Quem acompanha este blog desde o começo dele, em 2010, pode estar estranhando a ausência de meus posts sobre bandas e/ou mulheres no rock. Pouco antes de pausar o blog em 2012, eu postei sobre a banda Djerv. Na época, ninguém falava da banda por aqui (eu sei porque vasculhei a internet brasileira em busca de infos e fãs) e aí... o blog pausou. 


Este ano o blog voltou focado mais em moda e estilo. Em 2012, quando pausei o blog, os blogs de Look do Dia alternativos eram praticamente inexistentes no Brasil, eu poderia citar apenas 2, no máximo 3.

Mas o motivo da ausência dos posts sobre música e bandas é porque eu amadureci muito neste quesito. Não sou mais aquela garota que curtia andar com o look headbanger todo dia. Não sei se isso é fase e um dia volta e não sei se por isso posso não ser mais considerada Tr00. O fato é que passou um pouco essa minha necessidade de andar de lycra cirrê e cinto de tacha todos os dias kkkkkk!! Claro que uso ocasionalmente!! Mas não é mais aquela coisa de "oh, preciso mostrar pro mundo que ouço metal!!"


Claro que ainda amo heavy metal. Mas parte de meu amadurecimento também se deu na área musical. Eu não idolatro mais músicos e bandas (exceto a Doro hehe), não me mato e não fico dura pra ir num show... eu hoje vejo o metal com mais senso crítico. Outra coisa é que comecei a ler mais sobre feminismo e desencantei com muitas bandas, atitudes, letras e comportamentos. Poucas bandas, de fato, porque também não dá pra parar de ouvir o que a gente curte especialmente a sonoridade, mas assim, não dou mais tanta bola pra ir shows destas bandas ou comprar cd, sou indiferente. Vendo machismo em letras ou em entrevistas... não consigo mais adorar pessoas com essa mentalidade atrasada.


Hoje seleciono bem mais os shows que vou e não tenho a necessidade de ficar lá na frente amassada. Tô preferindo ficar mais atrás ou pegar um mesanino/camarote. "Curtir" pra mim, agora significa realmente me divertir num show. Antes eu ficava lá na frente, prensada, levando cotoveladas de pessoas que queriam tirar fotos ou filmar, firmando meus pés no lugar pra não roubarem meu espaço e no dia seguinte acordar dolorida não pelo show em si, mas pela luta pelo lugar. Bem.. era desgastante. Eu sou uma pessoa pequena, não compensa mais pra mim essa situação. Não digo que eu não vá mais pegar uma grade, mas hoje não é minha prioridade. 

Eu nunca fui muuuito de baixar  música. Baixava sim albuns de female metal/hard rock dos anos 70/80/90 por serem materiais dificieis e baixava também bandas atuais. Mas comparado com outras pessoas eu não baixava tanto assim. Entre 2012 e 2013, parei de baixar, escutava só o que eu já tinha e resgatava às vezes umas bandas que ouvia 10 anos atrás. Eu continuo, hoje, ainda não ouvindo mais tanta música, mas não me interpretem mal, o que eu quero dizer é que eu não baixo mais musica há tempos, consequentemente não posso falar sobre cds novos ou dvds novos de x banda ou uma outra banda y que descobri. Pode ser que meu hábito por vasculhar e ouvir novas bandas e novos álbuns volte...
 
Eu também falava mais de décor aqui no blog, mas percebo que hoje em dia, tumblr, pinterest e facebook proliferam as imagens e idéias de decoração com muita velocidade e tudo se torna meio que "já visto", "já sabido" e eu penso que só vale a pena postar sobre isso novamente se for algo que realmente me impressionou ou que me trouxe alguma história à mente. 
O blog, até 2012, tinha assuntos mais abrangentes porque o facebook, o tumblr e o pinterest, à recém estavam se popularizando e "roubando" esse espaço dos blogs.

Eu não quero que esse blog fique SÓ sobre look do dia, mas vocês sabem... essa é a vibe atual!! Eu estou curtindo o momento! Um dia, como todos os modismos, os Looks passam e outro tema será foco nos blogs!
O que importa é ter prazer  com o que se publica, independente do tema. 
E vale a lembrança: o blog pode não ser mais um "diário virtual" mas ele, com certeza, reflete seu momento atual e no futuro lhe dará uma visão sobre este período de sua vida.


 


A cena alternativa bloguística é tão pequena que praticamente todo mundo conhece todo mundo. Aqui no Brasil e fora dele. Ou ao menos, no meu círculo de amizades e de blogueiras nacionais, a gente praticamente segue os mesmos blogs de meninas alternativas. Isso me mostra que poucas falam sobre suas vidas, hábitos e estilos em blogs. 

Eu vou dar apenas pra dar 3 exemplos pra não perder o foco do post: adoro a americana Kitty do Sophistique Noir e as finlandesas Mothmouth e Suski. Todos estes blogs eu sigo desde o começo porque elas apareceram meio junto com o MdS, saí a procura de blogs alternativos e acabei por cair nestas meninas. Enquanto muitas meninas suspiram pelas fotos lindas da Mothmouth, eu sempre fui mais fã da Suski porque o estilo dela é algo mais próximo do que gosto. A Moth é mais retrô goth (sei lá se inventei esse termo), mais classuda e a Suski mais casual. Quanto à Kitty acho que ela faz looks incríveis e prova que dá pra ter 40 anos e continuar alternativa (gótica, no caso dela).


