Recentemente foi anunciado que a revista Carrapicho ops! Capricho vai sair de linha na edição impressa e ficar apenas na versão virtual.
Se ela nunca mais voltar a ser impressa no futuro, as edições em papel virarão relíquias. E me peguei pensando qual a última edição que comprei e me veio à memória que foi em 2005. Comprei única e exclusivamente porque trazia um editorial inspirado no gótico. Na época eu tava na facul, já iniciada em minhas pesquisas solitárias de subculturas e comprei pra analisar como a revista lia a moda gótica num editorial de moda. O gótico tava trendy, parte por culpa do Evanescence, da ascensão do Nightwish e dos emos (eitcha, que discrepância!). Lembro que o editorial é fraquinho, bem clichê, com peças pretas e um pouco de modinha da época.

Eu cresci com Capricho desde a infância por causa de minha irmã mais velha. Teve uma época que eu adorava a revista, lá pelos idos de 1994... eu era uma pirralha e lembro que as revistas passavam de mão em mão entre as meninas pra folhear. E tinha também a Querida e a Carícia, ambas também traziam matérias interessantes ocasionalmente. A Atrevida, apareceu em 1995, mas acho que eu só comprei ela lá por 1996 porque tinha uma matéria em homenagem ao River Phoenix, e eu adorava ele (R.I.P.).

Consegui fotografar com o cel essa página porque achei guardada num lugar (acessível) que não era pra estar. Liv Tyler em uma matéria (talvez 1994??). Sim. Sou acumuladora de velharias.


Com o tempo, acabei arrancando páginas e desmontando as revistas porque era muito volume pra guardar. Ainda tenho umas edições inteiras, mas não lembro exatamente quais.

Aqui entra uma coisa interessante:
Não tinha internet. Como eu sabia o que meninas rockistas vestiam??
Além das meninas que eu via na rua: pelas revistas e jornais.
Só que revistas de rock e metal não abordavam moda (e mal tinham mulheres em suas paginas).
Não sei se nas edições atuais ainda existe, mas "na minha época", a Capricho tinha uma sessão chamada "Meu Estilo", e ocasionalmente tinha meninas alternativas lá, roqueiras, góticas, punks, clubbers, bichos grilos... dizendo o que ouviam, o que vestiam...
Foi lá inclusive que vi uma menina usando cabelo rosa e dizendo que usava Manic Panic (isso em 1997!!). Tinha uma matéria só com pessoas excêntricas, entre elas a Elke e as donas da grife As Gêmeas, que  só usam preto. Lembro o quanto o visual delas me impressionou. CLARO que arranquei as páginas e guardei né? Essas meninas semi anônimas me inspiravam... por isso sempre digo: não se importem tanto quando são olhadas na rua, vocês podem, naquele momento, estar inspirando alguém!!

Quando eu era teen - no século passado kkkk - a Capricho lançava umas edições anuais sobre sexualidade, que eu sempre comprava, porque era aquele assunto que ninguém conversava com a gente, até na escola era muito difícil e adolescentes grávidas eram um tabu. Era uma coisa absurda quando uma colega nossa engravidava. Os olhares que recebia, os julgamentos... homossexualidade então... e eu passei todo esse período sem saber o que eram pessoas trans, pois nin-guém falava disso. Assexualidade? Vish... nada. E é curioso porque ao mesmo tempo que essas revistas adolescentes me informavam elas também não me informavam, porque vários assuntos não eram abordados em suas páginas.


Budismo x Bruxaria
Uma das matérias que mais me marcou e que eu trouxe pra vida, foi sobre religiões. Explicava muitas delas de forma clara e sem preconceito. Curiosamente, não tinha paganismo/bruxaria na lista. Por bem ou por mal, o primeiro contato de muitas meninas, na época, foi pelo livro Brida do Paulo Coelho. E daí partia-se pra buscar infos na biblioteca, lembro que nessa matéria especificamente, a religião que mais me impressionou foi o budismo.

