Estes dias como praticamente sempre acontece, eu andava na rua e um cara assobiou pra mim. Não liguei, assobiou de novo, mais alto...
O que posso dizer... eu venho de uma família de mulheres fortes e a maioria delas com um grande poder de decisão dentro de seus lares. Minha mãe é uma mulher de grande força e personalidade. Minha irmã é um pilar. Minhas tias, bravas lutadoras; minhas avós, heroínas à frente de seus tempos. As referências femininas são tão presentes na minha criação que eu brinco dizendo que muito novinha já tinha ideias feministas mas não sabia que aquilo que eu pensava, desejava, tinha este nome. Porque essa palavra ainda é cheia de tabus.

 

Dez, doze anos atrás, não se falava de feminismo, só em pequenos círculos, quando eu falava coisas ou me recusava a seguir certos tipos de pensamento, me achavam "maluquinha" e "rebelde" ou "ela pensa diferente". Mas eu estava apenas questionando meus direitos e deveres como mulher. 

Minha mãe nunca me disse pra eu sentar apenas de pernas fechadas, 
ela me dizia pra eu sentar como eu quisesse, que era meu direito de escolha.

Eu cresci conhecendo as Riot Grrrls, buscando identificação em bandas de mulheres e em roqueiras porque chegou um ponto em que os caras de banda não representavam. Confesso que já deixei de curtir banda de rock ou de metal porque o machismo de algumas me incomoda. Homens que o pessoal idolatra, mas eu ignoro.

Concordo com eles!
 

Quando criança/novinha eu adorava hard rock, mas quando eu amadureci, captei a misoginia em várias letras, hoje eu escuto por curtição, não levo à sério, não idolatro, não dou grana pra estes caras. O mesmo com o Metal especialmente algumas linhas em que a gente sabe que a mulher tá lá pra pagar de bonita sem ter o mínimo poder de decisão dentro das bandas. Hoje em dia, cada vez menos bandas eu escuto, sempre procuro entender como a mulher é tratada nas letras e pelos caras. Não à toa, eu adoro bandas de garotas de atitude e que quebram padrões. Me sinto mais representada por elas porque eu seria uma delas na cena rock.

Li ontem revoltosamente uma matéria no blog da Lola que mostra bem como a própria mídia ainda trata as mulheres. A matéria fala que duas candidatas, uma ao cargo de deputada federal e outra ao de deputada estadual, se rebelaram contra uma matéria da UOL que listava as "20 candidatas mais bonitas" que faziam dar gosto assistir ao horário eleitoral.
A Lenina e a Isa  (os nomes delas) são jovens querendo exercer sua cidadania livremente, mas foram resumidas à rostinhos bonitos.

(para abrir os links em nova janela, basta apertar o shift e clicar no link)
A Lenina disse: "... estive na infeliz lista da Uol das candidatas mais bonitas. Sabemos da violência que a mídia pratica com nós mulheres diariamente, e essa lista é só mais uma prova. Várias pessoas me ligaram para dar os parabéns por estar na lista. Pessoas que até então não me deram nenhum apoio pela candidatura... Ser mulher continua sendo carregar esse peso de ser bela, padronizada, arrumada e delicada, e não a responsabilidade de ser competente. Os lugares que ocupamos se preocupam mais em dizer que os embelezamos do que em reconhecer nossa importância. Difícil, não?" E UOL, aprenda: mulher bonita é mulher que luta! Pode ter certeza que somos muito mais que vinte! Sempre! Porque a vida deseja beleza. E a beleza da vida não está nas aparências, está na transformação daquilo que é injusto, daquilo que causa dor e sofrimento! A beleza vem da certeza de uma vida digna, de uma vida que respira liberdade!"


E a Isa disse: "Historicamente, em todas as sociedades com existência de Estado, as mulheres foram preteridas da participação política ou essa participação se deu de forma bem limitada. A gestão dos territórios, a elaboração das leis e ocupação dos espaços públicos são atividades vistas como tarefa dos homens, enquanto as mulheres devem cuidar da casa e das pessoas. As mulheres naturalmente circulam pelas cidades, pelas vias públicas, mas são frequentemente constrangidas com cantadas, assédios e outras formas de violência - como estupros. Nos trens, ônibus e metrô, tal violência é ainda mais comum, pelo único motivo daquela pessoa ser uma mulher, ter um corpo feminino. Os homens são educados para enxergarem as mulheres como subalternas, sem direito ao próprio corpo, disponíveis e submissas aos seus desejos." 



