Blogs e Instagrams Alternativos: a exigência de números é mais prejudicial do que parece!

Olá Divas Alternativas!
Quero deixar bem claro que neste projeto, os textos são focados no conceito tradicional de alternativo, ou seja, meu foco é pra quem é nicho mesmo

Lojas exigem mesmo números?
ALGUMAS lojas alternativas não. MAS muitas sim.

Lojas (ou empresas) alternativas se curtem seu espaço, se acham que seu blog/IG tem a ver com o público deles eles não vão te exigir número. Pois a identificação dessas lojas é com a essência de ser alternativo, quero dizer, o foco deles é no nicho, com um público específico.

Mas existem lojas que sim, que querem números. Infelizmente isso é algo crescente. Digo "infelizmente" porque ser alternativo não é regra, é exceção, naturalmente somos em quantidade menor.
Neste caso, não tem a ver com nicho, é uma questão de mercado/vendas e não tanto de público alvo. As lojas querem vender, não importa pra quem. Não importa se tá vendendo pro alternativo ou pra moça que tá só curtindo a tendência alternativa e quer pagar de #diferentona.

 
Meus pontos de análise:

1. Como exigir números de um público que é NICHO? Ser de nicho é não ser de massa.  
A maioria da população não é alternativa, então, nesse caso o empresario não quer somente o público alternativo, ele quer público, independente de qual seja. 

Ex: algumas de vocês lembram que ano passado uma loja que se intitula alternativa jogou no Instagram a seguinte chamada:

"Procuramos divulgadoras, exigência: mais de 7 mil seguidores".


Fiquei bem chocada.
Exigir um número x de seguidores pra um público ALTERNATIVO...?
Na época, fui no Instagram de algumas meninas alternativas, e olhei a quantidade de seguidores que tinham, a que tinha mais seguidores tinha 3000.
Claro que não considerei as "famosinhas" do insta porque elas tem uma linguagem que flerta com o mainstream e algumas são até divulgadas por mídias grandes.
E aí eu pensei, "ok, as meninas alts mais legais que eu conheço não podem se candidatar a serem promoters dessa ' loja alternativa' porque elas não tem seguidores o suficiente??"
Foram todas excluídas automaticamente pela loja!


Acabou que dei unfollow na loja, porque ela não era tão interessante e ficou menos ainda, não representa, exclui. Exclui várias meninas legais e que fazem bom trabalho mas que não tem números altos. Não faço questão de seguir loja com essa abordagem.


2. As lojas não exigem qualidade de conteúdo nos blogs/Instagrams e também perpetuam um padrão estético mainstream.
Muitas das pessoas com milhares de seguidores tem um padrão estético aceitável. A pessoa alternativa que não tem padrão ou foge de alguns padrões, pelo olhar de muitos não será considerada "bela" o suficiente e terá menos seguidores. E no Brasil ainda temos o adendo da classe social, aqui existem SIM o preconceito de classe.


3. Lojas investem em meninas com vários seguidores, mesmo que essas meninas tenham estilos pessoais diferentes do produto vendido pelas lojas.

Exemplo hipotético 1 a menina é romantigoth, mas no seu dia a dia investe num visual básico. E daí ela pega parceria de divulgar peças fetichistas. Por que a loja não escolheu uma menina que já usa fetichismo no dia a dia?

Ex 2: a menina é retrô e tá divulgando coisas witchy. Por que a loja não escolheu uma menina que já usa/é witchy no dia a dia?

Se essas meninas conseguem parceria é porque elas fazem um trabalho fotográfico/de divulgação aliado à números que agrada as empresas. Isso é mérito delas. Ok. Nada de errado.
Só que
caímos de novo na questão 1. As lojas não estão pensando no público alternativo "verdadeiro", estão pensando no mercado de tendências, em vender pra quem quer que seja usando dessas meninas populares. Só que esse
ciclo não favorece o alternativo de nicho - que fica excluído.


O processo que exige números/likes tem excluído ótimas meninas alternativas, o que exclui o próprio público consumidor e isso é péssimo pra imagem dessas lojas. Eu ignoro (perco o interesse) até que elas mudem seus comportamentos. 