O budismo tinha algo em comum com a bruxaria - que eu já estava me interessando desde os 13 anos -  era também uma religião não-cristã.
E isso é algo que pouca gente sabe: eu carrego desde então muitos ensinamentos budistas comigo, e quase todo dia escuto alguns mantras preferidos.
Não sei até que ponto o budismo influenciou na minha vida, hoje, me peguei pensando nisso e acho que parte do meu "phodasse" pra society vem daí.

O budismo não prega a culpa. Prega o auto conhecimento. 
O auto conhecimento te leva ao Nirvana que é superação do apego às coisas materiais e à ignorância.
A religião não te obriga a nada, ela te mostra possibilidades e diz que todo ato tem consequências (assim como a regra de 3 da Wicca). Não existe um Deus, existe o Buda Cósmico que é um poder de compaixão e sabedoria.
O budismo permite sexo antes do casamento porque considera um ato natural (assim como na bruxaria). 
Não existe essa de "mulher não pode ser Papa"; se na Bruxaria mulheres podem ser sacerdotisas, no budismo mulheres também poder estar no topo e serem monjas. Elas estão no mesmo nível que os homens na questão do lar e educação dos filhos, ou seja, igualdade de sexos nestas questões (assim como na bruxaria onde as mulheres também podem fazer de tudo!). 

Finalmente entendi que não era toda religião que me plantava a culpa. Que eu não precisava me culpar pelas coisas que fiz nem que não fiz. O que posso fazer com minhas experiências é refletir, me auto conhecer pra me tornar uma pessoa melhor.
Não interessa ao budismo o capitalismo. O "poder" da grana que te ilude pensando que você vai ser capaz de comprar a sua paz. A religião diz: mude a mente pra mudar o mundo. E isso é algo que Leon Tolstoi também fala que eu sempre curti: "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia. Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar a si mesmo".
Pessoas reclamonas, julgadoras... nunca me identifiquei com isso porque eu tava mais interessada em mudar sempre meus conceitos, numa evolução constante. E talvez por esse meu "desapego" eu não faço muitas coisas esperadas que se faça socialmente.
Coisas que algumas pessoas se incomodam, não me incomodam. Acho coisa pequena pra se preocupar. Coisa pequena pra acabar amizade. Coisa pequena pra não fazer o que gosta. Coisa pequena pra se importar tanto...
Odeio discussões vazias. Tipo aquelas que a gente vê por aí em relacionamentos, em família... não gente. Mude sua mente. Mude seu mundo.

Voltando ao começo... eu também tive minha fase de odiar a Capricho, foi quando adentrei de cabeça e visual na subcultura rock (lá pelo 16 anos eu comecei a usar visual aos pouquinhos). Como o Rock contesta muito, daí era só "Capricho é merda, ridícula, de patricinha, blablabla...." mas é bem curioso pensar hoje que foi por ela que entendi de forma clara o que era o budismo, que conhecia o estilo de meninas alternativas numa época sem internet, lia sobre sexualidade e recebia umas pinceladas de feminismo... gostando ou não, é parte da minha história.

P.S: Da próxima vez que eu mexer nas minhas caixas de acervo, vou tentar achar essas páginas com meninas alternativas. Se der escaneio, e posto :)

P.S 2: Esqueci de dizer no texto que cresci numa cidade do interior, então eu já não tinha acesso à muita coisa que cidades grandes tinham (questão da diversidade e opções de cultura e lazer) e correr pras bancas e ler pra passar o tempo era um hobbie meu.


15 Comentários

  1. Engraçado que me bateu uma certe nostalgia agora. Eu nunca comprei nenhuma revista capricho, mas sempre dava uma olhada quando minhas amigas levavam para a escola. Nunca me identificava com aquilo que era representado. Meninas brancas, de olhos azuis e cabelos lisos. As roupas eram bonitas, mas n era uma coisa que eu usaria.

