No texto eu citei a questão de que muitas de nós mudam seu estilo quando entram no mercado de trabalho e com o decorrer dos anos algumas acabam abandonado.

O que me chamou a atenção nos comentários é que muitas meninas tomaram a questão do trabalho como o foco principal do texto. E não era.
Eu acredito que devemos ter roupa de trabalho e roupa de lazer. Todo mundo faz isso, até pessoas normais tem suas roupas separadas nestas duas categorias. O que acontece é que as roupas de lazer das pessoas normais são mais proximas da estética mainstream do que da estética alternativa.
Pra mim, apenas artistas e quem trabalha com certos ramos da moda conseguem manter seus estilos pessoais no trabalho.

Devemos celebrar a mudança dos tempos. Quando eu ainda era teen, ao terminar a faculdade, era necessário que a pessoa escolhesse entre o undergroud/alternativo e uma carreira. As duas coisas não se misturavam (salvo raros exemplos). Se você optasse por se manter na estética alternativa, provavelmente você não amenizaria e acabaria se envolvendo com a cultura underground com força. Se você optasse por uma carreira, acabaria largando a estética alt. em pouco tempo e definitivamente.
Mas não nesta década!
Esta década permite que a pessoa não abandone seu estilo alternativo, apenas o amenize. Por isso "roupa de trabalho" não é algo que me preocupa.
Mas é preciso destacar que aparentemente a ligação das pessoas com o underground também diminuiu. Assim como diminuiu o senso de grupo e aumentou o individualismo.

Voltando...
O meu foco no texto era saber onde estão essas garotas mais velhas e se elas tem blogs.
A conclusão que eu cheguei é algo que eu já sabia: a maioria das leitoras de blogs alternativos e comentaristas ativas, são jovens na faixa dos 20 e que como eu, acreditam que o alternativo não deve se perder com os anos de vida adulta. Isso é a cara do começo do século XXI.

Espero que todas as meninas que comentaram que tem 20 e poucos hoje, quando estiverem na faixa dos 30 anos, consigam superar as diversas pressões que surgem ao nosso redor  - até mesmo pressões internas - e mantenham seus estilos alternativos, que dificilmente será o mesmo de hoje, já que nós evoluímos e a moda alternativa evolui também.
Até lá, quem sabe a gente veja adultas alternativas ao invés de fazendo review de hidratante, fazendo review de cremes anti-idade, botox e dizendo quais são os melhores liftings (piadinha cruel essa hein! hahahahaha)

Nos comentários, também recebi algumas indicações de blogs escritos por garotas perto dos 27 anos. Acima dos 30 anos somente os blogs que eu já conhecia mesmo. Concluí que blogueiras alternativas acima de 30 são raras mesmo espero que  eu, junto com essas raras meninas consigamos fazer com que existam blogs nacionais sobre o assunto por muitos anos.

Roupa de Trabalho
Como muitas se mostraram interessadas em como adaptar roupas alternativas no trabalho, eu gostaria de sugerir 3 posts do moda de subculturas:


* Roupa Alternativa no Trabalho - Esse foi o único post específico sobre roupa alternativa no trabalho que escrevi no MdS. Nele, dou diversas dicas de como usar as peças. Atenção que o post é de 2010 então algumas coisas podem ter evoluído. Esqueçam os cabelos e maquiagens, foquem nas roupas.
Gostou de uma peça mas a loja não existe mais? Ou gostou de uma peça de uma loja estrangeira? Não tenham vergonha de contatar costureiras pra fazer suas roupas!! Costureira não morde! Embora a roupa demore uns dias pra ficar pronta, ela será do seu tamanho certinho e exclusiva!

* Moda Alternativa Retrô: Inspiração anos 1940 e 1950 - neste post lá pelo meio, cito modelos tops e saias que são adequados ao trabalho. Se as regatas forem indiscretas demais pra sua função, existem boleros de renda e boleros de manga curta que podem disfarçar a exposição dos ombros. E você pode vestir estes boleros apenas dentro da empresa.

* Dica de Loja Désir Essencial: infelizmente essa loja não existe mais, o que é uma pena porque era a única loja nacional mais voltada à um estilo gótico adulto. Mas aredito que as imagens das roupas podem ficar como referência se vocês quiserem procurar em lojas normais ou mandar fazer. Eu já achei peças semelhantes em lojas de departamento.

xoxo


10 Comentários

  1. quem sabe a gente veja adultas alternativas ao invés de fazendo review de hidratante, fazendo review de cremes anti-idade, botox e dizendo quais são os melhores liftings (piadinha cruel essa hein! hahahahaha)

    adorei isso,é o q eu espero tbm kkkkk
    acho que o que vc queria é o mesmo que eu,saber onde estão essas pessoas adultas e mantermos contato,trocar experiências etc.
    bjos

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    1. Hahaahaha!! É bem isso mesmo Gio! =D
      Eu sempre acabo tendo amigas e contatos alternativos mais novos do que eu então às vezes sinto falta de conversar com alternativos mais da minha idade, da mesma geração, trocar experiências e opiniões sobre o universo alternativo.