Incentivam uma disputa não saudável. Indiretamente mexem com a auto estima. Reproduzem os hábitos mainstream de a gente se achar errada e que precisamos "melhorar", precisamos "ter sucesso" (sucesso hoje é número), precisamos nos encaixar num sistema...

Auto estima, cadê você? Ninguém me ama, não tenho likes.


O lado ruim disso é muito claro: alternativos de verdade CONTINUAM sendo excluídos do mercado inclusive, pra nossa decepção, por empresas que deveriam os abraçar como público consumidor diferente e únicos que são.

É sobre isso que falarei no próximo post, abordando inclusive a compra de likes e como descobrir se uma pessoa os comprou. 

17 comentários:

  1. O que posso dizer - MARAVILHOSO.

    Ansiosa para o próximo post.
    (@.@)

    beijus!

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    1. Obrigada Kallyne!
      Fique à vontade pra criticar, complementar... ;)
      O próximo sai em breve!
      Bjs!!

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  2. Nossa você disse tudo, uns dias atrás comentei isso com meu namorado, tem meninas que são lindas, você pensa nossa adorei o estilo dela, ai quando tu vai ver no perfil, é bem básica , maquiagem bem leve . Sobre os números infelizmente é assim que funciona , amei o post <3

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    1. Verdade Queenie, a autenticidade é algo fascinante e independe de looks elaborados!
      Bjs e obrigada ^-^

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  3. EXATAMENTE.
    eu espero que as lojas alternativas leiam esse post e entendam oque isso significa para cada blog alternativo.

    "Ex 2: a menina é retrô e tá divulgando coisas witchy. Por que a loja não escolheu uma menina que já usa/é witchy no dia a dia?"
    seria tão mais prático,eficiente e lógico,não é mesmo?
    rs

    outra coisa é o:vc tem que melhorar!
    Melhorar pra mim seria,se expressar melhor,escrever melhor,etc,mas quando se trata de mudar para ser mais mainstream é triste.

    Algumas meninas já sofrem ou sofreram tanto para se aceitarem,por serem diferentes de tantas formas,aí vem coisas assim para gerar uma disputa desnecessária,etc.
    ansiosa pelos posts futuros.
    bjos gatona

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    1. Esse seu último parágrafo falou tudo Gio, é uma luta tremenda das meninas seja com família, com a auto estima, com preconceito, com as dificuldades da vida e o que menos precisam é de que o espaço alternativo as excluam também!

      É só cobrança atrás de cobrança, virou uma coisa doida!!
      Quando isso vai parar e entenderem que lidam com pessoas e não com máquinas?

      Obrigada por passar aqui Gio, você sempre me ajuda a dar uma luz nas idéias ;)
      bjs!!

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  4. Ótimo texto Sana!
    Eu sinceramente me senti um tempo deslocada por conta desses critérios,optei por não ter parceria por causa da censura no que diz respeito a uma abordagem direta e honesta sobre o serviço e produto apresentado.Não consigo me identificar com as lojas presentes no mercado,afinal quem é representante da marca tem que ser uma pessoa real,real no sentido de ter aquela essência que a marca quer passar, e não é isso que eu vejo.Óbvio que o modismo ajudou a tornar muitas coisas que a dez anos atrás,não eram fáceis de achar e não muito acessíveis, em coisas ao nosso fácil alcance,mas fico triste em perceber como a abordagem de tais marcas se tornaram estritamente visual e sem conteúdo.Se eu pegar uma pessoa comum,colocar uma boa peruca colorida e pintar a boca dela de preto,pronto pode ser modelo de catálogo dessas lojas.

    É um baita desserviço prestado,pois demoramos tanto tempo para nos aceitar,compreendermos que não somos esquisitas ou marginais,para que nossa estima e aceitação seja resumida em números.Não vou mencionar o nome da loja,mas me senti completamente excluída pela marca,ao mostrar que estava satisfeita com o produto, e vi que minha foto não fora incluída no arsenal de clientes.Afinal,se alguém ver o que eu escrevi,posso ser honesta sobre e a pessoa pode comprar sem medo,algo que muitas parceiras ou ''clientes'' não são.Quando verifiquei o perfil de fotos publicadas,são de meninas no parâmetro SG.Ou seja,só esse tipo de menina/mulher é consumidora da marca?Não,mas é isso que a marca quer passar, e isso é lamentável. Eu sinceramente,quanto mais eu puder achar peças que quero em lojas físicas ou eu mesma posso fazer,melhor.Não quero vestir algo que não me representa e não me respeita como consumidora alvo.