    Quando vejo pessoas mais velhas do q eu falando sobre um tempo em q n existia internet (tenho 22, então internet fez parte da minha adolescência), percebo a sorte que tive. Msm q a internet seja uma perda de tempo às vezes, foi graças a ela q conheci elementos que povoaram minha adolescência e nessa minha fase adulta. Mas tb sinto que algumas coisas foram perdidas exatamente com essa vida virtual.

    Tb sempre achei a bruxaria e o budismo bem interessante. Adoro muito a cultura oriental e como eles pregam a vida coletiva. Nós ocidentais pensando demasiadamente no indivíduo. Esses dias estava pensando sobre isso, em como isso afeta nossas vidas. Tenho pensado em outras formas de buscar conhecimento, pq a tradicional (acadêmica) só me devasta a cada dia mais. Existem outras maneiras de aprendizado, porém estamos seguindo um ritmo de vida em que: estudamos, competimos, ganhamos dinheiro e competimos mais para ganhar mais dinheiro.
    Isso me frusta e tira o melhor de mim.

    Ah, estou cada dia mais interessada em estudar moda. Seus posts lá no "Moda de Subculturas" sobre a fast fashion, trabalho escravo e perda da valorização da criatividade, despertou novos olhares em mim. Realmente n fazia ideia da dimensão q isso tinha em nossas vidas. Vou iniciar no mundo da costura agora, só por diversão msm e pretendo comprar os livros q vc indicou para ter um conhecimento maior sobre isso.

    Abraços!

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    1. Mariana, o mundo sem internet era bem diferente. Esqueci de dizer no texto que cresci numa cidade do interior, então eu já não tinha acesso à muita coisa que cidades grandes tinham (questão da diversidade e opções de cultura e lazer).
      Se eu não corria atrás de ler revistas e jornais eu nunca ia saber nada do mundo. Era assim que funcionava pra mim. Então eu era a louca da banca e da biblioteca, adquirir conhecimento era meu hobbie como fuga das mentes pequenas interioranas.

      E particularmente acho que Capricho dos anos 90 era diferente do que ela se tornou depois dos anos 2000. Já com meus 17 anos eu já não curtia tanto a revista porque tanto ela quanto eu começamos a mudar (a internet tava mais acessível).
      Ganhamos muito com a internet principalmente o acesso ao "diferente" e à pessoas como nós. Além da possibilidade de saber de muitos assuntos com pouca idade.
      Acho que o que se perdeu foi o contato face a face com as pessoas e os encontros quase diários com os amigos (hoje uma conversa via chat é primeira opção), um senso maior de "união".

      Eu sou suspeita porque sou apaixonaaaaaada pelo Oriente! Cada país é diferente do outro, não é uma massa com mesmos hábitos como na Europa e na América. E por mais que estejam se ocidentalizando, o modo de pensamento deles não é como o nosso. Imitamos muito a cultura americana desde o pós guerra: competir, ganhar, ser bem sucedido, individualista, morar sozinho... O Butão por exemplo é um país que me impressiona, porque eles pregam a felicidade que está nas pequenas coisas. Claro, os países de lá tem seus problemas, mas quais não tem???

      Pensa direitinho sobre Moda. Não é uma profissão glamourosa como a mídia vende. Dependendo da área de moda que você for seguir, acredito que consiga fazer alguma diferença com seu trabalho. Só não pode se conformar com as coisas feias que vai ver e ouvir, porque a profissão não é regulamentada, não temos sindicato pra reclamar nossos direitos, então, nos exploram mesmo...digo que trabalhar com moda tem mais a ver com paixão e amor do que outra coisa. ;)
      Bjs e obrigada pelo comentário!

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    2. Sim, fiquei impressionada com o Butão *-*. Além de paisagens lindas, essa noção de felicidade deles é muito magica! Fico pensando o quanto nós podemos ganhar tentando trazer um pouco desses valores para nossa vida.