Sabe uma coisa que me chama a atenção nestas 3 moças em especial? Elas são low profile. Talvez por isso eu me identifique, porque eu também sou. Elas não ficam se exibindo, se expondo, olhar o perfil/page delas tanto no face quanto no insta, não mostra nada muito além do que é mostrado em seus blogs. Elas são bem discretas com suas vidas e não ficam ostentando. Outra coisa: seus blogs não trazem publicidade (embora a Moth tenha feito um trabalho de modelo pra uma marca uma vez e ganhou roupas) e elas parecer bloggar seus looks e suas compras e passeios como se fosse algo super natural, porque curtem falar um pouco sobre suas vidas.

Existem outras tão ótimas quanto elas, eu sigo diversas! Vocês devem ter suas preferidas também!  
Mas aí você se pega perguntando: porque as sigo? porque as admiro? o que me atrai no blog delas?

No meu caso específico (vocês podem falar os seus nos comentários), porque são meninas que eu adoraria conhecer, que encontro similaridades, que tem um gosto próprio bem definido e tem noção de seus corpos e do que apreciam em termos de roupas. Tem identidade. Se a trend é boho, se é 70s, se é 90s... não interessa, se não é o estilo delas, elas não vão usar. E se usarem, será de uma forma muito, mas muito adaptada ao guarda roupas delas e o estilo pessoal sobressairá à trend.

A Kitty mora nos EUA e lá a gente sabe que tem roupa barata e muuuuitas lojas alternativas/góticas. E sabe o mais louco? Ela mora na Califórnia!! Isso mesmo! Um estado americano cujo verão chega a mais de 40º assim como aqui. E há os que dizem que não tem como usar preto/ser alternativo no Brasil. Na minha opinião tem sim, e se baseia em escolher tecidos os mais naturais possíveis para que a pele respire com o calor.

No caso da Suski e da Moth, ambas são Finlandesas e aí você suspira... "ah queria morar na finlândia, lá é frio, lá tem bandas de metal, lá tem toda uma atmosfera blablabla". Realmente, lá tem bandas de metal e lindos cenários! O que muita gente não sabe é que a gente sente mais frio no nosso inverno do que no da Finlândia!
Sério!
Porque lá, as casas, empregos, empresas, lojas etc tem aquecedor que fica na faixa dos 22º ou 25º. As pessoas nem usam casaco dentro dos ambientes! Vocês podem notar em postagens de época de inverno destas moças que elas estão com saia e meias calças ou uma singela legging!
E aí você vem pro inverno do Brasil, pra alguma cidade tipo as do Sul ou as de serra do sudeste e MORRE de frio dentro do trabalho e de casa porque nossa arquitetura não foi feita pro inverno. Eu sei muito bem disso porque sou do sul e vivo part-time no sul!

Então, essa coisa de "lá faz frio" é relativo. Lá faz frio mais tempo. Bem mais. Mas dependendo do lugar do Brasil que você mora, ao menos nos meses de inverno, mesmo que de pequena duração, você sentirá mais frio do que dentro de uma casa finlandesa.
Uma grande amiga minha morou na Irlanda e Inglaterra por 5 anos. Até hoje ela me diz que passa mais frio no Brasil do que em todos os anos que morou na Europa... Então: "stop complaining!" aproveitem nossos dias frios!!

Montação
Abrindo um (breve) espaço pra comentar das suecas Adora BatBrat e Muderotic e da finlandesa Rose Shock. Elas tem visuais bem montados e maquiados! Uma delas disse que demora 45 minutos se maquiando! Eu me pergunto e me impressiono como elas se dedicam a se arrumar!! E me veio a resposta outro dia quando a Juliana Lopes postou a foto de uma finlandesa toda elaborada num vestido de época e uma amiga nossa que mora em Londres, muito viajada ao redor do mundo, disse algo que me fez acender a luzinha do entendimento:

Ela disse que estas meninas que moram na Escandinávia (às vezes em cidades do interior) algumas vezes tem pouco a fazer. É tudo lindo e "perfeito", mas sociedades em que tudo funciona, onde não há stress de trânsito, pobreza, calor, desafios sociais, o governo paga bolsa família até os 30 anos de idade... as pessoas se entediam. No inverno, há luz por somente 4 horas do dia. Então, pra fugir do tédio estas meninas se montam. Porque é divertido. É diferente. Espanta o tédio. Podem não ter evento pra ir todo dia, se montam pra "fugir" de uma rotina sem preocupações, posam pra fotos em lindos cenários nos poucos 3 meses que  não está frio o suficiente de congelar lá fora. A escuridão por tantos meses, pode deixar mesmo uma pessoa mais melancólica e assim, mais suscetível a apreciar esse lado mais dark da vida. Talvez a Enohar do blog My Deadly Beauty que mora na Noruega, possa nos contar como é lá!

Talvez por isso estas meninas se destaquem pra nós: porque são muito diferentes, moram longe e a gente romantiza isso. Nós somos diferentes culturalmente e geograficamente, mas parecidas nos gostos.

Sei que nem todo mundo tem senso de moda. Ainda mais num mundo em que blogs dão mastigadinho o look pronto que se deve usar. Esse tipo de atitude poda as pessoas de desenvolverem um senso estético próprio, de criarem looks por si mesmas, errando e acertando. Viciam o olhar ao que está sendo oferecido pronto. Como o fast food. Ao consumir muita fast food, aos poucos se desaprende (ou não se aprende) a cozinhar.
Esse pra mim, é o lado ruim dos looks do dia. A pessoa deseja ser como a outra, usar uma roupa como a outra, sem desenvolver sua própria habilidade de montar outfits por si mesmo.

Eu acho meio zuado essa coisa de fazer um GET THE LOOK de alguém que tem estilo próprio mas sabendo que muita gente admira estas meninas e acha que não dá pra se vestir "igual", eu vou tentar desmistificar um pouco isso.
Ninguém precisa ser expert em moda, mas eu observo no look das meninas exemplificadas no post - que usam muito preto - que nós temos sim possibilidade de fazer looks semelhantes. 
Eu sou do tipo que entro numa loja e vou direto pra parte das roupas em cor preta. E acho que é meio que isso que estas meninas fazem. Usam preto independente da marca, basta a roupa ser do gosto delas.

