Por que pausei o blog:
Já tinha umas semanas que vinha pensando em pausá-lo. 
Pausei por motivos de:

me sentir pessoalmente desencaixada na blogsfera

Minha cabeça tá em conflito com o mundo bloguístico atual.
Como looks, make e esmaltes são a base dos blogs atuais e eu não tô conseguindo me encaixar nesses temas... me sinto no vácuo. 


Sinto necessidade de interagir com abordagens diferentes, mas não necessariamente inovadoras. Uma visão de mundo mais ousada e artística, mas ao mesmo tempo "comum" e acessível. 

Yeah, isso tudo tem me desanimado, ao mesmo tempo que eu estou procurando uma outra forma de me auto expressar. Já basta eu ter que encarar a vida sendo uma outsider agora me sinto assim na blogsfera também, e isso é digno de uma ausência.


Dei um tempo pra refletir sobre se estou me expressando bem e como estou me apresentando pro mundo.
E se ainda quero continuar, ou melhor, se ainda sinto a necessidade de bloggar a minha visão pessoal ou se já expressei tudo que queria.




ATUALIZAÇÃO:
Uns dias atrás eu fechei o blog pensando que era simplesmente fechar e sumir do mapa rsrs! Me enganei.
Obrigada a todas que mandaram mensagem, acabei reabrindo porque vocês tocaram meu ♥

Então pra todo mundo ficar de boas vou fazer assim: deixar o blog aberto mas por enquanto sem atualizações frequentes.

Quem quiser me acompanhar: Vocês podem me encontrar no meu instagram pessoal, no meu Tumblr ou no blog Moda de Subculturas (IG do blog) que são os lugares que tenho postado links, matérias e looks ;)


Um dia, uma pessoa que conheço, soltou a seguinte frase: "eu já uso essa estética que está na moda (Witchy inspired) faz teeeempo, antes do modismo e sou cristã, não sou bruxa não quero ser e nada me impede de usar, tá bom?".

A pessoa disse isso pensando que eu ia implicar com ela, inocente... digo e repito: NADA impede qualquer pessoa de usar roupas witchy inspired (e nem Strega) por um motivo simples: elas são roupas como qualquer outra, são moda, são estilo, cristãos podem usar, protestantes podem usar, budistas podem usar, crentes podem usar, ateus podem usar...

Elas não são roupas "de bruxa". Elas são roupas inspiradas num estereótipo, num imaginário popular de como se vestiria uma bruxa, mesmo porque bruxas (as pessoas) tem vários gostos de moda e não são necessariamente este que está na moda!

Existem bruxas que são executivas, que são "hippongas", que são góticas, que são "do Metal", que são jeans e camiseta, que são donas de casa... e cada uma delas se veste do próprio estilo... então, se a pessoa pensou que eu ia implicar com ela porque ela é cristã e usa witchy --> se enganou!

O ponto que critico e que não faz sentido pra mim é uma pessoa usar witchy inspired, especialmente os símbolos e ter preconceito com o paganismo. Aí sim acho que super complica. Aí eu estranho... Porque é como se apropriar só do lado legal de uma coisa mas rejeitar aquela coisa.
Se a pessoa curte witchy e usa "há anos" ou se começou a usar ontem, já é um sinal que ela pode não ter preconceito já que sente atração por aqueles símbolos e pelo imaginário da magia.

Além de estar na moda, as roupas estão bem lindas, então acho que muitas meninas vão descobrir a bruxaria por cauda do modismo e quem sabe isso não abra a mente delas para perder o preconceito com o paganismo?
Afinal, se o modismo coloca as pessoas em contato com o estereótipo, por que não aproveitar a chance e aprender um pouco sobre o assunto?

Edição 29/08:
Esqueci de falar uma coisa: o Strega e o Witchy são um estilo de moda alternativa. Não são subculturas. ;)





Eu vou finalizar o posts sobre "O que é Wicca?" com esta parte 3, o que deixei de fora são as infos fáceis de achar em sites confiáveis e também acho que vai de quem se interessar, corre atrás! :D 

O que é Wicca? (Parte 1)
O que é Wicca? (Parte 2)

O Individualismo
Wicca é uma escolha pessoal para aqueles que sentem que a sua percepção do sagrado não se enquadra nos esquemas tradicionais. É algo muito individual para se sujeitar a conjuntos de regras e crenças que outros determinaram. As poucas regras existentes na Wicca têm um caráter essencialmente funcional e são vistas não como mandamentos, mas como simples normas de relacionamento entre pessoas que partilham interesses comuns. São princípios genéricos ligados a valores ecológicos e individuais. Cada membro deve decidir, praticar e dirigir as suas práticas e rituais. Quem vai parar na Wicca,  são pessoas que consideram o homem e todas as outras criaturas viventes bem como os espaços onde habitam como sagrados.


No neo-paganismo nota-se uma ausência de proselitismo. Os Pagãos não divulgam sua religião de porta ema porta, como de um modo geral, não dão evidências explícitas de pertencer a este movimento.  Optam por ter uma atitude discreta, pois pensam que a aproximação ao Paganismo deve resultar de uma escolha individual ditada por interesses e necessidades interiores. Esta discrição também se deve à falta de aceitação, ao medo e à desconfiança que a sociedade tem em relação aos Pagãos. Assim sendo, a Wicca não tem convertidos, a pessoa se descobre pagã. Normalmente as pessoas já gostavam ou já se praticavam ou já se tinham a visão de mundo da bruxaria mas não sabiam (por falta de informação) - até que descobrem que o paganismo é o que já se encaixava na visão de mundo delas.