E o machismo se estende na cena alternativa também! Desde o começo deste blog eu falo um pouco disso. Não sejam inocentes de pensar que a cena subcultural é livre e "pura". Não é não!
Justamente por causa dessa minha veia "rebelde", nunca consegui me identificar 100% com uma subcultura. Porque chegava num ponto em que eu não aguentava mais disfarçar que o machismo me incomodava.


Já viram aqueles concursos de as "mais belas garotas do metal" ou algo do tipo? Olha, não vejo nenhum problema uma garota que é super resolvida com sua sensualidade adorar fazer fotos sensuais, se a escolha foi dela e somente dela! Super apóio!! A cantora Lita Ford é uma das que se encaixam neste perfil.
Mas a partir do momento que ela faz aquilo porque ela acha que vai ser mais aceita na cena, porque acha que ela precisa ser daquele jeito pra ser popular ou porque ela foi persuadida por um cara a ter/vender aquela imagem... tudo muda de figura. Já notaram que a maioria destes esses eventos que sensualizam ou sexualizam ou objetificam a mulher, são organizados por homens? Entendem como um pensamento é perpetuado?

Pode ficar meio feio e ruim eu falar disso aqui, mas realmente aconteceu: existe um grande evento nacional que fotografa lindas garotas do metal em poses sensuais (aliás, muitos ensaios de modelos alternativas focam nesta sexualização, mas enfim, outro assunto...), o blog Moda de Subculturas até chegou a divulgar a ideia anos atrás. Num dado momento, incomodada com o andamento, perguntei (alfinetei) pro organizador se ele faria uma versão masculina também, afinal os homens não eram tão objetificados quanto as mulheres e nós mulheres adoraríamos ver homens num calendário em poses sensuais! Ele me deu uma resposta que eu interpretei como tendo tido as seguintes reações: surpresa pela minha abordagem ousada - risada sem graça e posteriormente rindo da minha cara/audácia - ficou na defensiva. Depois disso o cara nunca mais falou comigo. E esse cara é super conhecido na cena brasileira. Se ele vai falar comigo de novo algum dia, não sei!! Só sei que eu falo as coisas mesmo! Eu tenho essa audácia! Porque devo me calar se percebo algo errado? O machismo me incomoda e falar dele abertamente na cena incomoda muito! E pior é que garotas não percebem isso, alguém precisa avisá-las que as estão objetificando pra ter lucro! Eu na idade delas já sacava essas coisas! E eu gosto de provocar o pensamento das pessoas, ver se elas estão dispostas a quebrar um pensamento retrógrado que é passado pra elas e que elas apenas alimentam aquilo. E eu estou aqui, ainda esperando o calendário que objetifica os corpos dos garotos sensuais do metal... porque né? 

Diferença de linguagem corporal. Joan Jett (feminista de longa data) e Cristina Scabbia.



 A típica imagem da "metalera" perfeita no imaginário masculino da cena Metal... 
boa no álcool, sensual e sexualmente sempre disposta. 
Interessadas em subverter essa imagem??


Outra coisa é que eu acompanho com um pé atrás essa onda de meninas alternativas cujo "ser linda" é o foco da vida delas. É um perigo!! São ideias do mainstream se estendendo à pessoinhas que estão formado suas personalidades. Tenho consciência que a beleza não pode ser parâmetro pra minha vida. Te encaixar num padrão de beleza é uma das formas de controle da sociedade sobre nossos corpos!

