Essa semana foi bastante corrida, nem tive tempo de atualizar os blogs, responder mensagens... mas hoje gostaria de deixar aqui meu registro de participação de um projeto com o tema muito interessante: Eu, eu mesma e minha vaidade do B-SA.

Quando ouvimos a palavra Vaidade sempre associamos a produtos de beleza e cosmética, nem sempre vem de primeira o nosso "desabrochar" diante do espelho e nossa beleza única. Pensando nisso o B-S/A decidiu realizar mais um projeto para reflexão: Em qual momento de sua vida a sua real vaidade desabrochou? Aquela vaidade sem padrões estéticos, sem cobrança social e sem cobrança própria? Quando a auto-valorização veio e o que você pensa a respeito disso? Caso não,o que pensas de fato sobre?



Eu tinha 14 anos. 
Não pretendia depilar as pernas, na verdade, não tava nem aí pra isso! E eu saía de short, saia, com as amigas, tinha namoricos...tudo absolutamente normal.
Eu estudava de manhã e ia pra aula de "computação" à tarde. Até que um dia, o verão chegou. Eu estava de calça bailarina morrendo de calor e cogitando ir de short na próxima aula. Vi minhas colegas todas de short e reparei nas pernas: lisas, depiladas. Algumas eram inclusive, mais novas que eu. Eu pensei "só eu não depilo as pernas, todas as meninas fazem isso, nossa, que vergonha, preciso depilar". 
Na aula seguinte fui de short e pernas depiladas. Quando olho pra minha colega sentada à direita, que tinha faltado na aula anterior, ela estava de short e... de pernas peludas!!
Eu arregalei os olhos e pensei: "Que merda! Eu não precisava ter depilado minhas pernas pra vir de short na aula! A fulana tem pernas peludinhas e não tá nem aí! Ai que arrependimento... :(" 

Esse acontecimento me deixou abalada porque foi quando percebi que eu tinha traído a mim mesma, anulado minha personalidade e comparado minha vaidade com a das outras colegas. Foi naquele momento que plantei a semente de que minha vaidade não era e não precisava ser como a das outras meninas. Eu "copiei" a vaidade das outras e fiquei infeliz porque aquela não era eu nem o que eu realmente pensava sobre meu corpo. 

Percebi que meu conceito de belo não era o mesmo que o delas, e isso influenciava na minha vaidade. A partir daí, enquanto minhas colegas queriam fazer mechas pra ficar loira, eu queria o tonalizante roxo. Enquanto elas faziam unhas francesinha, eu colocava carga de caneta colorida no esmalte branco. Enquanto elas tinham milhões de cremes pro corpo, eu só tinha um. E mal usava. O que eu amava mesmo era lápis de olho e batom vermelho! Que elas achavam "pesado demais" e não usavam.


Em qual momento de sua vida a sua real vaidade desabrochou? 
A vaidade normal, sempre tive, desde criança. Mas não posso dizer pra vocês que eu me achava bonita quando fiquei adolescente.
Talvez, exatamente por ter me dado aquele "clique" que a minha vaidade era diferente da das outras meninas, eu me sentia com a auto estima baixa pois não entendia ainda que aquilo tinha a ver com o fato de que eu já não me encaixava nos padrões sociais de pensamento e gosto estético...

Assim, eu vivia uma "vaidade solitária", usava o que eu queria e nem sempre era o mesmo que elas gostavam. Mas  sentia uma espécie de tristeza por não ter o padrão de beleza feminino exigia.

Minha vaidade real, real mesma, sinto que despertou BEM tarde! Só lá pelos meus 26-27 anos (ou seja, pouco tempo atrás) passei a me sentir ótima do jeito que sou. É um processo lento o de auto aceitação num mundo que veladamente exige que as mulheres tenham uma aparência x. Ainda não eliminei completamente o lance de me comparar com outras belezas, mas estou no caminho diário de parar de fazer isso.


Quando a auto valorização veio e o que você pensa a respeito disso?
Como eu disse, a auto valorização quase completa foi lá pelos 27 anos, onde passei a me aceitar mais e fico triste que tenha sido TÃO tarde. 
Mostra o quanto mesmo eu seguindo A MINHA linha de vaidade, ainda assim sofri pressão social sobre meu corpo, a pressão é forte na nossa sociedade, só que nos habituamos à essa pressão ao ponto de não a notarmos...

Mesmo eu sendo alternativa, não escapava dessa cobrança velada de "TER QUE ser/estar linda/ pra ser uma menina socialmente aceita. Foi somente quando comecei a me desamarrar dessas exigências sociais sobre as mulheres, com ajuda do feminismo também, que comecei a me sentir mais livre e ao mesmo tempo com um olhar muito mais crítico sobre a indústria da beleza e claro, o machismo. 

