Alguns laços não estão prontos para serem rompidos...

Eu cresci numa cidadezinha do interior, o que na teoria faz de mim uma caipira.
Não é a cidade que nasci, mas é que fui criada desde muito cedo, a que tenho as memórias mais antigas e toda uma história de vida.
A tal cidadezinha nunca me incomodou. Até o momento que virei adolescente, onde passei a achar aquele lugar tão pequeno e limitado e querer ir embora de lá e nunca mais voltar. Assim, logo fui pra faculdade na capital, São Paulo, e morei lá por vários anos. Mas eu sempre sentia necessidade de voltar pra minha cidadezinha. Era como uma fuga do caos.

Mocinha atravessando a rua da igreja em 1908. Seria eu no passado?

Na minha cidadezinha, não digo que todo mundo me conhece, porque ela tem mais de 100 mil habitantes, mas existem rostos que você vê sempre nos mais variados locais e existem os funcionários do comércio, estes sim te reconhecem, ainda mais quando é aquelas empresas de familia que os funcionários nunca mudam!
Tem um lado bom nisso, essa gente viu meu período revoltoso da adolescência e me vê hoje, ainda alternativa e não faz julgamentos, porque já sabem quem eu sou. Em época de halloween, já fui procurada pra emprestar minhas coisas pra decorar vitrine. Os donos da loja de aviamentos até sentem minha falta quando fico muito tempo sem ir lá. Às vezes é engraçado eu entrar nas lojas e a atendente me reconhecer e já ir trazendo peças que são a minha cara ou que ela "lembrou de mim". Uma vez aconteceu de uma senhora lojista até guardar duas peças de roupa esperando o dia que eu passasse lá porque ela tinha certeza que eu ia querer comprar! Eu ri! Porque esse ar de familiaridade é típico de cidadezinhas!

Um charmoso chalé na esquina do Museu da cidade.

Não foi dificil sair de SP capital e voltar pra "casa" quando consegui um emprego que me permitia a escolha. Claro que sinto muita falta dos amigos de SP e de toda a vida cultural que a cidade grande oferece. Mas Sampa é uma cidade que sempre se pode ir visitar!

E quando meus parentes resolveram ir embora da cidadezinha, eu não consegui. Eu sentia falta das montanhas ao redor do Vale, das árvores e do canto dos pássaros locais. Queria logo voltar. Sonhava que andava pelas ruas e conversava com conhecidos.
Não me incomoda ser do interior. Eu não tenho vergonha. Claro que a cidadezinha é atrasada mas eu não sou. Sou bem avançadinha. Sei que um dia vou sair daqui, não planejo ficar pra sempre. Os laços ainda não estão prontos para serem rompidos, mas muito em breve estarão.

A praça central.

Existe algum lugar que mora no coração de vocês? Que sentiriam falta se precisassem partir?

Este post é ilustrado com fotos antigas da "minha" cidade.

Um comentário:

  1. Minha cidade tem menos de 20 mil habitantes, então consegui me identificar um pouco com o que vc descreve, principalmente o ar familiar que alguns comerciantes tem aqui! Um dia sei que irei pra outros cantos, mas ir embora completamente daqui eh impossível, rsrs também é um laço que não saberia como romper.
    Adoro fotos antigas de cidades, e essas estão lindas *-*
    bjo!

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