Voltando ao assobio... ele gerou essa reflexão toda, e eu precisei colocar ela pra fora aqui no blog. Fico impressionada em como os homens mexem comigo, não sou bonita, não sou o padrão de beleza brasileira, não faço o tipo gostosona e ainda por cima, uso roupas por vezes mais agressivas, o que parece de forma nenhuma intimidá-los. Ou seja, o gosto pessoal inexiste, importa é ser mulher pra ter seu espaço invadido. Acho que posso contar nos dedos os dias que saio na rua e não tenho meu direito de ficar em paz invadido. Acho que todas vocês passam por isso. Não poder andar livremente na rua não sendo vista como mero objeto sexual. Sim, porque quando um cara mexe com você na rua, ele te objetificou. Tirou seu status de "ser humano" e te colocou como algo que possa ser julgado como merecedor ou não da atenção (e do sexo) dele.


Com o cara, fiz algo raro, respondi pra ele, isso não é algo que eu faça com frequência, tanto porque não dá tempo (eles são covardes, mexem com você de dentro dos carros e dão no pé) ou porque não tem como (a situação em si), mas é que aconteceu algo curioso. Ele assobiou eu não liguei. Ele assobiou de novo, eu gritei "machista!". E aí sabe o que ele gritou pra mim: "feia!" 
Isso mesmo! O cara diz que você é linda, mas bastou "desobedecer" e contrariá-lo que você vira "feia" e descartável.
E eu virei e respondi: "mudou de ideia rápido hein? Tá indeciso? Eu não faço a mínima questão de  me encaixar no seu padrão de beleza. Não sou seu objeto pra você me considerar bonita ou feia, aceitar ou descartar." Ia dizer mais coisa, mas achei melhor ir, a rua tava vazia. O cara não esperava minha resposta e ficou murmurando umas coisas baixinho com o colega, eu virei e segui.
Mais um reflexo da sociedade machista se revela aí: a limitação da minha liberdade! Como eu respondi pro cara, sei lá se quando eu passar lá de novo ele vai mexer comigo again. Então, mais uma liberdade minha foi tirada: quando eu for andar sozinha na rua da casa dos meus pais, eu não vou poder ir por aquele lado, terei de ir pelo outro. Pra pra não ser importunada novamente. Não deveria ser assim. 

Ainda bem que existem mulheres lutando para que a gente tenha direito de andar na rua sossegada, como todo processo educacional, leva tempo. Leva tempo mudar uma mentalidade de séculos. Mas tem que começar, nem que seja pra deixarmos isso de herança pras futuras gerações.