As pessoas dizem que tenho beleza "exótica" e eu encucava com isso, porque pensava que eu era "feia", que as pessoas só estavam sendo educadas. Mas depois finalmente entendi que o "exótica" é que elas viam que eu não era 100% a beleza padrão e essa é somente a palavra que eles encontravam pra expressar isso (talvez por não encontrarem outra palavra ideal).


Caso não, o que pensas de fato sobre (a auto valorização)?
Então, eu sou muito cética quanto àquelas campanhas de "aceite-se como você é" mas tá lá vendendo um sabonete ou um desodorante...
Sinceramente: não é assim não!! Não é de um dia pro outro que você se aceita e sai saltitante na rua como num comercial! Nenhuma garota, nesse mundo machista-consumista que prega que nós precisamos ser um moldezinho de nariz, boca, seios, quadril, bunda, sempre linda, disponível e perfeita, vai se aceitar como é de um dia pro outro! 
Nós vamos sofrer pra nos aceitar, porque a luta maior é a interna. Mas no dia que aceitarmos o que somos, poderemos celebrar chutando muitas bundas por aí! Porque pra sociedade, a gente precisa sempre nos achar inadequadas e feias pra consumir cosméticos, dietas, modismo alimentares, peles lisinhas, ficando assim, escravas do consumo de ser quem a gente não é. 

Sempre vai ter um ou vários dias que você vai se achar horrorosa - até um certo ponto é normal, mas não pode ser regra! Nós... que  nos identificamos com o alternativo, não tínhamos de se importar com essas coisas de padrões, mas nos importamos...

Vocês já notaram que quando uma pessoa se acha linda do jeito que é e se orgulha disso normalmente os outros dizem que ela é idiota, metida, exibida, egocêntrica?? Estranho como julgamos os que se sentem bem na própria pele, né? O dia que eu me aceitar 100% eu vou precisar estar preparada pra estes julgamentos, pois sem dúvida, minha vaidade e auto aceitação serão julgados publicamente.

Então,respondendo a pergunta lá de cima: "Aquela vaidade sem padrões estéticos, sem cobrança social e sem cobrança própria?'
Eu ainda não sou livre dos padrões, conceitos sociais do mundo que vivo, todo dia eu ainda luto um pouco contra esse sistema que me cobra de ser de x jeito, usar tal maquiagem, tal cabelo, ter tal corpo. E luto contra mim mesma, que tem dias que insisto em me comparar com o biotipo e vaidade de outras garotas e fico me achando feia ou inadequada. Eu estou a caminho, melhorei muito, mas ainda não cheguei onde quero. 
Quero cada vez menos prestar contas sobre minha beleza, a me importar menos em "ter" e em me igualar à outras mulheres e ser um pouquinho mais "livre" em relação às cobranças sociais femininas sobre a minha aparência.


Bom, essa foi minha participação no Projeto Eu, eu mesma e minha vaidade - do Blogueiras/SA e irei atualizando os links das outras participantes na medida que forem postadas as participações:
Cinderella Smile
Tribo Alternativa
Femme Toilet




2 Comentários

  1. Oi Sana!
    É interessante como as amizades influenciam de uma forma ou outra,nossas escolhas e visões.Tive amigos que sempre me motivavam a usar o que eu queria,seja dando um esmalte com cores exóticas para que eu parasse de roer as unhas,ou com uma peça que eles achavam a minha cara.A luta interna é algo fantástico e assustador ao mesmo tempo,por vezes penso tantas coisas legais que deixei de vivenciar por tal luta, e quantas pessoas ofendi por não achar que um elogio era verdadeiro.

    "Vocês já notaram que quando uma pessoa se acha linda do jeito que é e se orgulha disso normalmente os outros dizem que ela é idiota, metida, exibida, egocêntrica??"-Já ouvi muito isso,principalmente o idiota e metida,no começo me feria e de fato foi uma guerra árdua para não dar ouvidos e não me deixar levar por tais palavras,que que muitos tentamos ferir o outro quando este dá um passo além do nosso,ficamos raivosos quando queremos mas não tentamos/conseguimos.Aquela velha história de puxar o outro pro fundo com você.Sobre a cobrança social:.a gente acha que devemos chegar aonde queremos num certo estágio da vida,e não é bem assim.Falei para a Enoá esses dias,que a gente não deve se comparar ao outro e muito menos criar expectativas em cima disso,que quando deixamos as descobertas surgirem de forma natural,a recompensa sempre é boa pois não depositamos nenhuma expectativa de fato,só deixamos acontecer.Acredito que com a visão que temos de nós mesmos seja assim,quando deixamos e paramos para vivenciar já a aconteceu e isso é incrível!

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  2. Adorei o post Sana!
    Bem legal o projeto.
    Essa coisa de auto-aceitação é mesmo uma coisa difícil.. todo dia é uma luta. Sempre tem algo que a gente olha no espelho e quer comparar com o que te cobram. Mas o negócio é esse, um passo de cada vez. Como você mesma disse, não é de um dia pro outro que a gente vai achar que ta tudo no lugar e nada precisa ser mudado. ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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