Kitty: o que acho mais difícil nos looks dela são as saias longas e esse tipo de saia não é sempre tããão facil de encontrar por aqui. O blog foca em looks mais adultos e para o trabalho mas ela tem uma sessão de roupas de fim de semana e de club.
Ela usa muita, mas muita blusa/saias básicas, clássicas junto com peças com mais impacto visual como veludo e renda. Ela gosta desta coisa de "texturas" diferentes mas com peças comuns.


Look Saia Longa: blusa básica e saia da Renner


Suski: Alguns looks dela são de lojas alternativas, produtos que a gente não encontra aqui com tanta facilidade, mas ela usa, assim como a Kitty, bastante peças básicas como "base" do look. Este look em especial, achei super legal que temos a saia da Dark Fashion bem parecida, só que a Suski usa uma anágua pra deixar ela mais armada. Você precisará de um cinto com studs pra finalizar o look. A blusa é da M.Officer.


Mothmouth: Como eu disse mais acima, a Moth usa roupas inspiradas em estilo retrô, especialmente anos 1940 e 1950 mas também usa moda alternativa, brechó e peças bem básicas. Pelo mesmo motivo da Suski, dela usar bastante peça de loja alt, fica um pouco complicado reproduzir looks exatamente igual. Mas ninguém quer isso né minha gentem?? Pra que fazer look igual de outra pessoa? O lance é se inspirar! Então pro look selecionado abaixo, me lembrei do chapéu e do vestido da recente coleção All Black da Miniminou.


A questão não é a ter a roupa igual à destas moças mas sim, captar o look num conceito geral. Se você gosta do look de alguém, primeiro pense se aquele look é seu estilo. A gente pode achar lindo um look que não tem nada a ver com a gente, mas não somos obrigadas a usar! Se o look for do seu estilo, tente encontrar pontos em comum com o que você tem em casa, adaptar. Os acessórios, a bolsa ou um penteado podem fazer muito por você. Já os calçados são uma questão à parte. Imagine o look da Suski com uma sapatilha ou outro calçado que não seja um coturno de vinil, bem mais usável e adaptado ao nosso clima né??

Uma tecla que eu costumava bater no MdS mas depois desencanei porque não obtive respostas satisfatórias, ou seja, na época não encontrei pessoas interessadas em questionar a mentalidade, é que... o que nós temos em nossa cultura que podemos usar em nossos looks?
A gente não tem a neve e o frio finlandês, a gente não tem as milhares de opções de roupas que os EUA tem. O que a gente tem que é único e que pode ser nossa diferença em termos de estilo pessoal e moda alternativa. Já parou pra pensar?
Já parou pra pensar que se um dia a gente "descobre nossa identidade única", quem vai inspirar o mundo bloguístico alternativo pode ser nós? 

Não alimente de forma nenhuma o vira latismo. Creia em você, nas coisas boas que temos no Brasil - como a possibilidade de usar saias diversas ou encher o braço de pulseiras e adornos porque porque o clima permite... enfim, encontre algo! Pare de focar no negativo! "ah a maquiagem derrete com o calor..." Ué, então invista em outra coisa! É difícil porque a gente tá aqui dentro e nos acostumamos, tudo fica trivial. Às vezes precisa vir alguém de fora pra dizer: ei, isso que vocês tem aqui no Brasil é legal, porque não aproveitam?
A gente sempre pensa que a grama do vizinho é mais verde, romantiza, idealiza, se compara, pensa sobre a "superioridade" do outro. O mesmo com a moda. Não espere morar na Escandinávia pra usar o que gosta, aproveite o momento, use aqui no Brasil mesmo!

E você?  Qual sua blogueira alternativa estrangeira preferida?
Usariam looks inspirado nelas?


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É engraçado como as coisas se acumulam e às vezes elas vem todas de uma vez só! Neste mês de agosto e setembro, tive sede de mudanças próprias e vontade mudar o mundo ao meu redor! Mas não dá pra mudar tudo! E reprimir essa explosão energética de mudança pode ser ruim, então precisei mandar essas energias pra outras atividades. Mas é curioso como quando você mexe um pauzihno de mudança, outras começam a acontecer espontâneamente, sem sua interferência! Sejam elas boas ou ruins.

Decidi também por em prática uma reformulação do meu guarda roupas, à exemplo da Nosferótica. Sinto que quero experimentar mais e reusar minhas roupas de formas diferentes, com diferentes combinações. O Projeto Tr00 Colors me fez ver algumas de minhas peças com outros olhos... Quero adquirir roupas e calçados novos, fazer um raio x do meu armário e ver onde eu preciso investir.

Essa semana que passou, recebi duas blusas [1, 2] e uma calça da Black Frost e um vestido lindo da Stooge. Depois quero comentar mais detalhadamente sobre elas aqui. 

 


Eu aproveitei a liquidação de meias da Marisa. Como praticamente não uso mais calças, meias são parte do meu guarda roupas diário. Sendo assim, eu gasto muitas. Tava organizando elas e notei uma coisa: as meias de marcas nacionais (fabricadas aqui mesmo) que comprei há 5 anos atrás, ainda estão em perfeito estado, mesmo usadas. As meias importadas da China revendidas em lojas nacionais (tipo Marisa), estão destruídas em menos de 6 meses de uso. Isso mostra como produtos advindos de produção em massa, de baixa qualidade, em pouco tempo se tornam lixo. Os produtos nacionais, feitos em fábricas nacionais, são mais caros mas duram mais. Por isso talvez eu continue revendo meus conceitos sobre consumo. Mas eu já encontro uma dificuldade logo de cara: muitas marcas nacionais não são atualizadas na questão modelos legais e variedades de modelos e meias calças, nisto, as meias da China ainda dão um baile.