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    1. Oi Marcela, obrigada! ^^
      Concordo que existe por parte do público alternativo essa exigência de representatividade. As lojas talvez não tenham percebido isso, visto que as meninas com muitos seguidores dão retorno. Por isso salientei no texto sobre a importância do nicho e que está existindo esse vácuo de entendimento das lojas sobre o que é um nicho e como usá-lo para crescer.

      Existem mesmo várias lojas alternativas que não postam fotos de clientes que não seguem um certo padrão, eu poderia citar várias rsrs! Por isso alerto para o perigo dessas lojas veladamente estarem mantendo padrões (aqueles mesmos do mainstream) e excluindo seu público real!

      Eu estava encarando o crescimento e o surgimento de novas lojas alternativas no Brasil com muito entusiasmo, mas quando vi que elas estão com o mesmo estilo de marketing do mainstream comecei a ficar com o pé atrás. E como sou uma pessoa muito analítica, crítica e questionadora, não tenho como deixar passar esse tipo de atitude! :(
      bjs!!

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    2. Faz bem em não ficar quieta!Eu sinceramente como consumidora e pessoa me sinto um tanto quanto ofendida,com atitude de tais lojas.É sabido que a loja precisa de lucro e retorno,mas como tu disse existe um vácuo sobre o que é nicho e como usar esse nicho a seu favor.
      Muitas vezes não vejo diferença alguma no que é vendido num fast-fashion ou em uma loja alternativa.E muitas vezes me pego pensando,se muitas dessas lojas estão vendendo roupas para adultos na faixa dos 30 pra cima ( que já findaram seu estilo e fazem parte do nicho,mas tem dificuldade em achar algo que não pareça tão clichê ou fantasia),ou para essa geração de jovens e adolescentes que infelizmente estão a consumir de forma desenfreada,daí entra essa forma mais mainstream de marketing.Espero ver muito mais textos do tipo :D
      Bjs

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  5. Achei interessante seu post e ponto de vista. E concordo com você. Não é só as lojas de produto de nicho, mas sim qualquer uma outra procura números. Eles não querem mais um blog em referência ao temas que eles vendem, mas sim um blog que tenha números e mais números de seguidores (que cá para nós, muitas vezes não representa nada, até fiz um post sobre isso) para que possa divulgar e vender o produto. Eu acho sem graça uma loja que não tem a nada a ver com o meu público querer me contratar para divulgar porque eu tenho um número X de seguidores que a interessa. Mas, é tudo uma questão de saber lidar com a nova disputa que surgiu na blogosfera.

    Beijos
    ótimo post.
    Karolini

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    1. Mas esse é exatamente o ponto: é normal loja mainstream usar essa tática, mas soa estranho ela ser aplicada por lojas "alternativas". Aí está uma inversão de conceitos, que as lojas alternativas estão imitando as técnicas mainstream mas com isso ignorando o próprio público consumidor, que é pequeno e de nicho. Lojas querem vender, mas será que no mundo de hoje, o cliente/consumidor, não está procurando mais representatividade e respeito?
      Eu vou explorar um pouco mais o tema no outro post sobre o assunto.
      Bjs e obrigada por passar aqui :)

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  6. Nossa, tenho nem o que dizer. O post representa exatamente o que eu penso do assunto... Chega a ser revoltante quando essas lojas se prestam a isso... Eu, que me considero uma pessoa com alto estima legal, certas vezes me deixei abater por casos como esses, imagina o que não faz com uma pessoa que já sofre com alto estima baixa... é triste </3
    Enfim, tbm aguardo os próximos posts, e o ebook tbm ;D
    bjo dyva!!

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    1. Pôxa Nayara, entendo! Eu tenho notado que isso acontece com mais frequência do que eu imaginava. É uma falta de representatividade tremenda né? Até desanima mesmo...
      Obrigada por acompanhar os posts ♥

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  7. cara amei teu post! sério! E o seu blog é maravilhoso!

