Olá meninas!
Hoje venho com uma dúvida que vai e volta na minha cabeça e quem sabe vocês possam me ajudar: 
Qual a linha que divide um rótulo do saber quem se é (autoconhecimento)? 
Qual a linha que divide o rótulo de se identificar como sendo de uma subcultura? 
E quando pessoas que não gostam de serem rotuladas, acusam as pessoas que se autoconhecem bem ou que se identificam com subculturas como sendo "limitativas"?

Se pessoas dizem:
"ah, uso o que eu quero não gosto de me rotular"
e se outras dizem:
"sou da subcultura gótica"
ou se dizem: 
"às vezes sou gótica, às vezes sou punk e adoro tudo diferentão".
Na minha visão todos estão certos, porque todos usam o que gostam e se identificam com uma coisa ou com outra.

Não tem NENHUM problema as pessoas se assumirem com as características principais do seu estilos próprios e estilos de vida! MESMO que isso depois se revele apenas uma fase. NENHUM, nenhum problema!

Existe uma diferença entre ser de subcultura e ter o rótulo de (alguma) subcultura?
Existe uma diferença entre ser uma pessoa alternativa e ter um rótulo como tal?

Existe uma diferença entre se entender e se autoconhecer como uma pessoa de características alternativas - e aceitar isso serenamente - e existe uma diferença entre achar que ser alternativo é um rótulo?

É muito complicado julgar que ser alternativo é rótulo, não acham? Já que isso é algo muito pessoal. E que ser de alguma subcultura é um rótulo, já que existe todo um estilo de vida por trás daquilo...


Quando uma pessoa bate no peito e diz "sou punk, com orgulho" ela está se rotulando ou está apenas demonstrando além de auto conhecimento, um comprometimento com determinado estilo de vida?


Observem esse quadrinho da Trellia, uma moça ~gótica~ se aproxima de um rapaz e ele diz "gótica?" e ela grita "não me rotule!".  
O que Megan diz, com esse quadrinho é: se você é gótica, não tem nenhum problema em se assumir como tal. A subcultura gótica é linda, tem uma história maravilhosa, por que ter vergonha de se autodenominar assim se tudo em você converge para tal?
Fonte

O rótulo que uma pessoa te dá, muda algo em você?
Se não muda, pra que se preocupar?

O rótulo que a pessoa te dá, prejudica a sua vida?
Não? Então pra quê se preocupar?

Por que se preocupar com o que OS OUTROS  pensam da gente?


Quando uma pessoa diz "sou alternativa" é porque supõe-se que ela se conhece o suficiente e fez escolhas na ideologia, nas ideias etc que não é de forma nenhuma o padrão exigido socialmente. E quem somos nós pra julgar se a pessoa é ou não alternativa sem conhecê-la?

Se alguém virar pra mim na rua - que já aconteceu vááárias vezes - e perguntar: "você é roqueira, não é?"
Ela está me rotulando ou apenas lendo os símbolos contidos na minha aparência? 
Símbolos estes que EU escolhi de forma completamente consciente já sabendo como eu queria ser lida ao vestir aquelas roupas e acessórios? 
De forma nenhuma esta pessoa está me ofendendo. Ela está apenas verbalizando uma leitura simbólica e até inconsciente sobre minha aparência. Se eu responder: "sou sim!" - Eu estarei me rotulando ou apenas confirmando o que meu visual comunica

Isso não faz de mim a necessidade de ter uma casa cheia de referências à cultura rock n roll (embora alguns assim gostem) existe gosto pra tudo, até pra decorar. As pessoas não são apenas o que ouvem, elas são o que leem, o que consomem, o que assistem, o que pensam e em alguns casos o que trabalham... e isso, pra mim, não impede que uma pessoa assumidamente "punk", tenha uma casa rococó. E se essa pessoa que se assume punk for profissional de História da Arte especializada e fã do século 18? Ela não deixará de ser punk por causa disso, certo?


Então...
O rótulo só é rótulo quando erra o que somos ou quando ofende?
O rótulo limita ou nós nos limitamos?


O rótulo é colocar uma tarja numa pessoa e colocar ela numa prateleira de supermercado?  
Mas não somos todos nós produtos da sociedade? 