Em tempo: a Marisa tá liquidando meias por R$6,00. 
Fiz a rapa. Inclusive comprei outra meia de cruz, igual à esta
Foto péssima, mas looks com elas virão!

Também passei na Renner e comprei peças que já considero parte da minha futura reformulação do guarda roupas: um shortinho de tecido com corte clássico (nunca sairá de moda por conta disso) e uma sainha rodada com estampa de caveira (nunca sairá da minha moda).


A loucura de consumo foi (mais uma) tiara de spikes, desta vez rosa com spikes dourados. Eu sempre amei spikes e nunca deixei de usar nem quando tava na moda. Porque eu deixaria de usar algo que gosto só porque tá todo mundo usando? Até parece, não uso igual às outras pessoas mesmo! A questão de ser dourado me incomoda só um pouco, mas como tenho colar de caveira, bolsa e cinto também com dourado, eu dou jeito de ligar tudo!


Insta: Fiquei surpresa ao ver essa latinha de Coca com uma menina andando de skate! Que avanço pra nós mulheres! Skate é coisa de garota sim!! Feminismo lentamente dando resultado na sociedade... Make e cabelo básicos do dia a dia, porque eu sou bem normal neste quesito. Estou longe de casa e sinto saudade da minha cidade e da casinha mais linda do centro...



Outra coisa: eu estou pensando em mudar o layout do blog. Eu adooooro estas caveirinhas e rosas, são muito minha cara!! Mas Por mais incrível que pareça, eu coloquei esse layout quando o blog ficou parado! Isso mesmo, quando deixei 1 ano e meio o blog parado, eu coloquei esse layout! Eu sinto falto de como ele era antes e que tem mais a ver comigo: falta algo mais escuro, preto... o layout anterior era preto com dourado. Vou tentar mudar, talvez algo me inspire. Senão fica este mesmo, então não estranhem se nas próximas semanas cada dia estiver de um jeito ;)

E há algo mais que preciso resolver, tenho passado muitas horas tolas na internet, horas que me consomem e não são produtivas, como um círculo vicioso. Estou longe de minha cidade e não tenho como voltar agora, sinto saudades de lá, dos amigos. Acho que tenho usado a web como companhia pra solidão. Ela sempre tem coisas, tem pessoas, tem notícias, me leva pra qualquer lugar. Mas tudo distante, intocável, frio. Estas coisas, pessoas e notícias nem sabem da minha existência, então acaba sendo uma via de mão única, eu dôo meu tempo, mas não recebo nada muito relevante em troca. 
Mudanças são mesmo necessárias.



Cada dia que passa, embora haja informação em todo lugar, percebo que ainda é muito forte o preconceito com os alternativos e com quem não tem a beleza padrão ou não faz o que tá na onda do momento.
Esse preconceito vem de todo lado, seja de um empresário, de uma pessoa letrada, de um popular, mas o que tem me chocado mesmo é quando esse preconceito vem de pessoas que são ou trabalham com o próprio meio alternativo.

Pode parecer bizarro mas às vezes tenho a impressão que a cena alternativa está cada vez mais preconceituosa. Se você não tem o look x - que tá na moda - e se você não faz look do dia divosamente no padrãozinho do momento, se não tem o cabelo tal e uma tatuagem maneira, você fica pra depois.
Estilo próprio pra quê né? Não vende! E não vende por um motivo muito simples: é próprio!

A gente pode vender uma roupa num publipost, pode vender um estilo de vida, pode vender um look que todos desejarão. Mas ética e integridade é algo que não dá pra vender. Isso nos pertence. Assim como meu estilo, comercial ou não, me pertence!

Minhas fotos da semana: 1. Não sou a beleza padrão, meu nariz grande é o diferencial de meu rosto, o que faz as pessoas dizerem que "tenho uma beleza exótica", seja lá o que isso signifique. 2. Poste numa rua da cidade "desculpa amiga, nada pessoal", pessoas hoje se ofendem muito fácil. Acham que tudo é pessoal, até mesmo o que não é. 3. "Viva a Sociedade Alternativa!" (juro que não fui eu quem pichei!!) fiquei feliz ao ver essa "arte" numa rua de Taubaté e 4. Estilo "próprio" é "meu" e ponto!



Em tempos de dinheiro em primeiro lugar e respeito em último, dizem nas entrelinhas que a gente não é tão "interessante" assim, deixa pra depois, volta amanhã... a outra pessoa é mais legal. E mais linda. Como se além de tudo, você tivesse a obrigação de ter nascido linda também.

Que em nossa sociedade, inteligência, boas e inovadoras ideias não são tão valorizadas quanto ser bonita e fotogênica.  
Não penso como estas pessoas. E outra coisa: acho, como uma feminista em formação, que toda a mulher tem o direito de ser feia, exótica, fora do padrão corporal e ser respeitada por isso, ser valorizada por isso e cá entre nós... as mulheres assim, que não são padrão, acabam desenvolvendo inteligência e sagacidade porque não tem a beleza pra se apoiar como muleta.

E aí, a gente reclama tanto das pessoas "normais" e quando vê, os próprios "alternativos" estão reproduzindo hábitos que dizem repudiar. Porque este tipo de comportamento, independe de ser "alternativo", é uma questão de caráter!
E caráter amigos, também não se compra.