No passado, a Igreja tradicional chegou a transformar várias deusas pagãs em diabos masculinos não somente para corromper as deidades da Religião Antiga como também para apagar o fato de o aspecto feminino ter sido objeto de adoração. Quando se fala da Inquisição, muito se pensa em "heresia" quando em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXII) declarou oficialmente que a Bruxaria e a Antiga Religião dos pagãos constituíam um movimento herético e uma "ameaça hostil" ao Cristianismo. Mas é muito interessante observar que, pra uma pessoa ser considerada herética, ela tem que primeiro, ser cristã, e se os Pagãos nunca foram cristãos, portanto foi um grande ato covarde considerar pagãos como seres heréticos. Dentre os atos que pessoas consideradas heréticas sofreram estavam tortura, estupros, forca, fogueira, prensagem até a morte ou espichamento do corpo até ser desmembrado, afogamento, decapitação e o esquartejamento (infelizmente me faz lembrar do ISIS hoje em dia), entre outras atrocidades. Somente em 1951 as leis contra a bruxaria foram revogadas na Inglaterra, possibilitando que aos poucos as pessoas se revelassem.


Portanto, a Wicca é mais baseada na ligação da natureza, ao arquétipo da Deusa Mãe e nos sentimentos e inspirações pessoais dos seus praticantes, do que em quaisquer textos ou ensinamentos, o que a faz ser marcadamente individualista. À exceção de algumas ocasiões festivas em que se reúne um grande número de adeptos (geralmente de diversas tradições) para confraternizar e celebrar conjuntamente determinados momentos significativos, como por exemplo, os Solstícios.

Sobre Bruxaria e Wicca este vídeo da Adriana (Caverna da Bruxa) tem umas perguntas e respostas legais pra quem se interessou e quer saber mais sobre dá pra acompanhar o canal dela.


O que é Magia?
A magia é uma força que combina a energia psíquica com os poderes da vontade. Um dos elementos mais importantes na prática da magia é a sensação. É absolutamente essencial que você possua sensações fortes em relação ao que está tentando realizar para produzir o poder necessário para a realização da magia. É também muito importante usar a visualização criativa, também conhecida como "imaginação desejada". Sem a sensação e a visualização criativa é extremamente difícil (se não totalmente impossível) a magia funcionar. A escolha da forma (ou formas) de magia a ser praticada depende somente da preferência pessoal do bruxo e/ou da tradição wiccana.
Para que a magia funcione apropriadamente, um bruxo deve trabalhar em perfeita harmonia com as leis da Natureza e da psiquê. A lua e cada um de suas fases são a parte mais essencial, sendo extremamente importante que os encantamentos e os rituais sejam realizados durante a fase lunar apropriada. É importante corpo e mente saudáveis e capacidade de aceitar a responsabilidade pelas suas próprias ações. É impossível obter magicamente resultados positivos se seu nível de energia estiver baixo ou se seu corpo estiver contaminado. Para ser capaz de produzir poder, o corpo físico deve ser mantido em condição saudável. Inclusive essa é uma das respostas que a Adriana dá no vídeo acima: pessimistas não conseguirão realizar magia.

Programa da TV Brasil Wicca: Cânones e Tradições, clique na imagem pra assistir.
http://tvbrasil.ebc.com.br/retratosdefe/episodio/wicca-canones-e-tradicoes

Por enquanto finalizo aqui, embora ainda ache que tem coisas legais a serem abordadas sobre Wicca e Bruxaria num geral e quando der na telha eu posto haha! Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre e que o modismo traga algo de positivo nisso tudo.


Fontes do texto:
A feitiçaria moderna, Gerina Dunwich.
A Dança Cósmica das Feiticeiras, Starhawk.
As Bruxas do Brasil, Micaela Elegel.
Dreaming the Dark, Beacom Press.


Nem todas as pessoas que seguem os preceitos da bruxaria ou da ramificação Wicca falam abertamente sobre. Normalmente se mantém escondido ou apenas pessoas próximas sabem. Isso acontece porque existe muito preconceito na sociedade.
Como eu contei no post anterior, descobri Wicca quando pré-adolescente, eu já tinha uma queda por coisas místicas e já me sentia desencaixada com relação ao catolicismo, acabou que a curiosidade me levou a, ao longo dos anos ler sobre religiões não-cristãs. Então vou continuar neste post passando mais um pouco de informações adquiridas sobre a Wicca!
* Veja a Parte 1 Aqui e O que é Wicca? (Parte 3)

Deusa e Deus
Para a Wicca, existe um Princípio Criador, que não tem nome e está além de todas as definições. Desse princípio, surgiram as duas grandes polaridades que deram origem ao Universo e a todas as formas de vida. Sendo eles:


O Princípio Feminino ou Grande Mãe - representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda Criação. É associada aos mistérios da Lua, da Intuição, da Noite, da Escuridão e da Receptividade. É o inconsciente, o lado escuro da mente que deve ser desvendado. A Lua nos mostra sempre uma face nova a cada sete dias, mas nunca morre, representando os mistérios da Vida Eterna. Na Wicca, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem (ou donzela), a Mãe e a Anciã, sendo que esta última relacionada à Bruxa no imaginário popular. A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia feminina, o poder da menstruação na mulher, e é também a contraparte feminina presente em todos os homens, reprimida pela cultura patriarcal.

Deusa Triplice representada nessa fotografia: as fases da mulher
 

O Princípio Masculino ou Deus Cornífero - da mesma forma que toda luz nasce da escuridão, o Deus, símbolo solar da energia masculina, nasceu da Deusa, sendo seu complemento e trazendo em si os atributos da coragem, pensamento lógico, fertilidade, saúde e alegria. Da mesma forma que o sol nasce e se põe, todos os dias, o Deus nos mostra os mistérios de Morte e do Renascimento. Fechando o ciclo do renascimento que coincide com os ciclos da Natureza e mostra os ciclos da nossa própria vida. Do útero da Deusa todas as coisas vieram, e para ele tudo retornará. E, se pensarmos bem, as mulheres sempre foram mães de todos os homens, pelo seu poder de promover o renascimento espiritual e de toda a Humanidade. 

Festival na Sardenha, Itália,onde homens reencenam ritos pré-cristãos
em homenagem à fertilidade da terra/agricultura.  