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  2. Eu tenho 25 anos.
    Desde os meus 13.. 14 anos.. optei por usar roupas alternativas. porém por insistência dos meus pais, decidi abandonar... hoje casada, independente da opinião alheia, estou voltando a ter meu estilo.
    Quero continuar 4ever! auhauhauha.. tem muita coisa que eu gosto e que quero usar ainda... Espero chegar nos meus 30 comentando em seus blogs e vc no meu hahaha!!

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    1. Eu também tive uma fase de amenizar bastante o estilo por causa de um trabalho e eu me sentia muito infeliz, aí saí do trabalho pra poder voltar a usar o alternativo e tb quero usar forever hahahaha!!
      Ah com certeza seremos colegas blogueiras por muitos anos ainda =D

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  3. É engraçado, mesmo, como esta questão do trabalho tem sempre um peso grande e acho que é porque a maioria que comenta são jovens, como você falou, que devem estar começando no mercado agora. Porque isso é meio óbvio: existe, sim, roupa de trabalho e roupa de passeio e muitas das pessoas não alternativas, que usam terninhos padronizados nos escritórios, detestam a peça e nunca usariam fora do trabalho, não é uma questão exclusiva de quem é alternativo, mas de quem é adulto, escolheu uma carreira e precisa trabalhar. É muito importante essa questão que você trouxe e que acho que muitas pessoas mais novas não tem esta noção, de que há algumas poucas décadas atrás não existia a opção de "misturar" as coisas, que a pressão não era só dos pais, da escola, existia uma marginalização pesada da estética e o mercado de trabalho não era como é hoje, com tantos autônomos, negócios online, home office, a maioria das pessoas só podiam sobreviver se tivessem uma carteira assinada. Praticamente, todos os meus amigos músicos, alternativos, que sonhavam viver esta vida para sempre, depois que saíram da faculdade e da casa dos pais, cortaram os cabelos, vestiram uma camisa social e foram trabalhar e a banda virou hobby, coisa de final de semana, poucos deram certo na música como a Pitty, que é minha contemporânea e conterrânea e que eu vi começar, junto com tantos outros que hoje têm carreiras formais. Então, é o que a Sana, falou, "devemos celebrar a mudança dos tempos" e ser menos críticos porque muitos não sabem o que as gerações passadas tiveram que aguentar e fazer para hoje se ter esta abertura. Pena a Désir Essencial ter acabado, faltam lojas que as roupas sejam mais adultas não só na estética, mas também voltada para um público, que naturalmente é mais exigente, até pelo aumento do poder aquisitivo e da liberdade de poder comprar sem pedir para alguém e começa a olhar mais o tecido usado, o caimento no corpo, se a costura está bem feita, se os materiais usados valorizam a peça...Outra coisa legal, é que a loja era voltada para o público gótico maduro, porque muitas vezes percebo que existe uma oferta muito maior de peças em um estilo mais metal ou rocker. Aliás, noto que muita gente associa o estilo alternativo, exclusivamente a estes dois segmentos e acha que peças que não têm spikes ou que são mais femininas e adultas não são alternativas. É o caso da saia lápis por exemplo, que é tratada como uma peça careta, conservadora, mas que pode se encaixar perfeitamente nos looks de quem usa o estilo mais pin-up ou o gótico. Sobre cosméticos em blogs de mulheres alternativas maduras, acho que existe um grande preconceito no meio com relação a falar de roupas, maquiagens... por isso, talvez, existam não só poucos blogs, mas também pouca interação nos blogs que tratam disso, levando as autoras a priorizar temas mais intelectuais, por achar que é isso que seus leitores querem ler. Fico surpresa de ver pessoas dizendo que sentem falta de blogs alternativos com looks, makes, resenhas de cosméticos...porque os poucos que fazem isso, têm uma repercussão muito pequena e também pouco incentivo, quando comparamos com o que acontece com blogueiras mainstream, que têm este foco.Eu já pensei em parar de fazer posts com looks, porque não era o foco do meu blog quando comecei, mas via o pessoal comentando nas redes sociais que sentiam falta de dicas de como manter o estilo no trabalho, ou em cidades quentes e me propus a fazer algo "real", para a brasileira que tem que enfrentar 30° nas ruas, para e trabalha em escritórios, clínicas, bancos e não que refletisse a realidade de modelos alternativas, fotógrafas, ilustradoras de países frios, então, fico pensando que, por mais que digam que querem ver coisas reais, úteis, que possam ser incluídas no dia a dia delas, a maioria das leitoras, querem mesmo ver aquilo que é inatingível e distante delas, idealizado, porque talvez isso seja do ser humano, mesmo, independente de ser alternativo ou não.