No post do Projeto Alternativa para todos, o look preferido das meninas que comentaram foi o de uma saia de renda sendo usada por cima de uma legging.
Quando novinha eu costumava usar leggings, mas depois que virei adepta das saias eu me desacostumei com ter meu corpo tão exposto numa calça (até mesmo em calças jeans), já que as saias que uso apenas delineiam o corpo mas não expõem explicitamente pernas e quadril. Não se trata de caretice ou conservadorismo, é mais a questão de meu olhar ter habituado à uma determinada estética. Eu acho lindo meninas que usam legging estilosamente!


Já que super me desacostumei de me expor em leggings (exceto em ambientes propícios como academia, claro!), uma das formas que encontrei de usar legging com blusinhas mais curtas, foi fazer uma saia de renda pra usar por cima.

Vou mostrar 2 modelos que fiz pra vocês.

1. Saia de renda com cós de elástico
Renda: pode ser simples ou aquelas com acabamento nas pontas. Vai do seu gosto. 
Eu encontrei numa loja uma renda com cara de "chique" e com bordas desenhadinhas.



O modelo da saia é muito simples, trata-se de um retângulo com costura na lateral e elástico na cintura.

A medida do elástico é normalmente de 4 a 8 cm a menos que sua medida do quadril, pra ele se encaixar na cintura (ou uns 4 dedos abaixo dela) sem te apertar. É só fazer uma "casinha" na renda e colocar o elástico dentro.


Ela é assim:


Dá pra usar ela sobre legging, dá pra prender alfinetes de segurança em locais estratégicos pra fazer babados e dá pra usar ela em cima ou embaixo de outras saias.
 
2. Saia de renda estilo avental
A outra saia que fiz, é em estilo avental. 
Ela tem cós de fita de cetim que eu amarro nas costas com um laço (vou mostrar um look com ela no blog). Ao invés de amarrar nas costas também dá pra amarrar na lateral do quadril. Feita pra usar em cima de outras saias e, se presa na lateral, em cima de leggings.
 
 

Espero que tenham gostado dessa dica!
Usem e abusem de saias de renda!

Bjs nas caveiras de vocês!


Uns dias atrás, neste post, eu havia dito que fiz uma leve modificação na blusa 124 da Black Frost. A marca faz peças lindas num estilo "headbanger sexy". Mesmo eu não fazendo o estilo sexy, eu sou fã da marca e tenho diversas peças. Essa blusa em especial, é a minha favorita da coleção veludo tanto por ser a que mais combina com minhas saias, porque ter um toque "punk" por causa do arrastão e também porque é muito, mas muito confortável!


Só que por ter apenas o arrastão e uma amarração na parte da frente, eu sentia que isso chamava muito a atenção e meio que "limitava" a imagem que a gente passa quando a gente usa a peça. Como eu sou aloka das renda, decidi fazer uma aplicação da mesma pra "fechar" um pouco a parte frontal mas sem ficar muito careta.

Foto que mostra como ficava a blusa. Aqui e aqui também.



Se vocês também quiserem customizar, a dica que dou é usar uma renda com estampa "fechada", evite aquelas rendas de estampas muito abertas, com flores muito espaçadas.

Renda que eu usei, de desenho bem fechado.

Quanto à blusa, você:

1. Deve deixar a amarração o mais frouxa possível e tirar a medida do tecido arrastão.


2. Cortar uma tira de renda de aproximadamente 44cm comprimento x 20cm largura (referência para o tamanho P).

3. Fazer barra/acabamento nas pontas da renda que ficarão no busto e na cintura (largura).

4. Alfinetar a renda nas laterais da fenda e alinhavar. Tomem o cuidado pra alinhavar o EM CIMA da costura da Black Frost pra não fazer furos no vinil que acompanha a lateral da arrastão. 



5. A seguir, costurar na máquina delicadamente e BEM EM CIMA da costura original da BF pra não ficar aparecendo a sua costura. A renda ficará unida à faixa de vinil pelo avesso.



Resultado Final:
Você terá feito a barra nas pontas da renda (passo 3) e apenas terá costurado sua lateral rente à costura do vinil. A blusa ficará então com essa camada dupla:


A renda não fechará de vez o espaço, apenas amenizará. Por isso é importante escolher uma renda com flores mais juntinhas.



Dessa forma, se havia algum tipo de "limitação" pela frente da blusa ser muito sexy e/ou limitar o uso da peça para determinadas ocasiões. Esse problema praticamente acaba!

Uma dica que sempre dou:
Não deixem de comprar peças que vocês gostam que podem ser de alguma forma modificadas por você ou por uma costureira.
Arranjem uma costureira de confiança, pros alternativos, isso é essencial!
Encontrar roupas que curtimos é TÃO difícil que quando a gente encontra e tem a possibilidade de customizar, tem que comprar mesmo, modificar e ser feliz!

Eu só tenho essas fotos de baixa qualidade usando a blusa, mas assim que eu tirar novas fotos com ela, posto no blog com certeza! 
Basta olhar a primeira foto que postei usando ela e esta última foto, que dá pra notar como mudou.


Bejos nas caveiras de vocês!



Estes dias como praticamente sempre acontece, eu andava na rua e um cara assobiou pra mim. Não liguei, assobiou de novo, mais alto...
O que posso dizer... eu venho de uma família de mulheres fortes e a maioria delas com um grande poder de decisão dentro de seus lares. Minha mãe é uma mulher de grande força e personalidade. Minha irmã é um pilar. Minhas tias, bravas lutadoras; minhas avós, heroínas à frente de seus tempos. As referências femininas são tão presentes na minha criação que eu brinco dizendo que muito novinha já tinha ideias feministas mas não sabia que aquilo que eu pensava, desejava, tinha este nome. Porque essa palavra ainda é cheia de tabus.