Grandes religiões como a Cristã, Islâmica e Judaica apresentam uma longa sucessão de figuras paternas e de valores patriarcais. Essa ênfase no masculino estende-se a todos os domínios da sociedade ocidental. Durante séculos os valores femininos foram relegados para um segundo plano, chegando mesmo a serem identificados com o mal, com o demônio. O Paganismo propõe-se a recuperar a relação entre homem e mulher, que não são superiores um ao outro, se complementam. A Deusa também é importante para os homens. A opressão dos homens no patriarcado é menos óbvia mas não menos trágica que a das mulheres. Os homens são encorajados a identificarem-se com um modelo de pensamento ou estilo de vida que é nocivo para eles também (machismo).

A sociedade Celta era Matrifocal, isto é, o nome e os bens da família eram passados de mãe para filha. Homens e mulheres tinham os mesmo direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens. Por isso, curiosamente, durante algumas épocas a Wicca andou ao lado do feminismo, onde algumas mulheres acabaram se identificando com A Arte.

Sobre a nudez
Muita gente, especialmente aqui no Br, país de cultura judaico-cristã que prega muita culpa, acha o nudismo algo repugnante. Vemos muitos comentários não aceitando a nudez feminina em passeatas feministas, por exemplo.
Mas aí que está: estas mulheres usam sua nudez retirando a objetificação de seus corpos, pois a objetificação está nos olhos do outro. É o outro que critica a nudez dela e não ela mesma. Porque falo disso? Porque a nudez, na bruxaria, é vista como da mesma forma: sem objetificação. Com pureza, sermos livres de nossos medos e tabus. Pra isso é preciso ter o coração livre de conceitos de culpa pra poder tanto se libertar quanto evitar julgamentos sobre o corpo alheio. É preciso libertar a mente destes bloqueios repressivos.

 


A Roupa Preta
A cor negra na bruxaria não tem nenhuma ligação com o mal, como se costuma pensar erroneamente.
Ela representa o Útero Universal, do qual nasceu toda a Luz, a escuridão da Terra onde germinam as sementes. Ela isola as energias negativas, sendo ótima para ser usada quando se tem contato com grandes multidões ou pessoas negativas, pois impede que a sua energia seja "vampirizada".
Claro, isso vale pra Bruxas (ou pessoas) que trabalharam sua energia. Pode acontecer de pessoas não-bruxas, ou pessoas que tem energias desequilibradas, que ao vestir preto, ao invés de repelir vampirização, absorva a energia das outras pessoas. Por isso é necessário o autoconhecimento, treinamento, pra você ter energias equilibradas e poder usar o preto à seu favor.

Porém, não se deve usar somente a cor negra, pois precisamos da vibração de todas as cores. Eu por exemplo, gosto de quebrar o preto com prata, por isso meus acessórios com spikes ou detalhes em metal estão sempre presentes quando uso um visual all black. Senão, uso cor nas minhas saias (ou acessórios).



Ecologia e Natureza
A Wicca é muito ligada à natureza, por isso há o interesse por questões ambientais, não apenas enquanto base material da vida humana, mas como uma dimensão sagrada. O respeito pela natureza é um valor intrínseco e fundamental no Paganismo. Esta visão distancia-se de uma visão bíblica, na qual, ordenando Deus ao Homem que domine toda a terra e todas as criaturas viventes, pode-se justificar a depredação dos recursos naturais. Os indivíduos que se identificam com bruxaria, são pessoas que considerem o homem e todas as outras criaturas viventes, bem como os espaços onde habitam, como sagrados.
A árvore é um dos símbolos sagrado para vários deuses e deusas. Representa a vida e a Imortalidade. É o símbolo mais poderoso e majestoso da vegetação e teve papel importante em várias lendas da antiguidade. A árvore nos dá flores, frutos, sombra, além de serem necessárias para existir a água. Onde não há árvores, os rios secam. E a natureza morre. Eu já plantei muita árvore ao longo da minha vida, inclusive na calçada e em outras casas que morei e foi triste demais ver os outros moradores simplesmente matando-as, senti como se parte de mim tivesse sido arrancada. Até hoje cuido das árvores que plantei e sou uma eterna apaixonada por elas.



Fitas e desejos nos galhos da árvore.

Até o próximo artigo! ;D


Fontes do texto:
A feitiçaria moderna, Gerina Dunwich.
A Dança Cósmica das Feiticeiras, Starhawk.
As Bruxas do Brasil, Micaela Elegel.
Dreaming the Dark, Beacom Press.


A bruxaria ou aparentar-se com o estereótipo de uma bruxa está na moda. Então, decidi fazer uma sequencia de posts falando um pouco sobre A Arte, para quem sabe, difundir um pouco de informação. E talvez pela estética, a bruxaria tem sido muito "romantizada", tenho meus poréns sobre  ela ser usada como uma estética só pra "parecer diferente" mas sem a pessoa ter ao menos um mínimo de identificação. Acho que as meninas que se vestem "de bruxa"/witchy inspired, podem se identificar com os conceitos ou até mesmo possam vir a um dia serem parte do paganismo.

Neste post, falarei da Wicca - que descobri lá por meados da década de 1990, quando li o livro Brida de Paulo Coelho (pois é). Me identifiquei com a personagem que como eu, já se interessava pelo assunto. Antes eu só tinha conhecimento da bruxaria tradicional e não do ramo denominado "Wicca". Aqui apresento um resumo do que é, de onde veio, o que se acredita. Ao fim de cada post (serão três) tem as fontes consultadas, pois bruxaria é auto didatismo então, tem que correr atrás de fontes confiáveis pra aprender, pois não existe um dogma, uma Igreja, um livro sagrado... você é responsável em se comprometer por livre e espontânea vontade!

"O Paganismo não tem hierarquias nem mestres, é indispensável que cada indivíduo, cada grupo, faça as suas investigações, as suas recolhas de mitos e rituais que o ajudam a orientar o seu caminho."

