até hoje são válidos. A imaginação de Shelley para essa criação na época foi bem avançado.
    O que mais me tocou no livro foi os sentimentos do monstro, sempre rejeitado, e buscando alguém como ele. Isso a gente vê direto1
    Beijos

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