18 Comentários

  1. Lendo esse texto,lembrei desse link aqui: http://moda.terra.com.br/bad-look-ex-bbb-clara-exagera-no-vestido-curto-justissimo,38816bffdc1f5410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html que achei ontem por acaso enquanto pesquisava sobre tintas de cabelo.Quando eu li " é um look não aconselhável para meninas de fino trato"-eu fiquei pensando sobre o que seria "meninas de fino trato".Porque "fino trato" na minha visão é apenas tratar os outros com respeito e educação.Lembra da "amiga" que eu citei em um texto lá do blog?Sua reflexão me fez lembrar que sempre entravamos em atrito sobre esse assunto,porque ela se trata como objeto e faz questão de afirmar isso.Lembro-me que certa vez estávamos em um evento aqui da cidade,um grupo de rapazes passou pela gente e um deles pegou no meu braço e me chamou de Princesa,estava machucando para ser sincera,mandei ele ir pro inferno e me soltar.Ele me chamou de mau comida e lésbica...falei para a minha "amiga" "Nossa Fulana que absurdo isso!"-ela apenas respondeu-"Você como mulher deveria gostar desse tipo de coisa,aumenta nossa auto estima",olhei pra ela e soltei um "só se for a sua estima"...e já fui muitas vezes chamada de várias coisas por não ficar me mostrando de forma que os "homens" do metal gostam.Claro já fui elogiada de forma respeitosa muitas vezes, e fiz amizades por conta disso... Confesso que parei de freqüentar festas da cena gótica por conta disso,eu me sentia desconfortável por esse tipo de postura,na qual muitas meninas me odiavam por isso.Na cena hard rock na qual eu adorava freqüentar festas, porque eu me divertia de verdade,os mais mente fechadas me ignoravam por eu não me encaixar no mesmo tipo de postura das outras garotas.Eu muitas vezes fui excluída de grupo de colegas,por ser bem do contra e bem segura,algo que infelizmente elas não eram, e precisavam diminuir-se como pessoas,por uma migalha mínima de atenção de "homens" que muitas vezes as tratavam como troféu de exibição.Eu super aprovo fotos sensuais,incentivo algumas amigas a fazer...mas apenas no caso de auto estima e auto-conhecimento, e para perceberem que são bonitas da forma que elas são,que não precisam de um corpo esculpido para notar tamanha beleza.Porque conhecer a própria imagem, e aceitar da forma que é trás uma outra perspectiva de si e do mundo.
    É triste ver que muitas mulheres/meninas se culpam quando sofrem violência (seja sexual,psicológica ou física),eu posso afirmar (porque já sofri esse tipo de violência) que não é fácil,mas que não devemos nos calar e nem ter medo de responder a altura quando alguém te trata de forma opressora.Somos capazes de muito mais!Minha mãe mesmo criou meu irmão e eu sozinha,minha vó juntamente com meu avô criou nove filhos com muito louvor e hoje viúva a mais de doze anos e com quase 86 anos cria seus dois netos, e ajuda na criação dos seus bisnetos,essa mulher que é respeitada no povoado onde ela mora.Minha vó paterna que faleceu antes mesmo de'u pensar em nascer e que dizem que sou bem parecida com ela,também era bem respeitada e meu avô que sempre foi bicho ruim,calava-se diante dela.Isso que é beleza pra mim.Acho ótimo quando nos arrumamos,cuidamos de nós mesmas,quando fazemos isso PRA NÓS mesmas e para mais ninguém e do nosso jeito,porque o corpo é nosso e as regras também!
    Como sempre Sana,ótimo texto ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nossa Marcela, que triste essa sua "amiga", ela aceita e perpetua um pensamento machista. Quando solta a frase que disse que "você é mal comida, lésbica e que um cara te tocar aumenta a auto estima"... bom, se ser uma mulher se resume a ser um objeto sexual, então eu não seria mulher!!! rsrs! Porque de forma nenhuma me encaro - e pelo jeito você também não, como objeto! E curioso né, além disso é uma frase preconceituosa porque revela lesbofobia e segundo porque "mal comida" é explicitamente uma referência de que o homem é que está no poder e nós devemos girar em torno deles.

      É impressionante como as subculturas tem disso de colocar as meninas também como objeto! E foi justamente por minha posição contra isso que ganhei o apelido de "Lady" que acabou virando meu nick. Era porque perto das outras garotas, eu me vestia como uma "dama"! Mas tipo..."dama"num conceito bem meia boca, só no da aparência/modo de vestir porque com certeza minhas opiniões nunca foram comportadas. E isso mostra como os homens tendem a dividir mesmo as mulheres em categorias.
      Mulher troféu então, nossa... é meio que o ponto máximo da vida destas garotas e dos caras também!!
      Olha, nem sinto falta destes grupos, sinceramente. Melhor conviver com pessoas diversas e de mente evoluída do que viver em grupos repetindo um comportamento ultrapassado...
      Bjs e obrigada por comentar!!

      Excluir
    2. Só esqueci de falar sobre fotos sensuais. Como disse no texto, eu super apóio a mulher que faz por livre e espontânea vontade seja por qual motivo for. O problema pra mim, são fotógrafos (comumente homens) que meio que convencem, forçam a mulher a se sexualizar. Porque a linha entre sensualidade e sexualização é muito tênue assim como a da sensualização pra objetificação também é! Adoro fotos sensuais de mulheres assim como nus artísticos, a principal questão pra mim é que na nossa sociedade, por ser machista, o fotógrafo ou o artista lidam com essa linha tênue da objetificação do corpo feminino e por vezes, erram a mão e a mensagem sai errada. Adoraria ver um pouco do seu trabalho com as meninas ;)