Foi com base em algumas tradições populares europeias, em ensinamentos de diversas escolas ocultistas, em técnicas usadas pelos xamãs e várias outras fontes que se foi construindo o Paganismo, Neo-Paganismo ou Religião Antiga.
Dentro do Paganismo existem diversos ramos, cada um com tradições e mitos próprios. Aquele que mais tem se desenvolvido, sendo neste momento o mais representativo, é designado Wicca (Bruxaria ou A Arte). A divulgação pública da Wicca começou no fim dos anos 1940/inicio dos anos 1950 na Inglaterra, com a publicação por Gerald Gardner das obras "High Magic's Aid", "Witchcraft Today" e "The Meaning of Witchcraft". O primeiro destes livros foi redigido em forma de ficção devido às leis anti-bruxaria vigentes no Reino Unido até 1951 (sim, até pouco tempo atrás!!). Embora muito criticado na época por quebrar a longa tradição secretista da Bruxaria, com aS publicações, Gardner deu início a um movimento de expansão que até hoje não parou, incentivando a divulgação de conhecimentos até então secretos e a uma estruturação básica para uma forma de manifestação religiosa individual.
No original, as denominações utilizadas para esta "religião" são "Witchcraft", "Wicca", "The Craft" ou "The Old Religion", sendo os praticantes geralmente conhecidos por "Witches" ou "Wiccans".

 


A Wicca
Todo o Universo foi criado por uma Grande Mãe. Entre os povos que dependiam da caça, surgiu o culto ao Deus dos Animais e da Fertilidade, também conhecido como Deus de Chifres ou Cornífero. Os chifres sempre representaram a fertilidade, coragem e todos os atributos positivos da energia masculina, representando também a ligação com as energias cósmicas. Hoje a figura do Deus Cornífero é bastante problemática, pois com o Cristianismo, ele foi usado para personificar a figura do Diabo, entidade criada pelas religiões judaico-cristãs. Ele não é reconhecido e muito menos cultuado pelas Bruxas. Quando falamos em fertilidade na bruxaria, não é apenas a reprodução sexual, mas também a fertilidade da terra, da natureza, dos animais. A fertilidade da terra nos dá os alimentos!

Quando os Celtas invadiram a Europa, quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças. O conjunto de Deuses e Deusas dessa cultura é hoje o mais utilizado nos rituais Wicca, embora possa-se trabalhar com qualquer Panteão, desde que conheçamos o simbolismo correto, e não misturemos os Panteões num mesmo ritual.
Mesmo com o advento do Cristianismo, a religião da Grande Mãe continuou a ser praticada, pois havia certa tolerância por parte dos romanos, chegando a certos ramos da bruxaria a incorporar elementos do Panteão Greco-Romano, especialmente na Bruxaria Italiana (Stregheria). Foi somente na Idade Média que a Bruxaria foi relegada às sombras com o domínio da Igreja Católica e a criação da Inquisição, cujo objetivo era eliminar de vez as antigas crenças que eram diferentes do Cristianismo.
Durante a Inquisição, o medo fez com que muitas bruxas permanecessem no anonimato para resguardarem a vidas e a famílias. Muitos dos conhecimentos, de escritos (os livros eram queimados) passaram a ser transmitidos oralmente e assim, muito se perdeu. Por isso, não é correto dizer que a Wicca de hoje é a mesma de séculos atrás. No presente, ela é um redescobrimento, sendo parte do chamado Neo-Paganismo.



O que é Wicca?
Wicca é uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas deidades maiores reverenciadas e adoradas em seus ritos: A Deusa (o aspecto feminino e ligada à antiga Deusa Mãe em seu aspecto triplo de Virgem, Mãe e Anciã) e sou consorte, o Deus Cornífero (o aspecto masculino). É
panteísta (o Universo, a Natureza e Deus são a mesma coisa) e politeísta (vários deuses).
Frequentemente, a Wicca inclui a prática de várias formas de Alta Magia com propósitos de cura psíquica ou física, neutralização de negatividade e crescimento espiritual, e ritos para a harmonização pessoal com o ritmo natural das forças da vida marcadas pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano.

Outras características:
- os Deuses tanto estão no Universo, no Planeta, quanto dentro de cada um de nós. Nós somos manifestações dos Deuses.
- Amor e respeito pela Natureza como algo divino. A conscientização ecológica é uma necessidade e acaba sendo praticamente uma obrigação pra tudo dar certo.
- Tem descontentamento com as organizações religiosas monolíticas e desconfiança de supostos messias e gurus.
- A convicção de que os seres foram feitos para viver vidas repletas de amor, alegria, prazer e humor.
- A concepção de "pecado original" inexiste. Os wiccanos não aceitam o conceito arbitrário do pecado original ou do mal absoluto, não acreditam em céu ou inferno. Eles crêem que quando morremos, vamos à Terra de Verão (ou Terra da Juventude Eterna), onde recobramos nossas forças e nos tornarmos jovens novamente.
- O direito de agir como bem quiser, desde que isso não prejudique a ninguém.
- O conhecimento de que, com treinamento e intenção apropriados, as mentes e os corações humanos são totalmente capazes de realizar magia.
- A importância da conscientização e celebração dos ciclos solar e lunar e também de outros em nossas vidas.
- Uma grande fé na capacidade das pessoas de resolverem seus próprios problemas e dificuldades.
- Um total compromisso com o crescimento, evolução e equilíbrio pessoal e universal. Espera-se que o pagão realize esforços intermitentes nessas direções.
- Não praticam qualquer forma de baixa magia, magia negra ou "mal". Não cultuam nenhum diabo, demônio ou qualquer entidade do mal.
- Não tentam converter membros de outras fés ao Paganismo. Respeitam todas as religiões e acham que a pessoa deve ouvir o "chamado da Deusa" e desejar verdadeiramente, dentro de seu coração, sem qualquer influência externa ou proselitismo, seguir o caminho Wiccano.