      E quanto a Moda, n pretendo ter como profissão n. É mais para ler nas horas vagas e costurar para poder colocar minha imaginação e criatividade em realidade. N gosto na verdade dessa coisa glamorosa q passam da moda. Eu gosto é do fato de algo que está na nossa cabeça poder ser transformado em realidade. Adoro técnicas mais tradicionais de costura, compreender como cada tecido é estruturado e como deve ser trabalhado. Sou apaixonada pela relação do ser humano com a roupa. Estou até tentando trabalhar com isso na monografia. Faço Arqueologia.

      Esse doc me inspira muito!

      https://www.youtube.com/watch?v=Ktcb4N1Osz4

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    3. Quero um dia visitar lá. Eu já sou apaixonada pelo Himalaia, então vou adorar de um jeito ou de outro :D

      Ah mas nesses caso, vai fundo! A melhor coisa que a gente pode fazer é aprender a costurar e modelar. Sua noção sobre quanto vale uma roupa numa loja vai mudar muuuuito, seus hábitos como consumidora vão mudar.
      Eu amo amo tecidos e ver eles virando roupa. O problema é que as vezes gosto tanto deles que tenho preguiça de cortá-los kkkk
      Bjs e obrigada pelo doc!

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  2. Eu sinceramente nunca fui muito de comprar Capricho/Atrevida, apenas comprava quando tinha algo de alguma banda que eu gostava ou matéria que me trouxesse informação.Quando criança tive acesso a algumas revistas da namorada do meu irmão mais velho e só, e concordo que as revistas especializadas em Subculturas/Música dificilmente falava de mulheres nem bandas formadas por meninas saiam nas Metal Massacre e/ou MetalHead. Apesar de ter vivido minha pré- adolescência no final dos anos 2000 e minha adolescência nos anos 2000 falar sobre sexualidade até para as meninas não virgens,era um tabu,se alguém aparecia grávida ou se chegasse a público que a garota já transava, era sinônimo de assombro. Por mais palestras sobre menstruação/sexualidade na escola que tínhamos, encarávamos as coisas de forma bem inocente e perguntávamos para as mais velhas e/ou as meninas com um namoro sério como era as coisas. Nudez então era outro tabu também,poucas eram aquelas que se trocavam na frente das outras no banheiro feminino.

    Concordo plenamente sobre o auto-conhecimento,quando nos conhecemos vamos muito mais além daquilo que imaginamos poder.Conhecimento não é perecível!Falo que reclamar nunca vai resolver as coisas, mas refletir sobre trás várias perspectivas sobre a mesma coisa...Eu conheci o Wicca pois certa vez quando era adolescente um cara que eu nem imaginaria praticar,me convidou para fazer parte do grupo dele, então decidi pesquisar.E minha mãe nessa mesma época me deu alguns livros sobre Espiritismo e me interessei também...

    Eu só termino uma amizade quando percebo que a coisa não é mútua, quando as pessoas por mais feliz que eu esteja tentam fazer ao contrário me desmotivando ou criticando de forma destrutiva (daí tomei conhecimento sobre o Vampirismo também),ou quando acontece algo muito grave mas por coisas bestas não.Esses dias uma amiga veio me pedir desculpas,pois ela ficou sem falar cmg durante seis anos por algo besta da parte dela que eu até hoje nunca entendi...ela achou "estranho" eu conversar com ela numa boa mesmo depois de tudo.Eu apenas disse que a mágoa só foi de um lado...A vida realmente é muito curta pra gente ficar remoendo coisas,coisas essas tão pequenas, a gente não pode jogar para o outro uma falta nossa ou um conflito nosso.Devemos apenas evoluir e deixar ir...