      Excluir
  2. Amei seu texto PERFEITO,penso assim também,sem falar que ser feminista na visão do homem e´o mesmo que mal amada,lesbica...eu tenho um estilo proximo do seu (digo que tenho rocker rs,mas gosto mesmo é kpop e jrock),por usar claças jenas direto cheguei a ouvir que seria lesbica por isso ou porque me visto parecido 0.o,faço como você encaro de frente e sou respeitada por agir assim,a mulher é mais vista como sensual,delicada...quando vêm pessoas como nós que encaramos de frente eles se assustam,porque não esperam isso,mas eu gostaria que tivessem mais assim que como diz o outro "não reclame do que você permite",enquanto amigas minhas sofriam nas mãos desses "homens" eu colocava os que mexiam comigo no lugar (comprometidos...),vou até compartilhar depois no face,disse tudo que penso (não são só nas subculturas é em todo lugar...),escreve muito!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Vanessa!
      Não sei se é perfeito, mas foi apenas uma pensamento que precisei colocar pra fora e pior que esse assunto sempre rende né??
      A mulher que encara de frente e fala coisas ganha má fama rsrss! E é comum se afastarem de nós ou por uma espécie de "medo" ou porque não sabem lidar com nossa audácia/personalidade. Eu tenho uma aparência delicada, uma voz delicada, mas minha personalidade nem sempre é!! kkkk Mas é aquela coisa, quando a gente é criada pra (tentar) ser livre e questionar, a gente não consegue simplesmente ficar quieta e aceitar tudo, não dá!
      Bjs e obrigada!!

      Excluir
  3. Excelente texto. Eu sempre tive problemas pra me encaixar na cena metal por ser meio machista. Não consigo escutar hard rock e metal melódico, que parece que exclui completamente a existência das mulheres, e fiquei meio de bode com metal sinfônico com vocal feminino depois disso que você falou, que é uma pena porque foi o que eu sempre gostei mais de ouvir, mas sempre tive problema com Lacuna Coil, de qualquer jeito. Hoje tô ouvindo bem mais bandas só de meninas e questionando tudo, sempre.
    Beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A cena metal nasceu de homens, por um bom tempo mulheres eram aliens lá dentro, tanto que por muitos anos não existiu uma 'moda feminina heavy metal', as roupas delas eram nada mais do que versões da dos homens.
      Eu hoje em dia seleciono mais meus ídolos, o que não me impede de ouvir uma musica por curtição, mas eu não curto certas letras e não dou dinheiro pra bandas que não me identifico. Quanto a Cristina, do Lacuna, eu acho que ela evoluiu na última década. Ela é inegavelmente sexy mas parece que amadureceu mais nesta questão. Quanto à bandas de vocal feminino, também vale uma pesquisa pra ver qual delas a mulher realmente tem participação ativa, a Liv Kristine e a Sharon compõem e são lideres de suas bandas, não são?

      Excluir
  4. Sana, agora você ganhou meu coração de vez! ahsdoiauhdsa Concordo demais com o seu texto. Infelizmente, todas nós temos histórias assim. Lembro uma vez que tava eu e minha irmã passando perto de uma construção na rua da casa da nossa avó. Eu tinha cabelo roxo e curto, tipo joãozinho, e ela tinha cabelo curto também. Os caras ficaram falando coisa do tipo "ah mas eu fazia essas sapatas virarem mulher", aí eu gritei "p*u no seu c*", segurei a mão da minha irmã e a gente saiu caminhando depressa.

    Olha, muito bom achar mais uma blogueira feminista nesse meio. :)) Fiquei muito feliz com o post. Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. hahaha! Obrigada Melissa!
      Pra você ver, preconceito duplo né? Julgarem vocês pela aparência e ainda lesbofobia...
      Mas tem como ser mulher e não ser feminista Melissa? Parece meio impossível na minha cabeça...

      Excluir
    2. Parabéns pelo texto! Você colocou em palavras o que muitas vezes senti e não tinha ninguém pra ouvir por falta de interesse.
      Se parar pra pensar vc percebe que até o p*u no seu c* que a Melissa Vieira para o cara tem um fundo machista.Porque dar o c* é uma coisa passiva,humilhante,coisa permitida somente para mulheres e para eles fazer algo que mulheres fazem é humilhante.Tem muitas outras coisas que a gente repete e não pára pra pensar é como o tão escutado "filha da puta".Pq vc deveria se ofender se alguém dizer isso pra vc? A prostituta não vale nada,qualquer ligação com ela vai te desvalorizar e claro que se vc é filha dela vc tb não vale nada.Acho que seria diferente se o filho for homem né.A coisa é tão enraizada que se for por aí vai longe.Também tenho cabelo curto e não usei pq achava que cabelo cacheado não ficava bem curto.Como escutamos e repetimos coisas sem pensar ...