O dogma principal da Arte Wicca é o Conselho Wiccaniano, um código moral simples e benevolente:
SEM PREJUDICAR NINGUÉM, REALIZE SUA VONTADE.

Ou, em outras palavras: você é livre para fazer o que quiser, contanto que de forma alguma, prejudique alguém - nem mesmo você!
A Lei Tripla (Lei de Três) é uma lei karmica de retribuição que se aplica sempre que você faz alguma coisa, boa ou má. Não que você será "castigado" por um ato mau, porém, quando você envia uma energia, o curso natural dela é voltar à você. Assim, caso envie algo negativo, essa força fará seu caminho, se fortificando, e retornará até você.

Eu imagino que se o mundo tivesse mais bruxos ou wiccanos, boa parte das coisas ruins de nosso planeta estariam sendo curadas. Pois o homem quando respeita a natureza, não destrói; quando ele não impõe sua vontade à dos outros, não há porque existir guerras ou violências...

Espero que tenham gostado e até o próximo post! ;)
 

Fontes do texto:
A feitiçaria moderna, Gerina Dunwich
A Dança Cósmica das Feiticeiras,
Starhawk 
As Bruxas do Brasil, Micaela Elegel
Dreaming the Dark, Beacom Press


"A ideia deste projeto surgiu de uma discussão a cerca de nossa admiração pelas bloggers alternativas gringas. A partir daí, mencionou-se os textos da Sana em seus blogs, que trouxe a questão: "O que nós temos em nossa cultura que podemos usar em nossos looks?" Pensando na diversidade da cultura brasileira, e no nosso estilo único e pessoal, será possível adaptar alguma peça típica de nossas culturas locais (ou nacional) para serem incorporadas ao nosso vestuário? É para explorar essa possibilidade que o projeto Reinterpretando Raízes foi proposto. Tire os livros da estante, as roupas da gaveta e vamos re-criar!"
• créditos às idealizadoras do projeto: Jaqueline Campos e Sana Skull

Nem acredito que já chegou a data deste projeto! Na verdade nem sei se as meninas vão publicar hoje porque não houve mais movimentação e comentários e nem alteração de data no Evento do Projeto. Então, decidi postar mesmo assim. Mas se elas quiserem postar numa outra data, em outro mês, por mim, ok!

Infelizmente, sinto que não pude explorar todos os aspectos do tema por não ter me programado corretamente, não dispenso a ideia de publicar uma parte 2 no blog se for o caso.
Sendo uma das idealizadoras desse projeto e uma grande admiradora da cultura brasileira, eu fiquei muito feliz dele ser aceito e abraçado pelas meninas do grupo, em especial a Jaqueline, que ajudou a dar forma à ele.
Mas ao mesmo tempo fiquei um pouco triste...
Nascemos americanizados. Nascemos europeizados. Achamos lindo o que vem de fora. E ficamos cegas pro nosso habitual.
E não apenas isso, é comum sermos podadas à criatividade. Assim, ficamos com receio de inventar algo, preferimos copiar e, por causa da baixa auto estima, não confiar na própria ideia e ficar na dependência da aceitação do outro.

No começo de meu blog eu falei muito dessa coisa de valorizar a cultura nacional. Mas os leitores deram tão pouco retorno... Um dia percebi mesmo que o povo quer cópia. Tanto que tem loja de moda alternativa que vive de cópia e até de plágio.
É engraçado porque o punk americano não é igual ao punk inglês, o gótico americano é mais "variado" e o gótico europeu é mais tradicional, o kawaii foi "europeizado", cada país modificou ou adaptou as estéticas de acordo com a cultura própria. E no Brasil a gente copia, pouco adapta, pouco reinventa. A gente tende a querer o look igual da gringa sem adaptar à nosso clima e estilo de vida...

Eu confesso que esse post não será bordado tudo que imaginei, mas ao menos uma parte está aqui :)

Culinária
Existem várias delícias da culinária nacional, um dos clássicos é um docinho de chocolate e leite condensado chamado Brigadeiro.
Como eu o adaptaria à Moda Alternativa?
Ele se poderia por exemplo, ser adotado por quem segue o kawaii aqui no Brasil (em formato de anéis, presilhas, colares fofos) ou pra quem tem marca irreverente, inventar estampas ou uma bolsa em formato brigadeiro trevoso, brigadeiro vampiro etc... Vocês viram o que a Iron Fist fez com o hamburguer, prato tradicional americano? Então...

Folclore
Taí um tema que eu acho que se adequaria à moda alternativa de todas as subs nacionais com pé no rock!
Lembram do Detonator e a música do Saci? kkkkk
Eu tenho um livro de lendas e fábulas do Brasil, é um livro impressionante! A quantidade de lendas regionais, figuras mitológicas e folclóricas que temos em nossa cultura é riquíssima! 
Como eu o adaptaria à Moda Alternativa?
Algumas histórias são bem tenebrosas, dignas de virarem estampas de terror ou até mesmo serem amenizadas e ficarem mais "simpáticas". Fora a possibilidade de usar os personagens em linha de sala, cozinha, quarto, banheiro...

Artesanato
Sabe aquelas rendas tão comuns aqui no Brasil? Que são artesanais? Tipo renda de bilro?
Renda existe em todo lugar, mas sempre foram parte da cultura popular brasileira, tem em qualquer feirinha.
Como eu o adaptaria à Moda Alternativa?
Seria o caso mais simples de todos, aplicaria essas rendas artesanais em peças de roupas ou acessórios ao invés de usar rendas já prontas de fábrica. Acho que encareceria a peça, afinal, é artesanato, mas daria muito mais qualidade.
Uma dia vi uma matéria que os gringos são looooucos por nossas rendas, eles importam roupas de estilistas que trabalham com esse material, então imagina que legal seria poder desfilar por aí com algo regional e que tem possibilidade de exportação!