 

Dez, doze anos atrás, não se falava de feminismo, só em pequenos círculos, quando eu falava coisas ou me recusava a seguir certos tipos de pensamento, me achavam "maluquinha" e "rebelde" ou "ela pensa diferente". Mas eu estava apenas questionando meus direitos e deveres como mulher. 

Minha mãe nunca me disse pra eu sentar apenas de pernas fechadas, 
ela me dizia pra eu sentar como eu quisesse, que era meu direito de escolha.

Eu cresci conhecendo as Riot Grrrls, buscando identificação em bandas de mulheres e em roqueiras porque chegou um ponto em que os caras de banda não representavam. Confesso que já deixei de curtir banda de rock ou de metal porque o machismo de algumas me incomoda. Homens que o pessoal idolatra, mas eu ignoro.

Concordo com eles!
 

Quando criança/novinha eu adorava hard rock, mas quando eu amadureci, captei a misoginia em várias letras, hoje eu escuto por curtição, não levo à sério, não idolatro, não dou grana pra estes caras. O mesmo com o Metal especialmente algumas linhas em que a gente sabe que a mulher tá lá pra pagar de bonita sem ter o mínimo poder de decisão dentro das bandas. Hoje em dia, cada vez menos bandas eu escuto, sempre procuro entender como a mulher é tratada nas letras e pelos caras. Não à toa, eu adoro bandas de garotas de atitude e que quebram padrões. Me sinto mais representada por elas porque eu seria uma delas na cena rock.

Li ontem revoltosamente uma matéria no blog da Lola que mostra bem como a própria mídia ainda trata as mulheres. A matéria fala que duas candidatas, uma ao cargo de deputada federal e outra ao de deputada estadual, se rebelaram contra uma matéria da UOL que listava as "20 candidatas mais bonitas" que faziam dar gosto assistir ao horário eleitoral.
A Lenina e a Isa  (os nomes delas) são jovens querendo exercer sua cidadania livremente, mas foram resumidas à rostinhos bonitos.

(para abrir os links em nova janela, basta apertar o shift e clicar no link)
A Lenina disse: "... estive na infeliz lista da Uol das candidatas mais bonitas. Sabemos da violência que a mídia pratica com nós mulheres diariamente, e essa lista é só mais uma prova. Várias pessoas me ligaram para dar os parabéns por estar na lista. Pessoas que até então não me deram nenhum apoio pela candidatura... Ser mulher continua sendo carregar esse peso de ser bela, padronizada, arrumada e delicada, e não a responsabilidade de ser competente. Os lugares que ocupamos se preocupam mais em dizer que os embelezamos do que em reconhecer nossa importância. Difícil, não?" E UOL, aprenda: mulher bonita é mulher que luta! Pode ter certeza que somos muito mais que vinte! Sempre! Porque a vida deseja beleza. E a beleza da vida não está nas aparências, está na transformação daquilo que é injusto, daquilo que causa dor e sofrimento! A beleza vem da certeza de uma vida digna, de uma vida que respira liberdade!"


E a Isa disse: "Historicamente, em todas as sociedades com existência de Estado, as mulheres foram preteridas da participação política ou essa participação se deu de forma bem limitada. A gestão dos territórios, a elaboração das leis e ocupação dos espaços públicos são atividades vistas como tarefa dos homens, enquanto as mulheres devem cuidar da casa e das pessoas. As mulheres naturalmente circulam pelas cidades, pelas vias públicas, mas são frequentemente constrangidas com cantadas, assédios e outras formas de violência - como estupros. Nos trens, ônibus e metrô, tal violência é ainda mais comum, pelo único motivo daquela pessoa ser uma mulher, ter um corpo feminino. Os homens são educados para enxergarem as mulheres como subalternas, sem direito ao próprio corpo, disponíveis e submissas aos seus desejos." 



E o machismo se estende na cena alternativa também! Desde o começo deste blog eu falo um pouco disso. Não sejam inocentes de pensar que a cena subcultural é livre e "pura". Não é não!
Justamente por causa dessa minha veia "rebelde", nunca consegui me identificar 100% com uma subcultura. Porque chegava num ponto em que eu não aguentava mais disfarçar que o machismo me incomodava.


Já viram aqueles concursos de as "mais belas garotas do metal" ou algo do tipo? Olha, não vejo nenhum problema uma garota que é super resolvida com sua sensualidade adorar fazer fotos sensuais, se a escolha foi dela e somente dela! Super apóio!! A cantora Lita Ford é uma das que se encaixam neste perfil.
Mas a partir do momento que ela faz aquilo porque ela acha que vai ser mais aceita na cena, porque acha que ela precisa ser daquele jeito pra ser popular ou porque ela foi persuadida por um cara a ter/vender aquela imagem... tudo muda de figura. Já notaram que a maioria destes esses eventos que sensualizam ou sexualizam ou objetificam a mulher, são organizados por homens? Entendem como um pensamento é perpetuado?