Não somos todos nós consumidores de produtos que nós mesmos colocamos os rótulos: "esse é bom", "esse é ruim"..? Aliás, eu leio os rótulos de todos os produtos de supermercado, eles são informativos, eles definem minhas escolhas.


Não é de hoje que pessoas que não curtem rótulos criticam quem se identifica com uma subcultura ou com estilo de vida. Se pessoas se assumem como "góticas" ou se assumem como "headbangers" quem somos nós pra criticá-los já que cada um sabe de sua vida e de suas escolhas?


O rótulo é uma qualificação simplista normalmente usada de maneira negativa sobre tudo que não se consegue compreender.


O ponto que eu quero colocar aqui - estou focando especificamente sobre cultura alternativa: pra mim, subculturas não são coisas negativas. Pra mim, alguém ser tribo de estilo não é algo negativo. Então, eu não enxergo subculturas/estilos de vida como algo negativo e limitante já que cada pessoa preserva sua individualidade e suas escolhas junto de seus semelhantes. Subculturas alternativas ainda são muito incompreendidas, é o que percebo...


 

Vivemos numa sociedade super fluida, onde as coisas vem e vão num ritmo alucinadamente rápido, mas nada impede que alguns se fixem por anos em algum estilo ou que tenham fases e se orgulhem delas. 

Se alguém nestes tempos superficiais onde tudo se desfaz tão rápido, "ousa" se assumir de uma subcultura, não é pra se admirar a fidelidade? 

Numa época em que nada se fixa, ter um tempo pra experimentar e curtir a fundo uma fase e se orgulhar dela, é algo tão interessante que não pode de forma nenhuma ser diminuído pelos outros.

Rótulos prejudiciais são aqueles que vem cheios de preconceitos e pré-julgamentos na vida, no trabalho, na religião. Observem que nestes casos costumam vir como reflexo de algo conservador que existe por trás ou do desconhecimento sobre o outro.

Mas coisas, situações e vivências que fazem as pessoas bem e felizes não podem - ou não deveriam - ser consideradas negativas.  Não há problema nenhum em se autoconhecer e se auto exemplificar. Por isso eu acho - apenas ACHO e ninguém precisa concordar comigo - que a palavra "rótulo" não serve pra julgar quem está de bem com si mesmo e vive segundo determinado estilo de vida.

Preocupemo-nos menos com rótulos e vivamos mais!  


Me ajudem com estes dilemas! ♥


P.S: Muita gente não percebe mas: ser vegano é ser de subcultura, ser nudista é subcultura, ser GLBT é uma subcultura e muitas outras minorias também são!
São rótulos? Ou são apenas classificações? As pessoas que tem orgulho de se dizerem "veganas", estão se rotulando também? Ser vegano é um estilo de vida, assim como ser punk, gótico...
Complexo, né?
Se é aceito como classificação, porque quando envolve subculturas alternativas, consideram um rótulo? 
Minha cabeça está dando nó ao pensar sobre esse assunto, espero que eu volte em breve com um pensamento mais claro sobre o tema! Ou não rsrs!

 


2 Comentários

  1. olha, nunca tinha parado pra pensar nisso haha. Nunca tive nenhum problema com rótulos. Se alguém vem com essa pergunta "você é roqueira, ou gótica?" Eu digo que sim. Afinal, o jeito de me vestir diz isso, então pra que negar né? Adorei o post, me fez pensar bastante, e também deu um nó na minha cabeça rs;

    http://madamegoth.blogspot.com.br/

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    1. Sim, dá um nó! rsrs!
      Uma pessoa me disse que não gostava de subculturas porque isso seria um rótulo. E eu fiquei tipo... "se existe um estilo de vida por trás e a pessoa vive aquilo tudo plenamente e GOSTA, por que seria um rótulo?"
      Rótulo não seria uma coisa ruim, que não corresponde à verdade? Pode subcultura ser um rótulo se aquilo não é ruim pra pessoa?
      E como pouco se debate sobre isso, embora hajam pontos a se debater, veio-me as dúvidas ;)

      Ah eu também nunca me importei de me chamarem de 'rockeira' porque eu sou mesmo e o rock nunca me limitou, pelo contrário, me deu uma baita liberdade, me abriu os horizontes!

      Obrigada por opinar! ♥
      Bjs!

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