Já repararam que em muitas casas do Brasil as donas de casa adoram "paninhos"? Paninho de crochê ou aqueles "vestidos" de liquidificador, bujão de gás...? 
Como eu o adaptaria à Cena Alternativa?
Igualmente super simples: faria esses paninhos e roupinhas de objetos ou com estampas alternativas (tatuagem, monstros, caveiras etc) e faria os crochês ou ponto cruz com temas darks. Um crochê em formato de morcego? Pra quem gosta desses "paninhos" poder enfeitar sua casa de forma irreverente. A gente vê muito material pra se inspirar na linha Housewares da Sourpuss, só que adaptando ao nosso imaginário popular.


Vestuário
Tecido Chita: o famoso morim! Sempre estampado com flores e cores fortes! Típico de nossa cultura popular! Um tecido ultra mega barato! E MUITO apropriado pro nosso clima!
Como eu o adaptaria à Cena Alternativa?
Estampá-los com temas já citados de folclore, halloween, terror... com as suas características cores fortes. Teríamos linhas estéticas para as Pin-ups,  as Góticas e as fashionistas alternativas. Claro que por ser um tecido barato, as peças teriam que ser muito bem estudadas para que a qualidade seja mantida, ou poderemos melhorar a qualidade em parceria com uma fábrica. Quanto às cores fortes, é bom quebrar esse pensamento que alternativo não gosta de cor. Talvez não goste porque não tem nada legal "de cor" pra comprar...


Bombachas Gaúchas/Traje de Prenda
Estou falando do traje típico gaúcho mas acho que isso serve pro traje típico de qualquer Estado.
Como eu o adaptaria à Cena Alternativa? 
Modificar dentro do possível a modelagem e cores e inseri-las na moda alternativa feminina e masculina. No caso das bombachas gaúchas, vejo-as tanto com a possibilidade de serem adaptadas para serem usadas no metal e no gótico. Imaginem uma bombacha, por exemplo com tule de malha ou num exótico material como vinil? O mesmo pro traje da prenda: dá pra encurtar a saia ou manter longa, trocar um enfeite x por uma renda preta.. ihhh. muitas possibilidades.

Vejam essa foto da Rhayanne Nery, a Miss PE com um traje inspirado em Maria Bonita. Com adaptações, é possível ir para a moda alternativa. Dá pra, por causa dos tons de marrom e bege, inserir anacrônicamente no Steampunk ou Dieselpunk ou até mesmo, porque não: criar uma estética nacional inspirada no cangaço com referência à moda do começo do século XX!




Moda alternativa é isso gente: é com pé no conceitual! Carnaval, fantasias, são muito mais próximas do conceito alternativo do que a moda mainstream! Por isso a gente precisa abrir a mente pra Moda. Esquecer tudo que aprendemos sobre moda com o mainstream e focarmos também no exótico, no fantasioso, no diferente, pra nos inspirar! Não é difícil entender que Moda Alternativa é também a ousadia do incomum.


Festas Nacionais
Festa Junina é a festa que mais gosto. Amo! Como a silhueta é super ao estilo século XIX e a moda da subcultura gótica tem uma base no século XIX porque não unir os dois temas?
Como eu o adaptaria à Cena Alternativa? 
Se rolam arraiais caipiras e temos muitos góticos interioranos, poderíamos criar um arraial gótico e concorrer nos concursos ou mesmo só se divertir. Se as Lolitas não forem tão mente fechada, até a Moda Lolita pode ser desconstruída e adaptada à essa festa nacional.
Quanto às roupas, nem tenho muito o que dizer, as imagens já mostram que as roupas são super adaptáveis à moda alternativa.


Carnaval
A história do Carnaval me intriga. Muitos alts dizem que não gostam. Mas talvez eles não gostem do Carnaval em si, mas sim do que ele se tornou no Brasil - um evento comercial. Quando você pensa que Carnaval é uma festa pagã e muitos alternativos são pagãos ou se identificam com o paganismo, porque eles  não celebram o lado pagão então?? 
Como eu o adaptaria à Cena Alternativa? 
A foto da Miss PE ali em cima, de Maria Bonita, é quase uma fantasia também de Carnaval, mas quando você pega esse conceito e o adequa à seu estilo de vida, sua subcultura, seu estilo alternativo... muitas possibilidades, muitas ideias surgem sobre trajes super elaborados que não deixariam devendo nenhum editorial fotográfico alternativo gringo. Onde usar estes trajes: nas festas alternativas que acontecem na época do Carnaval ou simplesmente aproveitar que tá tudo liberado e passear à noite fantasiada à seu jeito.

Como eu adaptaria elementos da Cultura Nacional meu estilo pessoal?
Tirando as rendas, que são possíveis serem compradas e costuradas pra fazer um look, como eu tenho um estilo pessoal muito definido e as coisas que eu imaginei ainda "não existem" ou não foram confeccionadas, eu não montei look pra esse projeto. Mas na hora que essas ideias forem saindo do papel com certeza posso as inserir nos meus looks, pois tudo que disse no post, é viável.
Algo que a cultura brasileira tem a oferecer e que faço muito uso é aproveitar a vida do lado de fora! Enquanto os Europeus e Americanos passam meses dentro de casa ou dentro de ambientes porque o frio os impede de passar muitas horas na rua, aqui no Br, eu aproveito muuuito a vida fora de casa! Adoro sair na rua nem que seja só pra bater perna. Outra coisa de nossa cultura que tiro proveito é do clima! Eu gosto de usar pouca roupa e adoro saias e pulseiras, existe clima melhor pra fazer isso que os dias de sol? (não estou falando de calor extremo, faz favor, não quero negatividade nesse post!!). Por causa do clima, posso usar pulseiras o ano todo! No inverno - eu amo o frio - mas me sinto estéticamente podada, pois o uso de camadas cebola, me impede de usar certos acessórios, embora claro, outros podem ser explorados. No inverno eu me enfeito menos que no outono e na primavera. No verão eu sou mais simples ainda.