      Excluir
    3. Bem observado anônimo(a)! Eu sou das pessoas que praticamente não fala palavrão. Não porque sou "certinha" mas porque eles sempre me constrangeram por soarem super machistas. Eu não gosto de reproduzir esse machismo nem nos xingamentos. Acabo falando palavrões do tipo "merda" ou algo assim... unissex e sem gênero rsrsrs!

      E não sei se vc sabia mas a prostituição nasceu da exploração do corpo feminino pelo homem, há milhares de anos atrás. Por isso em alguns países (tipo a Suécia) a profissão é proibida por ser "machista" e exploratória do corpo feminino. Claro que, a gente já tá tão acostumado a ver/ouvir falar de prostituição que acha super natural, mas é interessante esse lado histórico pra refletir.
      Mas é fato que o homem pensa que "puta" é um suuuuper xingamento ofensivo pra nós, a Marcha das Vadias em sua essência fala exatamente sobre isso...

      Excluir
  5. Sana, eu realmente me identifiquei muito com o seu texto. Tenho uma opinião meio diferente no caso da linguagem corporal, principalmente no que diz respeito às subculturas.
    Na cena de Black Metal aqui de São Paulo (e, pelo que eu percebo, por ai afora também), as mulheres são respeitadas desde que estejam casadas com músicos respeitados, estejam numa banda e/ou tenham um comportamento/modo de se vestir mais masculinizado.
    Se uma moça prefere usar roupas mais reveladoras ou com um apelo mais fetichita, todo e qualquer homem conclui que se a mulher o está fazendo, é unicamente para chamar a atenção dele ó-centro-do-universo. A mulher não foi num show para apreciar a banda e as companhias, mas para arrumar um cabeludo (na cabecinha deles).
    Nesse caso, eu acho que a solução passa longe de termos que adotar certas posturas - o que teria de ser feito, seria educar a sociedade para que ela saiba que a mulher veste o que quiser e age da maneira que quiser e que isso não tem nada a ver com querer sexo casual com um homem qualquer. Óbvio que há excessões (e não são poucas), como é o caso dessa "amiga" que a Marcela mencionou.

    Mas, voltando ao meu ponto, eu posso exemplificar com minhas amigas homossexuais que abusam das mini-saias/corsets/decotes imensos e não o fazem pela "necessidade" de se colocarem como objeto sexual para o homem (até porque elas não sentem atração sexual pelo homem), mas tão apenas por gosto.

    Eu tenho plena certeza de que você sabe diferenciar isso, mas a sociedade machista não.
    Por conta disso, além de termos nosso direito de ir e vir em paz prejudicado, também temos o direito sobre nosso próprio corpo prejudicado, pois os homens e as mulheres machistas pensam que tudo o que fazemos à respeito do nosso corpo é para atrair a atenção masculina.
    Assim, mesmo eu sendo casada, tenho que ouvir dos desconhecidos que nunca vou arrumar homem me maquiando de maneira tão pesada, ou raspando o cabelo, ou usando a quantidade de piercings que uso - ou ainda "me vestindo como uma vadia" (porque eles iriam querer apenas "me comer", mas minha saia curta anularia todo o meu caráter).

    Enfim, é por isso que eu sou uma das pessoas que apoia que algumas feministas tirem a roupa em protesto - o corpo feminino precisa parar de ser sexualmente objetificado, independente de como nos portemos em relação à ele. A sociedade precisa começar a engatinhar nesse assunto.

    Beijões!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que entendo Sandila! Eu sou das que usa mini saia porque gosto e não pros homens!
      A questão subcultural até gera um 'estudo' em separado porque a subcultura metal nasceu dos homens e por muito tempo mulheres não pertenciam à cena. Quando elas entraram, se vestiam como os caras e isso dava à elas uma espécie de respeito, as que não se vestiam masculinizadas, óbvio, eram as groupies e essa imagem se perpetua ano após ano dentro da sub.
      Pois eu acho que seu marido provavelmente ama você pelo jeito que você é e isso prova que todo tipo de beleza tem seu espaço, que não precisa viver encaixada num padrãozinho de "o que é ser mulher de verdade".
      Sobre tirar a roupa em protesto, eu não tenho nada contra, acho que o corpo feminino deve ser visto com mais naturalidade ;)
      Bjs!!