    Estou passando justamente por isso,tenho um blog alternativo e não consigo parceria nenhuma por quê exigem coisas absurdas!

    É muito frustrante ver o nosso estilo tão bem representado por algumas blogueiras que nem se quer recebem o reconhecimento devido!


    Amei seu blog! um grande beijo <3

    https://tendenciacosmica.blogspot.com.br/

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  8. Em breve pretendo originar uma linha de roupas alternativas e terei uma loja virtual alternativa. Seguindo meus ideais, as garotas escolhidas para divulgação/parceria precisam ter a ver com o produto e com o público alvo, espero não me desviar deste princípio que tanto prezo

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  9. Adorei seu post Sana!
    Eu, como formada em publicidade, até consigo entender de certa forma essas lojas alternativas procurarem por números. Como você mesma disse, essas lojas em questão estão querendo apenas vender, seja pra quem for. O negócio ali é o lucro a qualquer custo. Mas eu, como também formada em publicidade e inserida no meio alternativo, sei da importância que é ter um produto/serviço de nicho e "anunciar" exatamente para o meu nicho. O que a gente tem que perguntar é: essa loja está apenas querendo pegar uma carona na moda alternativa, mas continuar reproduzindo os padrões mainstream ou essa loja é mesmo de pessoas alternativas para pessoas alternativas que veio com a intenção de melhorar o mercado para seu público-alvo e ajudar a quebrar padrões?
    Como você disse, é realmente muito triste a gente ver lojas que se dizem alternativas continuarem a perpetuar coisas do mainstream. É muito chato você entrar no perfil de uma loja e ver que as fotos publicadas lá são apenas de modelos e/ou clientes que de certa forma estão dentro dos padrões. É muito chato você ver uma blogueira/modelo que tinha tudo a ver com uma marca, sendo descartada por não ter um público grande. É muito chato você entrar no site de uma loja alternativa, mas só encontrar tamanhos pequenos que perpetuam um padrão de beleza muitas vezes inalcançável. E, mais uma vez, como você mesma disse, como esperar de uma pessoa alternativa que ela tenha um público grande sendo que é exatamente pelo fato de ela ser alternativa que o público dela se resume tanto?
    Eu, particularmente, fico bem chateada quando vejo essas lojas alternativas pedindo números de seguidores/likes tão altos. Só de pedir um certo número já é chato, mas números tão altos como esse que você citou no início do post - e eu fiquei chocada, diga-se de passagem - é realmente inadmissível. Pra alguns pode até parecer pouco pedir 7mil seguidores, mas pra gente que ta realmente inserida no meio, sabemos como é difícil chegar lá.

    p.s.: eu, como ex-estudande de publicidade, também entendo que pouco se ensina sobre mercado de nicho nesses cursos. Por vivermos em um sistema capitalista, acaba que até mesmo o marketing fica contaminado com essa ideia de que o importante é só vender a qualquer custo. Que não vale a pena investir em mercado nicho. Que, bla, bla, bla... Mas como eu estou inserida no meio eu consigo fazer a distinção dessa importância. Muitas vezes, o buraco pode ser bem mais embaixo...

    Mais uma vez, amei o post!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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  10. Meu dels falou tudo! Eu achava que era paranoia da minha cabeça, mas parei de seguir muita gente no instagram por conta desse comportamento. As pessoas tao interessadas em vender, e não interessa pra quem seja, tem que vender, daí as lojas patrocinam uma suicide girl padrãozinha que é aquela mina que tem um piercing no septo e um braço fechado de tatuagem, um cabelo colorido e só... A gente se sente um lixo porque não estamos inseridas no padrão de beleza e achamos que a gente precisa melhorar mais e vira um ciclo vicioso.

    Eu to me afastando meeesmo, de tudo e de todos. Muita coisa que me representava no passado hoje não me representa mais, por ter mudado de direção e ter como objetivos seguidores, curtidas e bla bla blá, não tenho paciência pra essas coisas...

    E como sempre, aqui é um acervo imenso de boas informações! <3

    Beijos!

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