    Nossa escrevi um texto aqui >.<

    Eu tenho uma coleção significativa de revistas Criativa,Marie Claire e Gloss que fiz desde 2008 e parei em 2012,eu tinha muito preconceito com esse tipo de revista...elas trazem uns assuntos que objetivam as mulheres e algumas coisas machistas,mas nos assuntos que abordam comportamento eu aprendi muitas coisas,principalmente a Marie Claire.

    Enfim,acho que escrevi um baita textão kkkkkk

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    1. Se você foi teen nos 2000, a internet já estava mais acessível (pelo menos eu já acessava em casa - discada) e eu também só comprava revistas (variadas) de forma bem esporádica nessa época. Mas eram mais as de moda, por causa da facul.

      Agora sexualidade feminina sempre incomoda né? Fico impressionada com isso, em como somos educadas a ver nosso corpo como algo muito envergonhador, misterioso e que deve ficar invisível e intocado...e isso acaba gerando muita inocência nas meninas. Pior que em muitas cidades pequenas ainda é assim :(

      Pois eu acho que em termos de relações humanas, as pessoas levam muito pro pessoal coisas que não tem necessidade. Atritos existem e sempre existirão, afinal, pessoas são diferentes. Parece que hoje em dia, tudo as ofende. Tem coisa que não precisa/não compensa guardar mágoa por serem coisas pequenas e encarar tudo como ofensa me faz pensar que a pessoa se acha o centro do mundo e da perfeição, porque né? É a única explicação. Precisamos ser maleáveis nas relações humanas, compreensivos e levar menos as coisas pro lado pessoal, não a ponto de sermos frios, mas perceber que nem tudo é exclusivamente sobre "eu".

      Eu gostava da Marie Claire! Minha mãe comprava ocasionalmente, e de fato, elas tinha umas matérias meio "diferentes", li sobre bissexualidade nelas, sobre mulheres tatuadas e curtia umas entrevistas com artistas, alguns falavam coisas bem interessantes em perguntas incomuns :)

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  3. Olá, parabéns pelo blog!
    Se você puder visite este blog:
    http://www.morgannascimento.blogspot.com.br/
    Obrigado pela atenção

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    1. Oi Morgan! Obrigada!
      Vou visitar o seu ;)

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  4. Da Capricho eu acho que cheguei a comprar uma ou duas edições por ter algum poster de banda que me interessava na época, mas eu tive uma época que comprava com frequência a Toda Teen, que acho que é mais ou menos no mesmo estilo né!?
    Assim como você, foi através dessas revistas que eu comecei a ver uma coisinha ou outra alternativa e ler sobre assuntos diversos. Mesmo já tendo nascido na era da internet, eu fui ter acesso a ela bem mais tarde já que antes meus pais não tinham muitas condições financeiras e meu primeiro pc foi ganhado usado de algum parente e ficou uns bons anos sem internet. Era só pra jogar... rs
    Eu lembro também que na época eu era muito cabeça fechada. Eu ainda pensava com a cabeça da minha mãe, se é que você me entende. Então, apesar de ler todas as páginas da revista, eu não lembro de dar interesse a muitos assuntos fora do padrão na época.

    Sobre budismo e bruxaria, apesar de não ter muito conhecimento sobre os dois, eu também sempre achei que os dois tinham coisas em comum. Tinham algum tipo de ligação. Eu gosto bastante do que eu vejo sobre as duas religiões. Mas confesso que é a bruxaria que sempre me prende mais. ^^

    Adorei o post!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Olha, não duvido que deviam ser o mesmo estilo!
      Bem interessante você dizer que "era cabeça fechada e não dava interesse à assuntos fora do padrão", porque é um ponto de vista talvez mais comum do que se imagina e ao mesmo tempo é o oposto do que eu fazia. Eu tinha curiosidade sobre esses assuntos "polêmicos" e comprava as revistas quando elas traziam essas matérias...
      Acho que são as duas religiões que mais me identifico com as coisas Mone e também curto um pouco de Krishna porque na minha cidade tem um tempo deles. Mas o meu problema é que não consigo mesmo me fixar em dogmas.
      Mas leio muito sobre essas religiões e pratico dentro do que consigo no meu dia a dia :)

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    2. Eu também tenho essa dificuldade em me fixar em dogmas.
      Mesmo em religiões que acho muito delas em mim eu fico questionando coisa ou outra.. é muito difícil isso porque, querendo ou não, religiões sempre vão querer uma parte cega de você pra acreditar piamente nelas...