      Excluir
  6. Nossa adorei você ter citado as meninas do Crucified Barbara, porque foi justamente no show delas que vi de perto essa questão do machismo e fiquei muito irritada. Não sei se chegou a ver na maior parte dos shows teve a banda Hibria como abertura, acontece que pelo que vi eles são conhecidos (eu mesma nem conhecia e gostei de poder conhecer), fãs deles (tanto na pagina de evento do show no face quanto em outras páginas que divulgavam o show) fizeram vários comentários machistas (ex: pq a banda ia abrir para menininhas, que iriam só para ver quem sabe mesmo tocar, e complementavam que só iriam ver as "gostosas", entre outros) eu fiquei chocada, principalmente primeiro pelo fato deles não pensarem que isso é ruim para a banda que eles gostam (eu mesma fiquei meio sismada com a banda assim que vi os primeiros comentários, mas preferi não julgar a banda pelos fãs ) e segundo óbvio o quanto é babaca esse tipo de comportamento. O pior é que no show ainda ouvi vários comentários do tipo (principalmente de algumas pessoas que foram embora depois do show de abertura). Eu realmente me coloquei no lugar delas, deve ser péssimo ter que lidar com isso ainda. Bom adorei o post!!!!!!!! Parabéns!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amanda, você deve ter visto um clip recente das Crucified Barbara em que elas falam da violência doméstica contra a mulher, só isso já mostra o quanto elas se preocupam. E dureza foi ler alguns comentários criticando o clipe. Imagine que essas palavras machistas que você ouviu sobre elas, elas devem ouvir todos os dias!!! Ou seja, mulheres ainda são aliens na cena rock/metal mesmo estando lá desde o começo e além de passar o que toda mulher passa todos os dias, estando em banda, elas ainda tem que lidar com esse tipo de comportamento. É mais um motivo pra gente se orgulhar delas estarem ainda firme e fortes, quantas outras desistiram??
      bjs e obrigada!!

      Excluir
  7. Nao sei como cheguei aqui mais adorei o que voce escreveu, concordo plenamente e acho muito importante que nos mulheres comecemos a diser o que pensamos, nao ficar caladas cuando un machista fala algo na rua ou cuando algum "amigo" ou "conhecido" diz alguma coisa que a gente nao gosta. E nossa responsa, nao da pra esperar que um dia seja diferente, nos temos que facer a diferenca. Em cuanto as fotos, tomara que um dia a gente posa viver nossa sexuaalidade libremente e nao ter que aturar eses caras que nos acham objetos. Eu fiz algumas fotos e derepente muitos homens pidiram amisade no facebook, um nojo. Mais nao vou dejar de ser quem eu sou por eles, nem vou me calar. Ese e meu corpo, minha vida e eu decido. Bejos desde Uruguay e sorry pelo meu portugues meio estranho. rsrs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Imagina, super bem vindo o seu comentário!
      Você tem todo direito de fazer as fotos que quiser, mas precisa ser respeitada! Por isso mesmo é importante tirar esse peso de "objeto" do corpo feminino, para que ele seja visto com mais naturalidade!
      Adoro o Uruguay, a família de meu pai é daí! =D
      Abraço!!

      Excluir
  8. Em 1999/2000 um cara num caminhão assobiou para mim e minha amiga e eu xinguei ele deabusado ou qualquer coisa assim e minha amiga disse que eu era do contra, o primeiro cara que eu fiquei , depois do beijo , num outro dia ficou me apontando pros amigos e falando alguma coisa, eu briguei com ele e novamente fui taxada de do contra, e anos depois acharam que eu era gay,porque eu não beijava todos os rapazes nas baladas, me apresentaram até uma mulher, é incrível como tem seres humanos que gostam de podar as atitudes dos outros e massificar uma ideia como a única correta...Gostei da sua resposta pro cara :)

    ResponderExcluir

Obrigada pela interação. Os comentários serão respondidos aqui mesmo ^-^