Pode ficar meio feio e ruim eu falar disso aqui, mas realmente aconteceu: existe um grande evento nacional que fotografa lindas garotas do metal em poses sensuais (aliás, muitos ensaios de modelos alternativas focam nesta sexualização, mas enfim, outro assunto...), o blog Moda de Subculturas até chegou a divulgar a ideia anos atrás. Num dado momento, incomodada com o andamento, perguntei (alfinetei) pro organizador se ele faria uma versão masculina também, afinal os homens não eram tão objetificados quanto as mulheres e nós mulheres adoraríamos ver homens num calendário em poses sensuais! Ele me deu uma resposta que eu interpretei como tendo tido as seguintes reações: surpresa pela minha abordagem ousada - risada sem graça e posteriormente rindo da minha cara/audácia - ficou na defensiva. Depois disso o cara nunca mais falou comigo. E esse cara é super conhecido na cena brasileira. Se ele vai falar comigo de novo algum dia, não sei!! Só sei que eu falo as coisas mesmo! Eu tenho essa audácia! Porque devo me calar se percebo algo errado? O machismo me incomoda e falar dele abertamente na cena incomoda muito! E pior é que garotas não percebem isso, alguém precisa avisá-las que as estão objetificando pra ter lucro! Eu na idade delas já sacava essas coisas! E eu gosto de provocar o pensamento das pessoas, ver se elas estão dispostas a quebrar um pensamento retrógrado que é passado pra elas e que elas apenas alimentam aquilo. E eu estou aqui, ainda esperando o calendário que objetifica os corpos dos garotos sensuais do metal... porque né? 

Diferença de linguagem corporal. Joan Jett (feminista de longa data) e Cristina Scabbia.



 A típica imagem da "metalera" perfeita no imaginário masculino da cena Metal... 
boa no álcool, sensual e sexualmente sempre disposta. 
Interessadas em subverter essa imagem??


Outra coisa é que eu acompanho com um pé atrás essa onda de meninas alternativas cujo "ser linda" é o foco da vida delas. É um perigo!! São ideias do mainstream se estendendo à pessoinhas que estão formado suas personalidades. Tenho consciência que a beleza não pode ser parâmetro pra minha vida. Te encaixar num padrão de beleza é uma das formas de controle da sociedade sobre nossos corpos!

Voltando ao assobio... ele gerou essa reflexão toda, e eu precisei colocar ela pra fora aqui no blog. Fico impressionada em como os homens mexem comigo, não sou bonita, não sou o padrão de beleza brasileira, não faço o tipo gostosona e ainda por cima, uso roupas por vezes mais agressivas, o que parece de forma nenhuma intimidá-los. Ou seja, o gosto pessoal inexiste, importa é ser mulher pra ter seu espaço invadido. Acho que posso contar nos dedos os dias que saio na rua e não tenho meu direito de ficar em paz invadido. Acho que todas vocês passam por isso. Não poder andar livremente na rua não sendo vista como mero objeto sexual. Sim, porque quando um cara mexe com você na rua, ele te objetificou. Tirou seu status de "ser humano" e te colocou como algo que possa ser julgado como merecedor ou não da atenção (e do sexo) dele.


Com o cara, fiz algo raro, respondi pra ele, isso não é algo que eu faça com frequência, tanto porque não dá tempo (eles são covardes, mexem com você de dentro dos carros e dão no pé) ou porque não tem como (a situação em si), mas é que aconteceu algo curioso. Ele assobiou eu não liguei. Ele assobiou de novo, eu gritei "machista!". E aí sabe o que ele gritou pra mim: "feia!" 
Isso mesmo! O cara diz que você é linda, mas bastou "desobedecer" e contrariá-lo que você vira "feia" e descartável.
E eu virei e respondi: "mudou de ideia rápido hein? Tá indeciso? Eu não faço a mínima questão de  me encaixar no seu padrão de beleza. Não sou seu objeto pra você me considerar bonita ou feia, aceitar ou descartar." Ia dizer mais coisa, mas achei melhor ir, a rua tava vazia. O cara não esperava minha resposta e ficou murmurando umas coisas baixinho com o colega, eu virei e segui.
Mais um reflexo da sociedade machista se revela aí: a limitação da minha liberdade! Como eu respondi pro cara, sei lá se quando eu passar lá de novo ele vai mexer comigo again. Então, mais uma liberdade minha foi tirada: quando eu for andar sozinha na rua da casa dos meus pais, eu não vou poder ir por aquele lado, terei de ir pelo outro. Pra pra não ser importunada novamente. Não deveria ser assim. 

Ainda bem que existem mulheres lutando para que a gente tenha direito de andar na rua sossegada, como todo processo educacional, leva tempo. Leva tempo mudar uma mentalidade de séculos. Mas tem que começar, nem que seja pra deixarmos isso de herança pras futuras gerações.


No dia 30 de setembro, o orkut sai do ar. Pelo que entendi, suas comunidades continuarão online como arquivo. Nossos scraps e fotos irão pro google + com ajuda do GoogleTakeout.

Eu entrei no orkut em 2004, quando pra entrar lá precisava ser convidado. Eu fui convidada por uma amiga do Yahoo Groups, porque na época era em fóruns tipo Yahoo que a gente fazia amizade e se comunicava com pessoas do mesmo gosto que a gente.
O orkut em pouco tempo se tornou o point dos brasileiros, num dado momento, acho que em 2006 eu fiz uma conta no Myspace pra acompanhar as bandas que eu curtia. Porque o Myspace era o Orkut dos gringos. Daí acabei também seguindo perfis de lojas e de modelos alternativas. Uma das coisas memoráveis do Myspace era eu reencontrar artistas e bandas dos anos 80. Naquela época o revival do metal oitentista tava começando a dar as caras. Uma coisa que vi enquanto acontecia foi o nascimento da subcultura scene, que nasceu lá! Selfie pra eles era de praxe, numa época que ainda pouco se falava em selfies.

Esta foi minha foto do perfil do orkut por muuuuitos anos!

Eu fiz minha conta no Facebook em 2008. Também só entrava com convite. Quem me adicionou lá foi um amigo meu do fã clube da Doro. O Face na época era tão simples que eu achava super tosko porque não tinha nada! kkkk Lembro de entrar lá pelo mesmo motivo do Myspace: acompanhar ou poucos ainda na época, perfis de bandas e um ou outro amigo brasileiro.