A capacidade de se adaptar à situações "imperfeitas" é típico nosso. O clássico cliché que a cultura brasileira gosta de calor, verão e alegria, pode não se adequar perfeitamente no meu gosto, mas não deixo de viver por causa do calor - na verdade, gosto de usar pouca roupa; e a alegria é algo que aos poucos estou aprendendo/resgatando de minha essência porque eu cansei da cultura de depressão que alguns alternativos insistem em glamourizar. Depressão é coisa séria, não dá pra brincar de ser deprê!! Até os 15 anos eu era uma menina super alegre, engraçada. Daí meio que anulei esse lado meu inconscientemente por muitos anos por pensar que alternativo precisava ser sério, frio, deprê, seco, direto, contrastante. Mas depois vi que o bom humor e alegria eram parte sincera de mim (mesmo eu sendo uma pessoa misantropa) e ainda bem que conheci Adora BatBrat que me mostra que dá sim pra eu explorar meu lado brasileiro alegre e sorridente sem ser menos alternativa por causa disso!

Essa foi só uma parte das minhas ideias, mas quem sabe role uma parte 2 :)
Até mais e espero que tenham gostado!
Lista de blogs que confirmaram participação:
4sphyxi4
Corp. Gótica Ltda
Tribo Alternativa
Dias de Cheshire 
Primordial Breath
 


Não pude deixar passar...
Pra quem como eu, é canhota: parabéns pelo nosso dia!
Não é fácil viver num mundo espelhado, invertido, do avesso...mas a gente se sai muito bem! :D
Maçaneta, tesoura, faca, abridor, torneiras... xiiii... ou aprendemos com a mão direita um inventamos um jeitinho especial.
E aquela frase: "Fulano é meu braço direito", pra nós é "nosso braço esquerdo".
Ser de esquerda? Vish... e não é que somos??
"Fulana é uma pessoa direita!" ... E eu sou uma pessoa esquerda!
E aquela caneca liiiiinda que você ganhou do seu amigo, mas que na hora de beber, a estampa fica "pra dentro" e ninguém vê??
E escrever sem enxergar o que está escrevendo e pra isso entortar toda a mão pra poder ler...
E quando só tinha uma carteira de canhoto na sala de aula e nós éramos 3 na sala?
Comer com alguém destro sentado à mesa em seu lado esquerdo é ficar batendo os cotovelos durante toda a refeição.
Usar a tecla numérica do notebook que fica à direita ou mouse são coisas que acabamos aprendendo "organicamente" à força.
Fechar botão de camisa, zíper de calça... porque eles só fecham pro lado direito?? humpf!
A eterna sofrência de aprender violão ou guitarra com o instrumento ao contrário...
Até coisas tolas como folhear um livro é uma tarefa heróica!
São tantas canhotices que nem dá pra lembrar tudo, a gente acaba se habituando a ser diferente da maioria! :D





Desde que publiquei o Projeto Eu, eu mesma e minha vaidade, vim pensando sobre o assunto vaidade e pressão social.
Isso é o bom destes Projetos: fazem a gente pensar e repensar.
Acho que se eu publicasse o projeto hoje, algumas coisas eu teria mudado ou complementado a opinião. Ainda mais depois que minha amiga Lauren me mostrou um outro ponto de vista sobre o tema, e aí me veio um "click" e eu comecei a refletir mais sobre.
Amizades são pra isso né? De repente elas vem com um ponto de vista, uma sacada... algo que te passou despercebido e você acorda pra vida - ou pras pressões da vida.
É um assunto que tem me dado o que pensar, talvez me sinta à vontade pra falar mais sobre aqui no blog quando minhas ideias se formarem melhor...

A frase do título é de Agatha Christie e é algo como "Poucos de nós são o que vemos". Claro que a Rainha do Crime deveria estar falando sobre aspectos psicológicos, mas eu me lembrei dessa frase associada à vaidade, porque como eu disse no meu projeto, a vaidade pode vir associada à pressões sociais e às vezes o que aparentamos pro mundo não é como somos de verdade, por dentro...




Essa semana foi bastante corrida, nem tive tempo de atualizar os blogs, responder mensagens... mas hoje gostaria de deixar aqui meu registro de participação de um projeto com o tema muito interessante: Eu, eu mesma e minha vaidade do B-SA.

Quando ouvimos a palavra Vaidade sempre associamos a produtos de beleza e cosmética, nem sempre vem de primeira o nosso "desabrochar" diante do espelho e nossa beleza única. Pensando nisso o B-S/A decidiu realizar mais um projeto para reflexão: Em qual momento de sua vida a sua real vaidade desabrochou? Aquela vaidade sem padrões estéticos, sem cobrança social e sem cobrança própria? Quando a auto-valorização veio e o que você pensa a respeito disso? Caso não,o que pensas de fato sobre?



Eu tinha 14 anos. 
Não pretendia depilar as pernas, na verdade, não tava nem aí pra isso! E eu saía de short, saia, com as amigas, tinha namoricos...tudo absolutamente normal.
Eu estudava de manhã e ia pra aula de "computação" à tarde. Até que um dia, o verão chegou. Eu estava de calça bailarina morrendo de calor e cogitando ir de short na próxima aula. Vi minhas colegas todas de short e reparei nas pernas: lisas, depiladas. Algumas eram inclusive, mais novas que eu. Eu pensei "só eu não depilo as pernas, todas as meninas fazem isso, nossa, que vergonha, preciso depilar". 
Na aula seguinte fui de short e pernas depiladas. Quando olho pra minha colega sentada à direita, que tinha faltado na aula anterior, ela estava de short e... de pernas peludas!!
Eu arregalei os olhos e pensei: "Que merda! Eu não precisava ter depilado minhas pernas pra vir de short na aula! A fulana tem pernas peludinhas e não tá nem aí! Ai que arrependimento... :(" 

Esse acontecimento me deixou abalada porque foi quando percebi que eu tinha traído a mim mesma, anulado minha personalidade e comparado minha vaidade com a das outras colegas. Foi naquele momento que plantei a semente de que minha vaidade não era e não precisava ser como a das outras meninas. Eu "copiei" a vaidade das outras e fiquei infeliz porque aquela não era eu nem o que eu realmente pensava sobre meu corpo. 