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    1. Seu comentário merece aplausos de pé, Erika!!
      Minha irmã é uma das "normais" que precisou usar terninho no trabalho e odeia!
      Ainda bem que no mundo atual temos a opção de misturar e fora do trabalho permanecer alternativos. Isso antes não existia, a pressão era muito grande, a pessoa era muito julgada. Hoje já há tolerância e a própria moda está à favor!
      Foi uma pena mesmo a Desir Essencial ter acabado, até hoje existe essa lacuna de mercado "gótico adulto" no Brasil. Não dá pra usar aquelas roupas de cetim vagabundo que vendem como "roupa gótica" a vida toda né? Esse tipo de material e acabamento é só pra quando a gente é teen e aceita tudo, porque depois nos tornamos mais exigentes com qualidade e material!
      Muito interessante seu ponto de vista sobre os blogs e looks do dia, até me inspirou a escrever sobre!! =D
      Você sabe que adoro seus looks exatamente por serem reais!!! Você não sugere à leitora comprar tal marca e tal peça, você mostra o que tem, o que comprou, o que é real e transmite ideias pra pessoa se inspirar, é um diferencial.
      Eu também acho que muitos leitores preferem viver da ilusão do look inatingível, seja porque a roupa é cara demais pro bolso deles, seja porque a loja é estrangeira, seja porque fantasiam um look que as trará diferenciação ou status (e até mesmo algumas blogueiras parecem gostar do status que ter peças inatingíveis dá à elas). E sim, acho que é do ser humano, da nossa sociedade, afinal hoje somos julgadas pelo que temos, pelo que podemos pagar e não tanto pelo que nós somos...

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  4. Confesso que no meu trabalho, eu não me esforço muito pra ser alternativa nem nada do tipo. As vezes uso umas roupas que remetem um pouco, mas tudo muito simples... Eu separo as minhas roupas entre roupas de pessoas normais, de dia-a-dia, de social, e roupas de rolê. Não vejo necessidade de se esforçar em mostrar o seu estilo no ambiente de trabalho, sinceramente! A não ser que você trabalhe em algum lugar que permita isso.
    Mas ainda assim curti as suas sugestões, e ADORO as roupas que nos remetem aos anos 40/50. Consigo facilmente achar referências á essas modas em roupas simples (quem é alternativo sabe que tem sempre procurar por referências alternativas, mesmo que simples, nas roupas mais "comuns" e básicas). E eu não acho tão difícil de achar não! Por exemplo, uma blusa social de manga longa, quando combinada com um corset, uma saia lápis e um creeper ou coturno, pode deixar a combinação um pouco mais Dieselpunk, que remete bem aos anos 40. É uma combinação que ainda vou montar pra sair!
    E eu não vou dizer que eu gosto de usar roupas sociais (na verdade, quando uso, brinco que estou fantasiada de gente, mas me sinto bem desconfortável usando).
    Eu confesso que quando entrei no mercado de trabalho, fiquei bem confusa com essa questão e se não fosse encorajada por outras pessoas, provavelmente não teria feito as coisas que fiz, como colocar um piercing, ter meu cabelo pintado de azul, etc. Mas tem gente que acha que deve ser trevas o tempo todo, porque se não for, pronto, tá abandonando o movimento. E essa atitude é tão imbecil que me irrita e cansa a minha beleza.
    Teve um comentário no meu blog de uma moça que me sensibilizou bastante. Ela teve filhos cedo, e por isso, teve que abandonar o estilo. Hoje, com 33 anos e a sua filha com 14, ela retomou o estilo e faz tudo o que quer, se veste como quer, faz tatuagens, piercings, tem cabelo colorido. E isso me fez pensar sobre as coisas, sobre as nossas decisões e como a opinião alheia afeta a gente de forma profunda. Tipo, a mulher tem 33 anos de idade e não deixa de fazer o que quer. Isso é um TAPA na nossa cara, um TAPA na cara de todo mundo que acha que quando cresce, deve abandonar a subcultura.
    Depois dessa, até calei a boca, fiquei quietinha e fiz minha primeira tatuagem e pintei meu cabelo de azul.
    Pra nunca mais dar ouvidos a opinião alheia.
    Bêzo!

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  5. Adorei.. ♡ dêem olhada no meu blog meninas http://todaispilicute.blogspot.com Troca de experiências de moda, beleza e estilos alternativos.. Sigo todos d volta.. bjoss ;*

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  6. Ahhh... Em meu trabalho uso uniforme.Porém cabelo colorido e tattoos eu não escondo! Não mais! Passo por situações bem inusitadas no meu dia a dia, por conta do meu jeito nada padrão de ser! Mas aprendi a lidar com isso.
    E o comentário da Érika foi espetacular!
    Dêem uma passadinha em meu blog, esta bem no inicio estou aceitando críticas e tudo mais! =D

    http://sahstos.wix.com/pshardgirl

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