O grande lance do orkut eram as comunidades! E até hoje considero seu formato de fórum muuuito melhor que o do face! Em forma de listagem, era bem mais fácil achar e organizar tópicos. Não era como no face que os tópicos vão sumindo e depois pra achá-los, às vezes, nem a busca resolve... 

Bom, eu não consigo falar mal do orkut! Ele trouxe tanta gente boa pra minha vida!! 
A maioria absoluta dos amigos virtuais que tenho hoje, conheci lá! Nas comunidades onde encontrávamos pessoas com gosto em comum! Pra vocês terem ideia, conheci a Nívia da Dark Fashion quando ela ainda nem tinha lançado a marca!! A gente conversava sobre moda dark e mercado alternativo num grupo... nossa como o tempo passa! A fase do corset também é inesquecível! Vi as primeiras marcas alternativas surgirem e toda a onda que se criou em torno da peça. Aprendi sobre moda Lolita na comunidade delas, e os debates intelectuais sobre a subcultura gótica na comu do Henrique Kipper?? Até meu primeiro contato com os Picnics Vitorianos... também conheci a Giovana do This is My World no orkut, embora já acompanhasse a lojinha dela (Dark Sorrow) através de meu Fotolog (outra rede social relíquia que conheci muita gente!)

Uma das coisas que eu amava era a comu da Doro, foi das primeiras que entrei! Pela primeira vez na vida eu encontrava fãs malucos como eu!!! Ela ainda era meio desconhecida, o grupo se tornou unido porque fãs dela também eram raros.


E outra coisa que me fazia extremamente feliz é que eu sou fã de female bands e a comu "Female Metal 80s" era uma das minhas preciosidades! Tinha pouquíssimos membros e era lá que a gente trocava informação e raridades em MP3 de bandas oitentistas com vocais femininos ou all-female!! 


Eu estava na faculdade quanto entrei no orkut e eu já brincava com a Moda e foi pro orkut que fiz minhas primeiras sessões de fotos montadas! Em 2005 a gente comprou uma máquina digital, foi a época das minhas primeiras selfies! Eu me divertia naquela coisa de programar a máquina no automático e posar com as roupas que eu fazia pra mim nas horas vagas. Servia como um trabalho de portifolio também! Já que entre 2006 e 2009 eu tanto fazia roupas pra vender como fui estilista de uma marca alternativa e toda roupa que eu fazia uma versão pra mim eu fotografava!

Selfie de algum ano há muuuuito tempo atrás!! (acho que 2006)

Claro que já existiam as meninas "celebridades" e "capas de comunidade". Elas também faziam esse esquema de se fotografarem com looks montados. 
Só que essa coisa de "vida ostentação" não era tão forte! Porque só seus amigos viam suas fotos e mesmo que fossem públicas as pessoas precisavam cair no seu perfil de alguma forma ou um dia dar na telha de clicar no seu perfil e ver se você tinha colocado mais fotos. As fotos não caiam automáticamente numa "timeline" atraindo de imediato a atenção dos mil amigos.

Pra mim, a decadência orkutiana começou quando o layout mudou. Ficou chato de mexer, ficou horrível de ver as fotos. Foi uma tentativa de juntar twitter com facebook, mas não deu certo! O orkut era tão único e perdeu rapidamente sua identidade.

O lado bom é que as comunidade ainda ficarão no ar pra consultas, como história mesmo, mas não mais ficarão ativas. De certa forma serve como memória. Meu outro blog, o Moda de Subculturas nasceu de uma comunidade no orkut chamada "Subculturas e Estilo" que criei em 2006! Em 2008 refiz a comu porque ela tinha sido hackeada (lembram destas rebeldias?). Era um grupo com uma participação super legal e em 2009 decidi transformar a comu em blog pra pegar um povo que tava saindo do orkut porque estavam de saco cheio da futilidade daquela rede social. Sério! Eles achavam o orkut fútil!! KKKKKKK



E vocês, tinham orkut? Sentirão falta ou nostalgia?


Estes dias eu tava aqui mexendo no blog e pensei se o nome Diva Alternativa, hoje em dia não provoca alguma estranheza ou as pessoas pensam que sou tão egocêntrica que me auto intitulo como tal! Kkkk
Na verdade o blog é de janeiro de 2010, criei três meses depois do MdS porque queria postar umas coisas não tão relativas ao universo sério da moda e subculturas, mas dentro do meu universo alternativo particular. E o nome veio porque na época tava no auge tudo ser "diva": "Doro é Diva", "Tarja é Diva", a mulher dentro da banheira toda ensaboada no comercial de sabonete dizia: "eu sou uma diva!" e continuava a se ensaboar como se ser diva fosse ser ryca e ficar dentro da banheira por horas divando enquanto as pontas de seus dedos iam ficando murchas da água morna.

Fora que a Dita von Teese tava bombando no mainstream e era "Dita é Diva!" em TODO lugar! 
Até enchia o saco. Sério!

Dita von Teese, a Diva!


 ooooops, errei!! A foto é essa:

Diva divando com sua eterna poker face!

A palavra tinha pegado de um jeito que até programa popular de TV dizia que fulana (atriz/celebrity) era diva.
E aí eu pensei ... pô, todo mundo é "diva"! Até essas mulheres toskas? E as meninas alternativas? Também temos o direito de sermos divas!!

Então o meu "diva" se refere à uma espécie de conceito, uma garota ou uma mulher alternativa auto confiante, autêntica, que tem seu próprio estilo, personalidade e que não deixa os outros dizerem quem ela deve ser ou agir. Resumindo: ela tem atitude!
"Diva Alternativa" não é de forma alguma direcionado à minha pessoa especificamente mas de alguma forma seriam características que eu adoraria me encaixar quando eu evoluir como pessoa.