Percebi que meu conceito de belo não era o mesmo que o delas, e isso influenciava na minha vaidade. A partir daí, enquanto minhas colegas queriam fazer mechas pra ficar loira, eu queria o tonalizante roxo. Enquanto elas faziam unhas francesinha, eu colocava carga de caneta colorida no esmalte branco. Enquanto elas tinham milhões de cremes pro corpo, eu só tinha um. E mal usava. O que eu amava mesmo era lápis de olho e batom vermelho! Que elas achavam "pesado demais" e não usavam.


Em qual momento de sua vida a sua real vaidade desabrochou? 
A vaidade normal, sempre tive, desde criança. Mas não posso dizer pra vocês que eu me achava bonita quando fiquei adolescente.
Talvez, exatamente por ter me dado aquele "clique" que a minha vaidade era diferente da das outras meninas, eu me sentia com a auto estima baixa pois não entendia ainda que aquilo tinha a ver com o fato de que eu já não me encaixava nos padrões sociais de pensamento e gosto estético...

Assim, eu vivia uma "vaidade solitária", usava o que eu queria e nem sempre era o mesmo que elas gostavam. Mas  sentia uma espécie de tristeza por não ter o padrão de beleza feminino exigia.

Minha vaidade real, real mesma, sinto que despertou BEM tarde! Só lá pelos meus 26-27 anos (ou seja, pouco tempo atrás) passei a me sentir ótima do jeito que sou. É um processo lento o de auto aceitação num mundo que veladamente exige que as mulheres tenham uma aparência x. Ainda não eliminei completamente o lance de me comparar com outras belezas, mas estou no caminho diário de parar de fazer isso.


Quando a auto valorização veio e o que você pensa a respeito disso?
Como eu disse, a auto valorização quase completa foi lá pelos 27 anos, onde passei a me aceitar mais e fico triste que tenha sido TÃO tarde. 
Mostra o quanto mesmo eu seguindo A MINHA linha de vaidade, ainda assim sofri pressão social sobre meu corpo, a pressão é forte na nossa sociedade, só que nos habituamos à essa pressão ao ponto de não a notarmos...

Mesmo eu sendo alternativa, não escapava dessa cobrança velada de "TER QUE ser/estar linda/ pra ser uma menina socialmente aceita. Foi somente quando comecei a me desamarrar dessas exigências sociais sobre as mulheres, com ajuda do feminismo também, que comecei a me sentir mais livre e ao mesmo tempo com um olhar muito mais crítico sobre a indústria da beleza e claro, o machismo. 

As pessoas dizem que tenho beleza "exótica" e eu encucava com isso, porque pensava que eu era "feia", que as pessoas só estavam sendo educadas. Mas depois finalmente entendi que o "exótica" é que elas viam que eu não era 100% a beleza padrão e essa é somente a palavra que eles encontravam pra expressar isso (talvez por não encontrarem outra palavra ideal).


Caso não, o que pensas de fato sobre (a auto valorização)?
Então, eu sou muito cética quanto àquelas campanhas de "aceite-se como você é" mas tá lá vendendo um sabonete ou um desodorante...
Sinceramente: não é assim não!! Não é de um dia pro outro que você se aceita e sai saltitante na rua como num comercial! Nenhuma garota, nesse mundo machista-consumista que prega que nós precisamos ser um moldezinho de nariz, boca, seios, quadril, bunda, sempre linda, disponível e perfeita, vai se aceitar como é de um dia pro outro! 
Nós vamos sofrer pra nos aceitar, porque a luta maior é a interna. Mas no dia que aceitarmos o que somos, poderemos celebrar chutando muitas bundas por aí! Porque pra sociedade, a gente precisa sempre nos achar inadequadas e feias pra consumir cosméticos, dietas, modismo alimentares, peles lisinhas, ficando assim, escravas do consumo de ser quem a gente não é. 

Sempre vai ter um ou vários dias que você vai se achar horrorosa - até um certo ponto é normal, mas não pode ser regra! Nós... que  nos identificamos com o alternativo, não tínhamos de se importar com essas coisas de padrões, mas nos importamos...

Vocês já notaram que quando uma pessoa se acha linda do jeito que é e se orgulha disso normalmente os outros dizem que ela é idiota, metida, exibida, egocêntrica?? Estranho como julgamos os que se sentem bem na própria pele, né? O dia que eu me aceitar 100% eu vou precisar estar preparada pra estes julgamentos, pois sem dúvida, minha vaidade e auto aceitação serão julgados publicamente.

Então,respondendo a pergunta lá de cima: "Aquela vaidade sem padrões estéticos, sem cobrança social e sem cobrança própria?'
Eu ainda não sou livre dos padrões, conceitos sociais do mundo que vivo, todo dia eu ainda luto um pouco contra esse sistema que me cobra de ser de x jeito, usar tal maquiagem, tal cabelo, ter tal corpo. E luto contra mim mesma, que tem dias que insisto em me comparar com o biotipo e vaidade de outras garotas e fico me achando feia ou inadequada. Eu estou a caminho, melhorei muito, mas ainda não cheguei onde quero. 
Quero cada vez menos prestar contas sobre minha beleza, a me importar menos em "ter" e em me igualar à outras mulheres e ser um pouquinho mais "livre" em relação às cobranças sociais femininas sobre a minha aparência.


Bom, essa foi minha participação no Projeto Eu, eu mesma e minha vaidade - do Blogueiras/SA e irei atualizando os links das outras participantes na medida que forem postadas as participações:
Cinderella Smile
Tribo Alternativa
Femme Toilet