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  5. Já comprei Capricho e outras revistas teens sim! Principalmente no tempo que não tinha internet. No tempo eu tinha uma noçãozinha dos meus gostos e também conheci novos assuntos, como religiões diferentes, paganismo, mistiscismo, astrologia, wicca... Tu já leu uma HQ chamada Witch? Eram 5 bruxinhas, as iniciais dos nomes delas formavam Witch. Eu adorava, mesmo não comprando, lendo das amigas e tal. É claro que tinha muita coisa besta, mas né, fazer o quê.
    Acontece que muito dessas coisas que conhecemos no universo teen 'iniciaram' um pouco do que gostamos mais afundo hoje. Podemos até falar das coisas que vimos lá e não gostamos também, é óbvio. Sobre assuntos polêmicos era legal de ler, porque a gente tinha curiosidade e não era fácil de conversar com alguém mais velho às vezes, aí recorria às revistas mesmo.
    Sobre discussões bestas, papo de vida do outro, também não me apego. Acho que já me afastei de muita gente que vê muita graça nisso e que julga demais, fala demais de coisas que vão passar e não vão servir, intervir e nem agregar em nada nas nossas vidas.

    Adorei o post nostálgico! :*

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    1. Eu sei qual HQ é essa, mas na época eu já era "pós adolescente" e não cheguei a ler/comprar, mas lembro de ver na banca sim ^-^
      Concordo com você, muitas coisas do universos teen iniciaram o que gostamos hoje, eu vivi a época sem internet e as revistas nunca me impediram de descobrir coisas novas, selecionar o que curtia...
      Que bom que curtiu o post, bjs!! ;D

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  6. Nossa Sana! Eu lia Capricho, Atrevida...já comentei como tinha tido contato através destas revistas com realidades diferentes da minha, como a de meninas de rua, meninas do circo, meninas de comunidades afastadas...eram formas de encontrar pessoas que vc não encontraria e não conversaria, pela falta de possibilidade. Lembro de matérias sobre meninas de cabelos diferentes, de comportamentos sexuais que davam o que falar (uma sobre meninas que engravidavam de propósito deu o que discutir na época!), de como entender certos comportamentos dos nossos pais, dicas de filmes e livros...e agora, quando vejo um site destas revistas, até me assusto. Novas épocas, novas mídias...mas algumas coisas, assuntos e interações vão sempre permanecer os mesmos.
    Quanto ao budismo e wicca, eu conheci através de um amigo meu, que ouvia muito metal e queria saber de onde vinham aquelas referências. Numa das revistas que eu tinha, tinha uma matéria sobre meninas e suas religiões: católicas, evangélicas, judias, hinduístas, e muitas outras, em um debate sobre como era ser adolescente nestas religiões. Saudade de ver tanto esclarecimento!
    Capricho, de certa forma, faz parte de muitas de nós, né?
    Beijos!

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    1. Sabe que lembrei de ti enquanto escrevia?? Pensava: "hmmm a Vívien deve ter algo a contar sobre isso..." e concordo contigo, as matérias que traziam outras realidades eram muito legais! Como em tudo na vida, tínhamos que selecionar o que nos interessava e do resto, abstrair.
      Faz parte sim, gostando ou não. Acaba sendo reflexo de uma época né??
      Bjs!!

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Obrigada pela interação. Os comentários serão respondidos aqui mesmo ^-^